24/09/2007

O Comodoro deixou saudades

Texto de "O cri-crítico" ( jornalista do jornal "O Estado de S. Paulo", que escreve para o suplemento "Guia", críticas bem-humoradas sobre cinema )

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É pena que São Paulo não tenha mais uma telona como aquela. “Isto é Cinerama, o sistema que revolucionou o mundo das diversões”, dizia a propaganda abaixo de sua marquise, quando o cinema foi inaugurado no final dos anos 50. Três projetores que simultaneamente formavam uma imagem gigantesca. Marcou muito a minha infância. Quando meus pais me levavam para ver filme lá – não era qualquer filme, só em ocasiões especiais, talvez pelo preço do ingresso, que, se me lembro bem, era um pouco mais caro do que em outras salas – eu achava tão divertido quanto ir a um parque de diversões. Acho que era necessário comprar ingresso com antecedência. Ou seja, era um evento, mais que um reles passeio. Já tinha poltrona numerada, algo que voltou como novidade em 2006. Era o único cinema que quanto mais perto da tela melhor, por causa da curvatura dela – não me lembro de quantos graus. Antes de a sessão começar, a tela ficava atrás de uma cortina vermelha, como em um teatro. Dava a sensação de que, quando abrissem, o próprio King Kong estaria lá ao vivo. Ir ao cinema hoje é como ir a uma lanchonete fast-food. Estamos carentes de cinemas-parques de diversão. Lembro-me do último que assisti lá: “De Volta para o Futuro 2”, quando a sala já acompanhava a decadência da região. Revi o filme outro dia na televisão. Bateu uma nostalgia. Nunca será tão divertido como na telona do Cinerama.
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Texto redigido, exclusivamente, para este blog.

