Cinemas pelo mundo: Seattle Cinerama Theatre (EUA)

por Antonio Ricardo Soriano
Uma dica interessante, para quem viajar para os Estados Unidos, é conhecer o Seattle Cinerama Theatre. Neste cinema você terá a experiência fascinante de assistir a filmes em tela gigante.

A programação de filmes é bastante variada e em 2008, grandes clássicos serão exibidos, como mostra o cartaz abaixo.

Programação de filmes e endereço do cinema no site.

CineSesc: uma programação diferenciada

Inaugurado em setembro de 1979, o CineSesc é espaço destinado a uma produção que tem como principal preocupação a reflexão e o lazer saudável. A grande característica de sua programação é privilegiar obras dos mais diferentes países do mundo. Filmes que apontam para uma direção diferente daquela seguida pelo cinema comercial.

Entre todos os prazeres culturais da vida moderna, o cinema é ainda aquele que ocupa com destaque nossos corações e mentes. Uma boa poltrona, uma tela grande e um filme instigante transporta-nos para novos mundos, idéias e sensações. Muito já se teorizou sobre os títulos que povoaram nossos fabulários, ou mesmo que motivaram acontecimentos políticos e sociais; porém pouco se escreveu sobre a importância do espaço reservado a essa cultuação: a sala de cinema e seus mecanismos tecnológicos.
O Cinesesc possui sala com equipamentos de exibição de última geração, além de tela e infra-estrutura excelentes. Sentimos-nos recompensados, pois ele sempre foi considerado um dos melhores cinemas de São Paulo, não somente pela qualidade de sua exibição, mas pelo cuidado de sua seleção. Várias foram as oportunidades em que filmes programados para curtos períodos de tempo tornaram-se coqueluches de público e crítica, permanecendo longos meses em cartaz. Alguns desses títulos, lançados pelo CineSesc, hoje integram a galeria das grandes produções. E somente chegaram às platéias por seguirem a filosofia que orienta a sala: a de exibir obras de reconhecida qualidade e de conteúdo artístico, de preferência dando aos espectadores a oportunidade de travar conhecimento com filmes que não seriam mostrados em outros cinemas.

O CineSesc é uma das salas mais charmosas de São Paulo. Basta lembrar o bar, onde é possível assistir às projeções ao mesmo tempo em que se toma um bom cafezinho. Exibe filmes de diversas mostras de cinema, principalmente a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, os festivais internacionais de curtas-metragens e de documentários e a retrospectiva anual do cinema brasileiro.
Para completar, eventualmente, o CineSesc homenageia determinados diretores, atores e atrizes, exibindo seus principais filmes, além de promover mostras especiais de cinema em diversos.
CineSesc - Rua Augusta, 2075 - São Paulo - SP
Telefone: (11) 3082.0213
E-mail: email@cinesesc.sescsp.org.br
Programação (clique aqui)

Instalações: 326 lugares na platéia; bar fumoir interno (o tradicional) com 24 lugares de onde se pode assistir à projeção; acesso universal na entrada e na platéia; poltronas para obesos; café e bomboniere na sala de espera; auditório para cursos (60 lugares); galeria de fotos com os melhores momentos do cinema nacional; guichê para vendas antecipadas de ingressos; som dolby digital; serviço de matrícula para o SESC, de terça a sábado, das 13h às 22h; desconto de meia entrada para comerciários, idosos e estudantes; o cinema possui acesso para deficientes externo e interno, inclusive na platéia.
Textos extraídos da Revista e, publicação impressa e gratuita do Sesc de São Paulo.

A Revista e, em sua edição nº 29, de Outubro de 1999, teve como matéria de capa, o texto "A trajetória das salas de cinema". O texto é ótimo e bastante aprofundado. Para ler, clique aqui.

Cinema no Centro Cultural Banco do Brasil

Inaugurado em 21 de abril de 2001, o Centro Cultural Banco do Brasil de São Paulo comemora o sucesso de ter atingido seu objetivo : injetar uma vitalidade ainda maior na cena paulistana. Por meio de uma programação de qualidade e de seus programas educativos, o CCBB contribui para mudar a relação do paulistano com o centro da cidade.

