Uma homenagem ao cine Comodoro

por Luigi Di Giuseppe
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De todas as lembranças desta grande cidade chamada São Paulo, uma em especial merece uma homenagem - o Comodoro Cinerama, localizado na Avenida São João, 1462, com o telefone 220.1636, o Comodoro ou como era carinhosamente chamado Cinerama, deixou muitas saudades e recordações.
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Meu primeiro registro foi uma notícia que vi um dia à noite no Jornal Nacional, informando que a exibição do filme Terremoto, na cidade de São Paulo, estava provocando estragos no edifício e em lojas próximas ao um cinema onde o filme estava sendo exibido. Aquilo por si me chamou muito a atenção e eu, nos meus 13 anos de idade, cheio de curiosidade comecei a investigar do que se tratava e prontamente coloquei toda a família para descobrir que cinema era aquele que podia causar tanto impacto. Logo descobri, numa 5ª feira nublada, às 10h30 da manhã, uma experiência inesquecível e jamais esquecerei de todos os seus momentos, desde a chegada, até a frente do cinema, a bilheteria, a entrega dos ingressos, as escadas, a bomboniere e finalmente a sala de exibição, monumental com suas poltronas brancas e uma imensa cortina vermelha que cobria a tela - era a minha primeira experiência com um filme em 70 mm e som estereofônico, além do efeito *Sensurround que o filme Terremoto apresentava. Assiste o filme surpreso com a tela composta de milhares de fios brancos que se curvava em frente à platéia e o som impecável, com riqueza de detalhamento entre graves e agudos. A verdade era que o filme não era tão bom, mesmo para a época do cinema catástrofe, mas o cinema sem dúvida era o máximo. Depois passei a freqüentá-lo constantemente, os filmes muitas vezes exclusivos demoravam a sair de exibição, o próprio filme Terremoto foi exclusivo e ficou em cartaz por quase 10 meses.
______________ Pôster americano do filme "Terremoto" (1974)

Vale registrar as exibições, antes da reforma e após a mesma, e também o empenho dos esquecidos operadores de projetores, porque no Comodoro Cinerama, os operadores faziam um espetáculo a parte, dando alguns sustos na platéia. O leão da “Metro” rugindo e a vinheta da “Cinema Internacional Corporation” tinham um "tempero especial".

Os filmes que o Comodoro eternizou: E o Vento Levou, 2001 – Uma Odisséia no Espaço (insuperável), Fuga no Século 23 (experiência sonora que levou o prêmio Oscar), Estação Polar Zebra, Grease – Nos Tempos da Brilhantina, Aeroporto 77, A Ilha do Adeus, Tron, Os Caçadores da Arca Perdida, A Filha de Ryan, Pânico na Multidão, Terror na Montanha Russa (outra experiência em Sensurround), O Enigma da Pirâmide, De Volta Para o Futuro, Drácula (com Frank Langella), A Música Não Pode Parar, Sargent Pepper (com Bee Gees, filme que reinaugurou o Cinerama e que foi divulgado no programa do Chacrinha), Top Gun, Rocky 4, Isto É Hollywood, E. T. – O Extra-Terrestre, Fama, Evita (o último filme a ser exibido, já sem o glamour de 70 mm), Poltergeist, Xanadu, Duna, Pink Floyd – The Wall, Cinzas no Paraíso (fotografia belíssima), Os Canhões de Navarone, Ben Hur, Os Dez Mandamentos, entre outros.
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Fica aqui uma homenagem ao Comodoro Cinerama, a todos aqueles que tiveram oportunidade de conhecê-lo e aos que lá trabalharam. Bons tempos que não voltam mais.
Texto publicado no site http://www.saopaulominhacidade.com.br/
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*Sensurround - Terremoto foi o primeiro filme a ser apresentado em "Sensurround", um esquema especial de alto-falantes de baixa freqüência que era emprestado pelos distribuidor do filme. O sistema, que pode ser considerado o "avô do subwoofer", era tão poderoso, que em alguns cinemas chegava a trincar o reboco. O sistema só era usado nas cenas em que o terremoto estava acontecendo. O sistema "Sensurround" foi empregado, apenas, em outros três filmes lançados pela Universal: Midway (1976), Rollercoaster (1977), e no lançamento de Battlestar Galactica (1979).