07/09/2007

Primeiras projeções da história do cinema

Por Guido Bilharinho (Poeta, ensaísta, advogado e editor - Foi editor da revista internacional de poesia “Dimensão” " e da revista “Convergência” da Academia de Letras do Triângulo Mineiro. Autor de diversos livros sobre cinema, como “O Cinema de Bergman, Fellini e Hitchcock”, “Os Clássicos do Cinema Mudo”, “Cem Anos de Cinema”, entre outros. É membro da Academia de Letras do Triângulo Mineiro, da qual foi presidente. Seu Blog e e-mail )
“Para quem gosta de cinema (e salas de cinema), é interessante ficar sabendo como a Sétima Arte foi criada. O texto de Guido Bilharinho é excelente e resumido, se tornando uma agradável e curiosa leitura.” – Antonio Ricardo Soriano
Evolução dos experimentos mecânicos
A invenção do cinema (6.000 a.C. – 1895)
Das Sombras Chinesas ao Cinematógrafo Lumière
O ato de captar, reter e transmitir a imagem em movimento não constitui obra de um momento. Como qualquer invenção, representa não o início, mas, o ápice e o término de longo processo. Muitos séculos de buscas e experimentos, em vários países, confluem para o nascimento do cinema, em 1895.
As sombras chinesas
__________ Os primeiros espetáculos visuais foram as sombras chinesas obtidas originalmente com as mãos e pequenos acessórios
Desde as manifestações das sombras chinesas ao cinematógrafo dos irmãos Lumière percorrem-se não séculos, mas, milênios. Mas, lá, nessa temporalmente longínqua prática, encontra-se a primeira e exitosa tentativa de apreender, transmitir e dar significado ao movimento em seu fluxo natural. Desde 6.000 (seis mil) anos a.C., os chineses e depois os javaneses e indianos utilizam-se - em diversões, ritos e na arte bélica - de espetáculos, consistentes em sombras de pessoas, animais e coisas movimentando-se sobre iluminada parede branca. Atualmente, mesmo que possam a considerar rudimentar, a técnica empregada nas sombras chinesas permaneceu insuperável até o século XIX.
Período Helenístico (séc. III a.C. a séc. II d.C.)
No longo caminho para a criação do cinema, novo passo relevante consiste nos experimentos ópticos levados a efeito pelos cientistas gregos Euclides (séc. III a.C.), Arquimedes (287-212 a.C.) e Ptolomeu (90-168 d.C.).
O princípio da câmara escura de Da Vinci (séc. XV)
Leonardo Da Vinci (1452-1519) é considerado o primeiro ser humano a ter noção completa do fenômeno cinematográfico. Seu princípio da câmara escura, enunciado no “Codex Atlanticus”, representa considerável contribuição para a futura criação do cinema, já contendo referências ao relevo e à cor.
A câmara escura de Della Porta (séc. XVI)
__________ Gravura antiga que reproduz uma câmara escura: através de lentes e espelhos, as imagens externas são projetadas dentro da sala
O físico italiano Giambattista Della Porta (1535-1615), contemporâneo de Shakespeare (1564-1616), com base no enunciado de Da Vinci, constrói a câmara escura, que torna possível a fotografia e o cinema.
A lanterna mágica de Kirscher (séc. XVII)
__________________ Lanterna mágica marca "Lapierre"
Atribui-se ao jesuíta alemão Athanasius Kirscher (1601-1680), a construção da lanterna, que deriva e é uma inversão da câmara escura. Enquanto nesta, as imagens são projetadas de dentro para fora, naquela o são de fora para dentro. Torna-se a lanterna uma diversão popular.
O fantascópio de Robertson (séc. XVIII)
_____________________________ Robertson com seu fantascópio aperfeiçoou a lanterna mágica, inclusive dando-lhe movimentos e fazendo fusões de imagens
O físico belga Robertson, valendo-se da câmara escura de Della Porta e da lanterna mágica de Kirscher, inventa o fantascópio, criando os "espetáculos de fantasmagorias".
Multiplicação das invenções (séc. XIX)
O que se desenvolve lentamente no passar dos séculos, às vezes com enormes hiatos, acelera-se consideravelmente no século XIX. Inúmeros inventos e aperfeiçoamentos são, então, criados e efetuados, confluindo, finalmente, no cinema. Entre outros, citam-se:
1- Fenacistocópio ou Fenaquisticópio (entre 1828 e 1832), do belga Joseph Plateau (1801-1883), um dos primeiros cientistas a estudar a persistência retínica da imagem, donde deduz que para uma série de imagens fixas dar a impressão de movimento é necessário que se sucedam no ritmo de dez imagens por segundo.
Fenaquisticópio
2- Estroboscópio (entre 1828 e 1832), do austríaco Simon Von Stampfer (1792-1864), semelhante ao aparelho de Plateau.
3- Zootrópio (1834), do britânico William George Horner (1786-1837), construído a partir do fenacistoscópio, mas, já apresentando certos avanços.
Zootrópio
4- Fotografias do Movimento, do britânico Eadweard Muybridge (1830-1904), que tirou fotografias instantâneas de um cavalo correndo. Ele dispôs 24 câmeras alinhadas, uma ao lado da outra, em uma pequena extensão de uma pista de corrida. Através de cordões esticados - ligados ao obturador de cada câmera - o cavalo sucessivamente rompia cada cordão, disparando os obturadores.
__________ As primeiras fotografias do movimento feitas com sucesso
5- Revólver Astronômico (1864), do francês P. J. Janssen, construído sob o influxo do "revólver" inventado, em 1830/35, pelo norte-americano Samuel Colt (1814-1862), fotografando praticamente sem solução de continuidade um eclipse do sol.
6- Fuzil Fotográfico, do médico francês Étienne Jules Marey (1830-1904), baseado no princípio do revólver de Janssen, registrando 12 imagens por segundo.
7- Fuzil Fotográfico aperfeiçoado, na Grã-Bretanha, pelo francês L. A. Auguste Leprince (1842-1890), com utilização, pela primeira vez, de películas perfuradas.
8- Praxinoscópio (1877), do francês Émile Reynaud (1844-1918), que se serve das películas de celulóide perfuradas lateralmente e engrenadas nos dentes do aparelho. É considerado, por isso, o inventor do filme cinematográfico, patenteado em 1888.
__________ Reynaud mostrando no praxinoscópio o seu Teatro Ótico, onde apresentava as "pantoninas luminosas" com bandas pintadas em celulóide
9- Fonoscópio, criado em 1891 pelo francês Georges Demeny, reconstituindo, pela primeira vez, os movimentos de uma pessoa falando.
10- Cinetógrafo (inventado em 1889 e apresentado ao público em 1891) e Cinetoscópio (apresentado ao público em 1894), do norte-americano Thomas Alva Edison (1847-1931). A importância desses aparelhos, aliados ao * fonógrafo, outro invento de Edison, com o qual, conjugado ao cinetoscópio, já pretende sincronizar voz e imagem, levam muitos estudiosos do assunto a considerá-lo o inventor do cinema.