O Centro Cultural Banco do Brasil em São Paulo ocupa o prédio construído em 1901 na rua Álvares Penteado, 112, esquina com a rua da Quitanda. Localizado no coração histórico da cidade, numa via hoje de pedestres, o edifício foi comprado em 1923 pelo Banco do Brasil. Em 1927, após uma reforma projetada pelo arquiteto Hippolyto Pujol, tornou-se o primeiro prédio próprio do Banco do Brasil na capital.
A construção foi inteiramente reformada para abrigar o Centro Cultural Banco do Brasil. Os elementos originais foram restaurados, mantendo assim as linhas que o tornam um dos mais significativos exemplos da arquitetura do início do século. A construção de cinco andares (mais subsolo e mezanino) foi tombada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Arqueológico e Turístico de São Paulo (Condephaat) e pelo Departamento do Patrimônio Histórico/Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (DPH/Conpresp).
Com 4.183 metros quadrados, o Centro Cultural Banco do Brasil em São Paulo possui salas de exposições, cinema, teatro, auditório, salas de vídeo, restaurante, bombonière e café.
O Centro Cultural Banco do Brasil - São Paulo está numa área de fácil acesso. Além das várias linhas de ônibus que passam perto do local, o prédio fica próximo das estações de metrô Sé e São Bento.
Espaços:
Salas de Exposição - Subsolo, térreo, 2º e 3º andar.
Cinema - 1º andar: Platéia com 70 lugares, mais três assentos para portadores de deficiência.

Espaço Expositivo - 1º andar: Paredes e painéis.
Auditório - 1º andar: Platéia para 45 lugares.
Teatro - 3º andar: Platéia para 130 lugares, sendo 92 embaixo (incluindo quatro espaços para deficientes) e 38 no mezanino.
Texto extraído do site oficial do Centro Cultural Banco do Brasil . Programação de eventos, clique aqui.

Uma homenagem ao cine Comodoro

por Luigi Di Giuseppe
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De todas as lembranças desta grande cidade chamada São Paulo, uma em especial merece uma homenagem - o Comodoro Cinerama, localizado na Avenida São João, 1462, com o telefone 220.1636, o Comodoro ou como era carinhosamente chamado Cinerama, deixou muitas saudades e recordações.
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Meu primeiro registro foi uma notícia que vi um dia à noite no Jornal Nacional, informando que a exibição do filme Terremoto, na cidade de São Paulo, estava provocando estragos no edifício e em lojas próximas ao um cinema onde o filme estava sendo exibido. Aquilo por si me chamou muito a atenção e eu, nos meus 13 anos de idade, cheio de curiosidade comecei a investigar do que se tratava e prontamente coloquei toda a família para descobrir que cinema era aquele que podia causar tanto impacto. Logo descobri, numa 5ª feira nublada, às 10h30 da manhã, uma experiência inesquecível e jamais esquecerei de todos os seus momentos, desde a chegada, até a frente do cinema, a bilheteria, a entrega dos ingressos, as escadas, a bomboniere e finalmente a sala de exibição, monumental com suas poltronas brancas e uma imensa cortina vermelha que cobria a tela - era a minha primeira experiência com um filme em 70 mm e som estereofônico, além do efeito *Sensurround que o filme Terremoto apresentava. Assiste o filme surpreso com a tela composta de milhares de fios brancos que se curvava em frente à platéia e o som impecável, com riqueza de detalhamento entre graves e agudos. A verdade era que o filme não era tão bom, mesmo para a época do cinema catástrofe, mas o cinema sem dúvida era o máximo. Depois passei a freqüentá-lo constantemente, os filmes muitas vezes exclusivos demoravam a sair de exibição, o próprio filme Terremoto foi exclusivo e ficou em cartaz por quase 10 meses.
______________ Pôster americano do filme "Terremoto" (1974)

Vale registrar as exibições, antes da reforma e após a mesma, e também o empenho dos esquecidos operadores de projetores, porque no Comodoro Cinerama, os operadores faziam um espetáculo a parte, dando alguns sustos na platéia. O leão da “Metro” rugindo e a vinheta da “Cinema Internacional Corporation” tinham um "tempero especial".