Cine-teatro Paramount, agora Teatro Renault

O Cine-teatro Paramount abriu suas cortinas pela primeira vez em 1929, na Bela Vista, o "bairro dos teatros de São Paulo". Construído pelo engenheiro Arnaldo Maia Lello, foi o primeiro local a exibir filmes falados na América Latina. Desta época, o local herdou seu inconfundível estilo arquitetônico e todo o charme de uma das décadas de maior efervescência cultural do país. Nas décadas de 40 e 50 foi considerado o "palácio encantado", símbolo do glamour da sociedade paulista da época.
___________ Foto antiga da fachada do Cine-teatro Paramount
Nos anos 60, o Teatro Paramount abrigou bailes de Carnaval e apresentações de muitos programas de TV, como "Fino da Bossa", "Show do Dia 7", "Jovem Guarda", "Festival da Record", "A Frente Única da Música Brasileira", e muitos outros.
Um incêndio em 1969 destruiu parcialmente o lugar. Da construção original restaram o foyer e a fachada. O teatro foi reconstruído e subdividido em cinco espaços, sendo três pequenas salas de projeção no térreo e duas salas de cine-teatro no nível superior. Na década de 80, foi tombado pela Prefeitura de São Paulo como patrimônio histórico. Mas nos anos 90, filmes pornôs e mesmo peças adultas e infantis não impediram a decadência do teatro que fechou suas portas em 1996.
Recentemente, o Paramount foi reformado com projeto de Aflalo & Gasperini Arquitetos. A platéia, o palco e o subsolo foram demolidos e reconstruídos, mas sem descaracterizar o antigo cine-teatro. Da concepção original sobraram o foyer e a fachada, ambos em estilo art nouveau. Foram incorporados ao projeto uma área de merchandising, um bar e banheiros voltados para o foyer, tanto no nível térreo quanto no mezanino.
____________ Interior do Teatro Renault
Após as reformas, o Paramount, agora Teatro Abril, possui uma área total de 5.532 m2 e capacidade de 1552 espectadores, sendo 489 lugares no balcão, 104 nos camarotes e 959 na platéia. O foyer e a fachada foram tombados pelo CONPRESP (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de SP) pelo grande valor cultural e arquitetônico.
O prédio anexo foi incorporado ao teatro. Nele funciona a bilheteria, loja para venda de camisetas e souvenires e cafeteria, que estará aberta ao público diariamente entre as 9h e às 19h, quando não houver espetáculo, e até mais tarde em dias de apresentação.
Av. Brigadeiro Luis Antonio, 411 - São Paulo - SP - 01317-010

Tributo a grandes profissionais da exibição dos anos de 1940 - Diretores

Do periódico "Cine Reporter", de 26/06/1948.

Antonio Barone - Diretor da Empresa Cinematográfica Barone - Principais cinemas: Recreio, Pedro II e Santa Helena.

J. B. Andrade (filho do, também, exibidor Marcolino de Andrade, falecido em 1924) - Dono de cinemas na Capital, Campinas, Piracicaba, Limeira e Santos - Principais cinemas na Capital: Bandeirantes, Ipiranga, Cruzeiro e Piratininga.


Lucidio Calió Ceravolo - Diretor-superintendente da Empresa Paulista Cinematográfica, sócio de Paulo Sá Pinto - Principais cinemas: Marabá, Ritz São João e Ritz Consolação. Sócio, também, dos cines Sammaroni e Sabará.

Nicolino Taddeo - Diretor da Empresa Nicolino Taddeo - Principais cinemas: Sabará, Rex, Gloria, Iris, Oberdan, Ideal, Espéria e Carrão.

Paulo Sá Pinto - Diretor da Empresa Paulista Cinematográfica, sócio de Lucidio C. Ceravolo (cines Marabá, Ritz São João e Ritz Consolação) e Empresa Paulistana de Cinemas (cines Avenida, São José e Moderno). 
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BIBLIOGRAFIA DO BLOG

PRINCIPAIS FONTES DE PESQUISA

1. Arquivos institucionais e privados

Bibliotecas da Cinemateca Brasileira, FAAP - Fundação Armando Alvares Penteado e Faculdade de Arquitetura e Urbanismo - Mackenzie.

2. Principais publicações

Acervo digital dos jornais Correio de São Paulo, Correio Paulistano, O Estado de S.Paulo e Folha de S.Paulo.

Acervo digital dos periódicos A Cigarra, Cine-Reporter e Cinearte.

Site Arquivo Histórico de São Paulo - Inventário dos Espaços de Sociabilidade Cinematográfica na Cidade de São Paulo: 1895-1929, de José Inácio de Melo Souza.

Periódico Acrópole (1938 a 1971)

Livro Salões, Circos e Cinemas de São Paulo, de Vicente de Paula Araújo - Ed. Perspectiva - 1981

Livro Salas de Cinema em São Paulo, de Inimá Simões - PW/Secretaria Municipal de Cultura/Secretaria de Estado da Cultura - 1990

FONTES DE IMAGEM

Periódico Acrópole - Fotógrafos: José Moscardi, Leon Liberman, P. C. Scheier e Zanella.

Acervos particulares de Luiz Carlos Pereira da Silva, Caio Quintino e Ivani Cury.

PRINCIPAIS COLABORADORES

Luiz Carlos Pereira da Silva e João Luiz Vieira.

OUTRAS FONTES: INDICADAS NAS POSTAGENS.