____________________ Thomas A. Edison, após inventar o fonógrafo, inventou o filme projetado para fazer a imagem acompanhar a música. Preocupado com o problema da comercialização do invento, fechou o cinema numa caixa para visão individual, com caça-níqueis, criando assim o seu cinetoscópio. Na imagem, esquema de funcionamento de um cinetoscópio
__________ Salão de exibição de cinetoscópios em San Francisco, 1899
11- Contribuições paralelas. Não só na invenção de aparelho destinado a capturar a imagem em movimento reside à criação do cinema. Inúmeras experiências e descobertas em outras áreas são também fundamentais e indispensáveis. Nesse sentido, é de se lembrar, principalmente: a) pesquisas e estudos efetuados e conhecimentos obtidos em fotoquímica e fisiologia, nesta porque o processo fílmico assemelha-se ao olho humano; b) invenção da fotografia, elemento primário da realização fílmica, procedida, em 1822, pelo francês Nicéphore Niepce (1795-1833), ao fixar numa chapa de metal a primeira imagem fotográfica depois de nove horas de exposição, tempo reduzido posteriormente pelo também francês Louis Jacques Mande Daguerre (1789-1851), para meia-hora e ainda menos tempo com a invenção do daguerreótipo, gravando-se a imagem a vapor de mercúrio. Em 1851, R. L. Maddox descobre a fotografia instantânea com o uso de gelatino-brometo, sem o que também não seria possível o cinema; c) película de celulóide perfurada, inventado pelo norte-americano George Eastman (1854-1932), em 1884.
A invenção do cinema
O momento final dessa evolução e desses experimentos (e inicial de uma nova era), ou seja, o da invenção do cinema, é questão um tanto tormentosa.
Para os norte-americanos, seu inventor é Thomas Edison , porque a 22 de maio de 1891, antes, pois, de qualquer outro, apresenta publicamente o cinetoscópio, inventado em 1888. E, porque, a 14 de abril de 1894, no Kinetoscope Parlor, na Broadway, é realizada a primeira sessão pública paga. Ou, ainda, porque, a 20 de maio de 1895, em Nova York, é efetuada a projeção de um filme de boxe de quatro minutos.
Para os segundos, o invento é alemão, porque, a 1º de novembro de 1895, ocorre, em Berlim, uma sessão cinematográfica também pública e paga, organizada por Max e Emil Skaladanowski, utilizando o bioskop, aparelho de sua invenção, antecedência esta reconhecida e registrada por Georges Sadoul no “Dictionnaire dês Cinéastes”.
Para os últimos, a glória é francesa, porque, além do cinematógrafo dos Lumière, o também francês e aperfeiçoador do fuzil fotográfico, Louis Aimé Auguste Leprince, em novembro de 1888, filma, em Leeds, na Grã-Bretanha, o jardim da residência de seu sogro.
O cinematógrafo
________________ Auguste e Louis Lumière, os inventores oficiais do cinema
Finalmente, como decorrência, síntese e evolução de todos esses e, segundo se calcula, outros mais de 100 (cem) experimentos, tentativas e conquistas, surge, em 1895, o cinematógrafo, dos irmãos Louis (1864-1948) e Auguste (1862-1954) Lumière, considerados os inventores do cinema. Os Lumière, Louis e Auguste, trabalharam, secretamente, na indústria do pai, em Lyon, em seu projeto, a partir, principalmente, das conquistas efetuadas por Edison, as mais avançadas até então.
No ano mais marcante da história do cinema, 1895, patenteiam seu invento, a 13 de fevereiro. Promovem, a 22 de março, sua primeira sessão cinematográfica, na Societé d’Encouragement à l’Industrie Nationale, dando a luz, nessa ocasião, ao filme “La Sortie dês Usines Lumière”. Realizam, nos meses seguintes, diversas exibições desse e de outros filmes, em associações e congressos científicos. Finalmente, no dia 28 de dezembro, promovem sua primeira e histórica sessão pública paga, no subsolo do Grand Café, sito no Boulevard dês Capucines, 14, Paris, data e lugar oficiais do nascimento do cinema. Entre os presentes, Georges Meliès. Na oportunidade exibem 10 (de) filmes, realizados por Louis Lumière, nenhum deles ultrapassando a duração de 2 (dois) minutos, mas, todos de importância histórica e estética absolutamente não antevista ou imaginada por seu realizador.
A reação, como não poderia deixar de ser, é, mais do que qualquer outra coisa, de excitação, como registra a história, sem no entanto, passar despercebido, no mesmo momento da projeção, o alcance do novo invento pelo jornalista Louis Forest, ao dizer para uma artista a seu lado que zomba do que considera brinquedo de feira: “assistimos a um dos mais extraordinários momentos da humanidade: encontraram o idioma universal”.
Parte do texto do capítulo “Evolução dos experimentos mecânicos – A invenção do Cinema (6.000 a.C. – 1895)” do livro “Cem anos de Cinema”, de Guido Bilharinho - Instituto Triangulino de Cultura - Uberaba - MG - 1996. Publicação autorizada pelo autor.
* Fonógrafo - Thomas Alva Edison inventou, em 1877. o fonógrafo. Aparelho capaz de gravar informações sonoras em um cilindro que girava em torno de seu próprio eixo. Uma espécie de estilete fazia sulcos nesse cilindro, correspondentes às vibrações sonoras, o que permitia reproduzir esses sons posteriormente. Em 6 de dezembro de 1877, fez uma gravação de si mesmo recitando "Maria Tinha um Cordeirinho" que existe até hoje. Seu primeiro fonógrafo, chamado por ele de "máquina falante", era movido por uma manivela, mas o ritmo do som era tão inconstante que, em 1878, ele construiu um outro aparelho com motor elétrico. Em 1886, ele desenvolveu um modelo melhorado de fonógrafo em parceria com Charles Summer Tainter (1854-1940) e Chichester Bell, primo de Alexander Graham Bell, o inventor do telefone e das gravações em cera do fonógrafo de Edison.
Para quem quiser se aprofundar no tema "história do cinema", segue abaixo algumas dicas de livros:
Do Cinetoscópio ao Cinema Digital - Breve História do Cinema Americano – Autor: A. C. Gomes de Mattos – Editora: Rocco
Vocês Ainda Não Ouviram Nada – Autor: Celso Sabadin – Editora: Lemos Editorial
A Grande Arte da Luz e da Sombra: Arqueologia do Cinema - Autor: Laurent Mannoni -Tradução de Assef Kfouri - Editora: Senac São Paulo
Cem Anos de Cinema - Autor: Guido Bilharinho - Editora: Instituto Triangulino de Cultura