Os filmes que o Comodoro eternizou: E o Vento Levou, 2001 – Uma Odisséia no Espaço (insuperável), Fuga no Século 23 (experiência sonora que levou o prêmio Oscar), Estação Polar Zebra, Grease – Nos Tempos da Brilhantina, Aeroporto 77, A Ilha do Adeus, Tron, Os Caçadores da Arca Perdida, A Filha de Ryan, Pânico na Multidão, Terror na Montanha Russa (outra experiência em Sensurround), O Enigma da Pirâmide, De Volta Para o Futuro, Drácula (com Frank Langella), A Música Não Pode Parar, Sargent Pepper (com Bee Gees, filme que reinaugurou o Cinerama e que foi divulgado no programa do Chacrinha), Top Gun, Rocky 4, Isto É Hollywood, E. T. – O Extra-Terrestre, Fama, Evita (o último filme a ser exibido, já sem o glamour de 70 mm), Poltergeist, Xanadu, Duna, Pink Floyd – The Wall, Cinzas no Paraíso (fotografia belíssima), Os Canhões de Navarone, Ben Hur, Os Dez Mandamentos, entre outros.
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Fica aqui uma homenagem ao Comodoro Cinerama, a todos aqueles que tiveram oportunidade de conhecê-lo e aos que lá trabalharam. Bons tempos que não voltam mais.
Texto publicado no site http://www.saopaulominhacidade.com.br/
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*Sensurround - Terremoto foi o primeiro filme a ser apresentado em "Sensurround", um esquema especial de alto-falantes de baixa freqüência que era emprestado pelos distribuidor do filme. O sistema, que pode ser considerado o "avô do subwoofer", era tão poderoso, que em alguns cinemas chegava a trincar o reboco. O sistema só era usado nas cenas em que o terremoto estava acontecendo. O sistema "Sensurround" foi empregado, apenas, em outros três filmes lançados pela Universal: Midway (1976), Rollercoaster (1977), e no lançamento de Battlestar Galactica (1979).

Cine-teatro Paramount, agora Teatro Renault

O Cine-teatro Paramount abriu suas cortinas pela primeira vez em 1929, na Bela Vista, o "bairro dos teatros de São Paulo". Construído pelo engenheiro Arnaldo Maia Lello, foi o primeiro local a exibir filmes falados na América Latina. Desta época, o local herdou seu inconfundível estilo arquitetônico e todo o charme de uma das décadas de maior efervescência cultural do país. Nas décadas de 40 e 50 foi considerado o "palácio encantado", símbolo do glamour da sociedade paulista da época.
___________ Foto antiga da fachada do Cine-teatro Paramount
Nos anos 60, o Teatro Paramount abrigou bailes de Carnaval e apresentações de muitos programas de TV, como "Fino da Bossa", "Show do Dia 7", "Jovem Guarda", "Festival da Record", "A Frente Única da Música Brasileira", e muitos outros.
Um incêndio em 1969 destruiu parcialmente o lugar. Da construção original restaram o foyer e a fachada. O teatro foi reconstruído e subdividido em cinco espaços, sendo três pequenas salas de projeção no térreo e duas salas de cine-teatro no nível superior. Na década de 80, foi tombado pela Prefeitura de São Paulo como patrimônio histórico. Mas nos anos 90, filmes pornôs e mesmo peças adultas e infantis não impediram a decadência do teatro que fechou suas portas em 1996.
Recentemente, o Paramount foi reformado com projeto de Aflalo & Gasperini Arquitetos. A platéia, o palco e o subsolo foram demolidos e reconstruídos, mas sem descaracterizar o antigo cine-teatro. Da concepção original sobraram o foyer e a fachada, ambos em estilo art nouveau. Foram incorporados ao projeto uma área de merchandising, um bar e banheiros voltados para o foyer, tanto no nível térreo quanto no mezanino.
____________ Interior do Teatro Renault
Após as reformas, o Paramount, agora Teatro Abril, possui uma área total de 5.532 m2 e capacidade de 1552 espectadores, sendo 489 lugares no balcão, 104 nos camarotes e 959 na platéia. O foyer e a fachada foram tombados pelo CONPRESP (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de SP) pelo grande valor cultural e arquitetônico.
O prédio anexo foi incorporado ao teatro. Nele funciona a bilheteria, loja para venda de camisetas e souvenires e cafeteria, que estará aberta ao público diariamente entre as 9h e às 19h, quando não houver espetáculo, e até mais tarde em dias de apresentação.
Av. Brigadeiro Luis Antonio, 411 - São Paulo - SP - 01317-010

Tributo a grandes profissionais da exibição dos anos de 1940 - Diretores

Do periódico "Cine Reporter", de 26/06/1948.

Antonio Barone - Diretor da Empresa Cinematográfica Barone - Principais cinemas: Recreio, Pedro II e Santa Helena.

J. B. Andrade (filho do, também, exibidor Marcolino de Andrade, falecido em 1924) - Dono de cinemas na Capital, Campinas, Piracicaba, Limeira e Santos - Principais cinemas na Capital: Bandeirantes, Ipiranga, Cruzeiro e Piratininga.


Lucidio Calió Ceravolo - Diretor-superintendente da Empresa Paulista Cinematográfica, sócio de Paulo Sá Pinto - Principais cinemas: Marabá, Ritz São João e Ritz Consolação. Sócio, também, dos cines Sammaroni e Sabará.

Nicolino Taddeo - Diretor da Empresa Nicolino Taddeo - Principais cinemas: Sabará, Rex, Gloria, Iris, Oberdan, Ideal, Espéria e Carrão.

Paulo Sá Pinto - Diretor da Empresa Paulista Cinematográfica, sócio de Lucidio C. Ceravolo (cines Marabá, Ritz São João e Ritz Consolação) e Empresa Paulistana de Cinemas (cines Avenida, São José e Moderno). 

Tributo a grandes profissionais da exibição dos anos de 1940 - Gerentes de cinema

Do periódico "Cine Reporter", de 29/06/1946.

F. Ambrosio - Art Palacio

Arnaldo Pocci - Ipiranga

J. B. Carvalho - Bandeirantes

O. Minieri - Opera

Claudio Bodra - Marabá (1946) 

H. Alvarenga - Metro
Ernesto Lagata - Marabá (1949)

O Comodoro deixou saudades

Texto de "O cri-crítico" ( jornalista do jornal "O Estado de S. Paulo", que escreve para o suplemento "Guia", críticas bem-humoradas sobre cinema )

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É pena que São Paulo não tenha mais uma telona como aquela. “Isto é Cinerama, o sistema que revolucionou o mundo das diversões”, dizia a propaganda abaixo de sua marquise, quando o cinema foi inaugurado no final dos anos 50. Três projetores que simultaneamente formavam uma imagem gigantesca. Marcou muito a minha infância. Quando meus pais me levavam para ver filme lá – não era qualquer filme, só em ocasiões especiais, talvez pelo preço do ingresso, que, se me lembro bem, era um pouco mais caro do que em outras salas – eu achava tão divertido quanto ir a um parque de diversões. Acho que era necessário comprar ingresso com antecedência. Ou seja, era um evento, mais que um reles passeio. Já tinha poltrona numerada, algo que voltou como novidade em 2006.

Era o único cinema que quanto mais perto da tela melhor, por causa da curvatura dela – não me lembro de quantos graus. Antes de a sessão começar, a tela ficava atrás de uma cortina vermelha, como em um teatro. Dava a sensação de que, quando abrissem, o próprio King Kong estaria lá ao vivo. Ir ao cinema hoje é como ir a uma lanchonete fast-food. Estamos carentes de cinemas-parques de diversão. Lembro-me do último que assisti lá: “De Volta para o Futuro 2”, quando a sala já acompanhava a decadência da região. Revi o filme outro dia na televisão. Bateu uma nostalgia. Nunca será tão divertido como na telona do Cinerama.
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Texto redigido, exclusivamente, para este blog.

Primeiras projeções da história do cinema

Por Guido Bilharinho (Poeta, ensaísta, advogado e editor - Foi editor da revista internacional de poesia “Dimensão” " e da revista “Convergência” da Academia de Letras do Triângulo Mineiro. Autor de diversos livros sobre cinema, como “O Cinema de Bergman, Fellini e Hitchcock”, “Os Clássicos do Cinema Mudo”, “Cem Anos de Cinema”, entre outros. É membro da Academia de Letras do Triângulo Mineiro, da qual foi presidente. Seu Blog e e-mail )
“Para quem gosta de cinema (e salas de cinema), é interessante ficar sabendo como a Sétima Arte foi criada. O texto de Guido Bilharinho é excelente e resumido, se tornando uma agradável e curiosa leitura.” – Antonio Ricardo Soriano
Evolução dos experimentos mecânicos
A invenção do cinema (6.000 a.C. – 1895)
Das Sombras Chinesas ao Cinematógrafo Lumière
O ato de captar, reter e transmitir a imagem em movimento não constitui obra de um momento. Como qualquer invenção, representa não o início, mas, o ápice e o término de longo processo. Muitos séculos de buscas e experimentos, em vários países, confluem para o nascimento do cinema, em 1895.
As sombras chinesas
__________ Os primeiros espetáculos visuais foram as sombras chinesas obtidas originalmente com as mãos e pequenos acessórios
Desde as manifestações das sombras chinesas ao cinematógrafo dos irmãos Lumière percorrem-se não séculos, mas, milênios. Mas, lá, nessa temporalmente longínqua prática, encontra-se a primeira e exitosa tentativa de apreender, transmitir e dar significado ao movimento em seu fluxo natural. Desde 6.000 (seis mil) anos a.C., os chineses e depois os javaneses e indianos utilizam-se - em diversões, ritos e na arte bélica - de espetáculos, consistentes em sombras de pessoas, animais e coisas movimentando-se sobre iluminada parede branca. Atualmente, mesmo que possam a considerar rudimentar, a técnica empregada nas sombras chinesas permaneceu insuperável até o século XIX.
Período Helenístico (séc. III a.C. a séc. II d.C.)
No longo caminho para a criação do cinema, novo passo relevante consiste nos experimentos ópticos levados a efeito pelos cientistas gregos Euclides (séc. III a.C.), Arquimedes (287-212 a.C.) e Ptolomeu (90-168 d.C.).
O princípio da câmara escura de Da Vinci (séc. XV)
Leonardo Da Vinci (1452-1519) é considerado o primeiro ser humano a ter noção completa do fenômeno cinematográfico. Seu princípio da câmara escura, enunciado no “Codex Atlanticus”, representa considerável contribuição para a futura criação do cinema, já contendo referências ao relevo e à cor.
A câmara escura de Della Porta (séc. XVI)
__________ Gravura antiga que reproduz uma câmara escura: através de lentes e espelhos, as imagens externas são projetadas dentro da sala
O físico italiano Giambattista Della Porta (1535-1615), contemporâneo de Shakespeare (1564-1616), com base no enunciado de Da Vinci, constrói a câmara escura, que torna possível a fotografia e o cinema.
A lanterna mágica de Kirscher (séc. XVII)
__________________ Lanterna mágica marca "Lapierre"
Atribui-se ao jesuíta alemão Athanasius Kirscher (1601-1680), a construção da lanterna, que deriva e é uma inversão da câmara escura. Enquanto nesta, as imagens são projetadas de dentro para fora, naquela o são de fora para dentro. Torna-se a lanterna uma diversão popular.
O fantascópio de Robertson (séc. XVIII)
_____________________________ Robertson com seu fantascópio aperfeiçoou a lanterna mágica, inclusive dando-lhe movimentos e fazendo fusões de imagens
O físico belga Robertson, valendo-se da câmara escura de Della Porta e da lanterna mágica de Kirscher, inventa o fantascópio, criando os "espetáculos de fantasmagorias".
Multiplicação das invenções (séc. XIX)
O que se desenvolve lentamente no passar dos séculos, às vezes com enormes hiatos, acelera-se consideravelmente no século XIX. Inúmeros inventos e aperfeiçoamentos são, então, criados e efetuados, confluindo, finalmente, no cinema. Entre outros, citam-se:
1- Fenacistocópio ou Fenaquisticópio (entre 1828 e 1832), do belga Joseph Plateau (1801-1883), um dos primeiros cientistas a estudar a persistência retínica da imagem, donde deduz que para uma série de imagens fixas dar a impressão de movimento é necessário que se sucedam no ritmo de dez imagens por segundo.
Fenaquisticópio
2- Estroboscópio (entre 1828 e 1832), do austríaco Simon Von Stampfer (1792-1864), semelhante ao aparelho de Plateau.
3- Zootrópio (1834), do britânico William George Horner (1786-1837), construído a partir do fenacistoscópio, mas, já apresentando certos avanços.
Zootrópio
4- Fotografias do Movimento, do britânico Eadweard Muybridge (1830-1904), que tirou fotografias instantâneas de um cavalo correndo. Ele dispôs 24 câmeras alinhadas, uma ao lado da outra, em uma pequena extensão de uma pista de corrida. Através de cordões esticados - ligados ao obturador de cada câmera - o cavalo sucessivamente rompia cada cordão, disparando os obturadores.
__________ As primeiras fotografias do movimento feitas com sucesso
5- Revólver Astronômico (1864), do francês P. J. Janssen, construído sob o influxo do "revólver" inventado, em 1830/35, pelo norte-americano Samuel Colt (1814-1862), fotografando praticamente sem solução de continuidade um eclipse do sol.
6- Fuzil Fotográfico, do médico francês Étienne Jules Marey (1830-1904), baseado no princípio do revólver de Janssen, registrando 12 imagens por segundo.
7- Fuzil Fotográfico aperfeiçoado, na Grã-Bretanha, pelo francês L. A. Auguste Leprince (1842-1890), com utilização, pela primeira vez, de películas perfuradas.
8- Praxinoscópio (1877), do francês Émile Reynaud (1844-1918), que se serve das películas de celulóide perfuradas lateralmente e engrenadas nos dentes do aparelho. É considerado, por isso, o inventor do filme cinematográfico, patenteado em 1888.
__________ Reynaud mostrando no praxinoscópio o seu Teatro Ótico, onde apresentava as "pantoninas luminosas" com bandas pintadas em celulóide
9- Fonoscópio, criado em 1891 pelo francês Georges Demeny, reconstituindo, pela primeira vez, os movimentos de uma pessoa falando.
10- Cinetógrafo (inventado em 1889 e apresentado ao público em 1891) e Cinetoscópio (apresentado ao público em 1894), do norte-americano Thomas Alva Edison (1847-1931). A importância desses aparelhos, aliados ao * fonógrafo, outro invento de Edison, com o qual, conjugado ao cinetoscópio, já pretende sincronizar voz e imagem, levam muitos estudiosos do assunto a considerá-lo o inventor do cinema.
____________________ Thomas A. Edison, após inventar o fonógrafo, inventou o filme projetado para fazer a imagem acompanhar a música. Preocupado com o problema da comercialização do invento, fechou o cinema numa caixa para visão individual, com caça-níqueis, criando assim o seu cinetoscópio. Na imagem, esquema de funcionamento de um cinetoscópio
__________ Salão de exibição de cinetoscópios em San Francisco, 1899
11- Contribuições paralelas. Não só na invenção de aparelho destinado a capturar a imagem em movimento reside à criação do cinema. Inúmeras experiências e descobertas em outras áreas são também fundamentais e indispensáveis. Nesse sentido, é de se lembrar, principalmente: a) pesquisas e estudos efetuados e conhecimentos obtidos em fotoquímica e fisiologia, nesta porque o processo fílmico assemelha-se ao olho humano; b) invenção da fotografia, elemento primário da realização fílmica, procedida, em 1822, pelo francês Nicéphore Niepce (1795-1833), ao fixar numa chapa de metal a primeira imagem fotográfica depois de nove horas de exposição, tempo reduzido posteriormente pelo também francês Louis Jacques Mande Daguerre (1789-1851), para meia-hora e ainda menos tempo com a invenção do daguerreótipo, gravando-se a imagem a vapor de mercúrio. Em 1851, R. L. Maddox descobre a fotografia instantânea com o uso de gelatino-brometo, sem o que também não seria possível o cinema; c) película de celulóide perfurada, inventado pelo norte-americano George Eastman (1854-1932), em 1884.
A invenção do cinema
O momento final dessa evolução e desses experimentos (e inicial de uma nova era), ou seja, o da invenção do cinema, é questão um tanto tormentosa.
Para os norte-americanos, seu inventor é Thomas Edison , porque a 22 de maio de 1891, antes, pois, de qualquer outro, apresenta publicamente o cinetoscópio, inventado em 1888. E, porque, a 14 de abril de 1894, no Kinetoscope Parlor, na Broadway, é realizada a primeira sessão pública paga. Ou, ainda, porque, a 20 de maio de 1895, em Nova York, é efetuada a projeção de um filme de boxe de quatro minutos.
Para os segundos, o invento é alemão, porque, a 1º de novembro de 1895, ocorre, em Berlim, uma sessão cinematográfica também pública e paga, organizada por Max e Emil Skaladanowski, utilizando o bioskop, aparelho de sua invenção, antecedência esta reconhecida e registrada por Georges Sadoul no “Dictionnaire dês Cinéastes”.
Para os últimos, a glória é francesa, porque, além do cinematógrafo dos Lumière, o também francês e aperfeiçoador do fuzil fotográfico, Louis Aimé Auguste Leprince, em novembro de 1888, filma, em Leeds, na Grã-Bretanha, o jardim da residência de seu sogro.
O cinematógrafo
________________ Auguste e Louis Lumière, os inventores oficiais do cinema
Finalmente, como decorrência, síntese e evolução de todos esses e, segundo se calcula, outros mais de 100 (cem) experimentos, tentativas e conquistas, surge, em 1895, o cinematógrafo, dos irmãos Louis (1864-1948) e Auguste (1862-1954) Lumière, considerados os inventores do cinema. Os Lumière, Louis e Auguste, trabalharam, secretamente, na indústria do pai, em Lyon, em seu projeto, a partir, principalmente, das conquistas efetuadas por Edison, as mais avançadas até então.
No ano mais marcante da história do cinema, 1895, patenteiam seu invento, a 13 de fevereiro. Promovem, a 22 de março, sua primeira sessão cinematográfica, na Societé d’Encouragement à l’Industrie Nationale, dando a luz, nessa ocasião, ao filme “La Sortie dês Usines Lumière”. Realizam, nos meses seguintes, diversas exibições desse e de outros filmes, em associações e congressos científicos. Finalmente, no dia 28 de dezembro, promovem sua primeira e histórica sessão pública paga, no subsolo do Grand Café, sito no Boulevard dês Capucines, 14, Paris, data e lugar oficiais do nascimento do cinema. Entre os presentes, Georges Meliès. Na oportunidade exibem 10 (de) filmes, realizados por Louis Lumière, nenhum deles ultrapassando a duração de 2 (dois) minutos, mas, todos de importância histórica e estética absolutamente não antevista ou imaginada por seu realizador.
A reação, como não poderia deixar de ser, é, mais do que qualquer outra coisa, de excitação, como registra a história, sem no entanto, passar despercebido, no mesmo momento da projeção, o alcance do novo invento pelo jornalista Louis Forest, ao dizer para uma artista a seu lado que zomba do que considera brinquedo de feira: “assistimos a um dos mais extraordinários momentos da humanidade: encontraram o idioma universal”.
Parte do texto do capítulo “Evolução dos experimentos mecânicos – A invenção do Cinema (6.000 a.C. – 1895)” do livro “Cem anos de Cinema”, de Guido Bilharinho - Instituto Triangulino de Cultura - Uberaba - MG - 1996. Publicação autorizada pelo autor.
* Fonógrafo - Thomas Alva Edison inventou, em 1877. o fonógrafo. Aparelho capaz de gravar informações sonoras em um cilindro que girava em torno de seu próprio eixo. Uma espécie de estilete fazia sulcos nesse cilindro, correspondentes às vibrações sonoras, o que permitia reproduzir esses sons posteriormente. Em 6 de dezembro de 1877, fez uma gravação de si mesmo recitando "Maria Tinha um Cordeirinho" que existe até hoje. Seu primeiro fonógrafo, chamado por ele de "máquina falante", era movido por uma manivela, mas o ritmo do som era tão inconstante que, em 1878, ele construiu um outro aparelho com motor elétrico. Em 1886, ele desenvolveu um modelo melhorado de fonógrafo em parceria com Charles Summer Tainter (1854-1940) e Chichester Bell, primo de Alexander Graham Bell, o inventor do telefone e das gravações em cera do fonógrafo de Edison.
Para quem quiser se aprofundar no tema "história do cinema", segue abaixo algumas dicas de livros:
Do Cinetoscópio ao Cinema Digital - Breve História do Cinema Americano – Autor: A. C. Gomes de Mattos – Editora: Rocco
Vocês Ainda Não Ouviram Nada – Autor: Celso Sabadin – Editora: Lemos Editorial
A Grande Arte da Luz e da Sombra: Arqueologia do Cinema - Autor: Laurent Mannoni -Tradução de Assef Kfouri - Editora: Senac São Paulo
Cem Anos de Cinema - Autor: Guido Bilharinho - Editora: Instituto Triangulino de Cultura

Livro: No tempo das matinês – Emoções no cinema de bairro

Este livro tem como propósito principal apresentar um relatório feito por dois amigos. Embora só viessem a se conhecer na fase adulta, em suas infâncias e juventude, porém, comungaram das mesmas emoções, que as matinês proporcionavam no final dos anos 30 até meados dos anos 50.

O doce hábito da matinê
“No decorrer dos anos 40, principalmente os cinemas de bairro (chamados de poeiras), que ofereciam aos domingos e feriados sessões vesperais, também conhecidas como matinês, viviam seus momentos de glória. A cada ano que passava novas salas eram inauguradas, para se juntar as já existentes nos mais diversos pontos da cidade de São Paulo. Estes cinemas, bem mais modestos, com poltronas de madeira, cujo sistema de ventilação e renovação de ar não existia, tinham porém um público fiel entre os moradores das redondezas que normalmente lotavam suas sessões, fossem elas vesperais ou soirees.”
“Era uma forma que pessoas de baixos recursos financeiros dispunham para poder assistir também aos filmes exibidos nos cinemas lançadores, cujos preços eram bem mais caros, embora com algumas semanas de atraso.”
“Apesar de quase todos eles disporem em média de mil lugares, nos fins de semana, por falta de opção ou imaginação, multidões de adultos e crianças compareciam lotando as matinês desses cinemas. Por ser o meio de diversão mais barato, chegavam a lotar muitas vezes as salas de projeção acima do limite, forçando muitos a se sentarem no chão ou nos degraus das escadas. A programação destas matinês era quase sempre voltada para o gosto das crianças, com a exibição de um ou mais westerns, capítulos de seriado, comédias, policiais ou uma nova aventura de Tarzan. Quem conseguia entrar, depois de agüentar uma fila quilométrica para comprar o ingresso, não parecia se importar muito com as lamentáveis condições de muitas dessas casas de espetáculos. O que valia mesmo era ver como o “mocinho”, amarrado nos trilhos pelo vilão no episódio anterior, iria se salvar do trem que vinha em disparada.”
“Paralelamente a satisfação que nos causava assistir os westerns e seriados durante as matinês, estava o comércio de “gibis”, que acontecia nas portas desses cinemas, momentos antes do início da sessão. A garotada já sabia que além do dinheiro para o ingresso, tinha que sobrar alguns tostões para os gibis.”
“Tudo isso pode parecer excêntrico para as crianças de hoje que cresceram assistindo televisão e filmes de DVD em casa, mas naquela época, a grande opção de diversão da garotada era mesmo os faroestes e filmes seriados.”
“Para uma família da classe média ir aos grandes e luxuosos cinemas do centro de São Paulo, nos anos 40, o pai colocava terno e gravata (obrigatórios para a entrada em determinados cinemas) e a mãe colocava um dos seus melhores vestidos. A criançada já ficava pronta e entusiasmada com a idéia de ver os desenhos animados que precediam os filmes. Depois do cinema, a família passeava no centro da cidade, para ver vitrines de lojas e tomar sorvete, antes de voltar para casa. Este ritual se repetia varias vezes durante o mês. Segundo estatísticas da época, o paulistano ia ao cinema pelo menos 15 vezes ao ano.”
“Muitos cinemas do centro da cidade funcionavam com seis sessões diárias: às 12, 14, 16, 18, 20 e 22 horas. Com cartazes luminosos e letreiros fulgurantes, as salas de exibição daquele tempo tinham uma concepção quase hollywoodiana, além de serem bem maiores. Quase todos tinham capacidade para acomodar mais de mil espectadores. O “Paissandu” tinha, mais ou menos, dois mil lugares e o cine “Universo”, que nem era no centro, tinha mais de quatro mil. Eram cinemas lançadores, freqüentados por grande parte da elite paulistana e ficavam no centro da cidade, numa zona conhecida como a Cinelândia.”
“Mas não era só na capacidade que os cinemas de antigamente eram diferentes. Muitos deles tinham no seu interior estátuas e espelhos, além da bela arquitetura e muito conforto. Infelizmente hoje em dia eles só existem na memória de seus ex-freqüentadores.”
Trechos do capítulo “Os Cinemas” do livro “No tempo das matinês – Emoções no cinema de bairro”, de Diamantino da Silva, Umberto Losso e Kendi Sakamoto Editora Laços – 2007
Para adquirir este livro, entre em contato com Kendi Sakamoto - E-mail: kendi.sakamoto@mandic.com.br Telefone: (11) 8175.5288
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BIBLIOGRAFIA DO BLOG

PRINCIPAIS FONTES DE PESQUISA

1. Arquivos institucionais e privados

Bibliotecas da Cinemateca Brasileira, FAAP - Fundação Armando Alvares Penteado e Faculdade de Arquitetura e Urbanismo - Mackenzie.

2. Principais publicações

Acervo digital dos jornais Correio de São Paulo, Correio Paulistano, O Estado de S.Paulo e Folha de S.Paulo.

Acervo digital dos periódicos A Cigarra, Cine-Reporter e Cinearte.

Site Arquivo Histórico de São Paulo - Inventário dos Espaços de Sociabilidade Cinematográfica na Cidade de São Paulo: 1895-1929, de José Inácio de Melo Souza.

Periódico Acrópole (1938 a 1971)

Livro Salões, Circos e Cinemas de São Paulo, de Vicente de Paula Araújo - Ed. Perspectiva - 1981

Livro Salas de Cinema em São Paulo, de Inimá Simões - PW/Secretaria Municipal de Cultura/Secretaria de Estado da Cultura - 1990

FONTES DE IMAGEM

Periódico Acrópole - Fotógrafos: José Moscardi, Leon Liberman, P. C. Scheier e Zanella.

Acervos particulares de Luiz Carlos Pereira da Silva, Caio Quintino e Ivani Cury.

PRINCIPAIS COLABORADORES

Luiz Carlos Pereira da Silva e João Luiz Vieira.

OUTRAS FONTES: INDICADAS NAS POSTAGENS.