05/09/2007

Livro: No tempo das matinês – Emoções no cinema de bairro

Este livro tem como propósito principal apresentar um relatório feito por dois amigos. Embora só viessem a se conhecer na fase adulta, em suas infâncias e juventude, porém, comungaram das mesmas emoções, que as matinês proporcionavam no final dos anos 30 até meados dos anos 50.
O doce hábito da matinê
“No decorrer dos anos 40, principalmente os cinemas de bairro (chamados de poeiras), que ofereciam aos domingos e feriados sessões vesperais, também conhecidas como matinês, viviam seus momentos de glória. A cada ano que passava novas salas eram inauguradas, para se juntar as já existentes nos mais diversos pontos da cidade de São Paulo. Estes cinemas, bem mais modestos, com poltronas de madeira, cujo sistema de ventilação e renovação de ar não existia, tinham porém um público fiel entre os moradores das redondezas que normalmente lotavam suas sessões, fossem elas vesperais ou soirees.”
“Era uma forma que pessoas de baixos recursos financeiros dispunham para poder assistir também aos filmes exibidos nos cinemas lançadores, cujos preços eram bem mais caros, embora com algumas semanas de atraso.”
“Apesar de quase todos eles disporem em média de mil lugares, nos fins de semana, por falta de opção ou imaginação, multidões de adultos e crianças compareciam lotando as matinês desses cinemas. Por ser o meio de diversão mais barato, chegavam a lotar muitas vezes as salas de projeção acima do limite, forçando muitos a se sentarem no chão ou nos degraus das escadas. A programação destas matinês era quase sempre voltada para o gosto das crianças, com a exibição de um ou mais westerns, capítulos de seriado, comédias, policiais ou uma nova aventura de Tarzan. Quem conseguia entrar, depois de agüentar uma fila quilométrica para comprar o ingresso, não parecia se importar muito com as lamentáveis condições de muitas dessas casas de espetáculos. O que valia mesmo era ver como o “mocinho”, amarrado nos trilhos pelo vilão no episódio anterior, iria se salvar do trem que vinha em disparada.”
“Paralelamente a satisfação que nos causava assistir os westerns e seriados durante as matinês, estava o comércio de “gibis”, que acontecia nas portas desses cinemas, momentos antes do início da sessão. A garotada já sabia que além do dinheiro para o ingresso, tinha que sobrar alguns tostões para os gibis.”
“Tudo isso pode parecer excêntrico para as crianças de hoje que cresceram assistindo televisão e filmes de DVD em casa, mas naquela época, a grande opção de diversão da garotada era mesmo os faroestes e filmes seriados.”
“Para uma família da classe média ir aos grandes e luxuosos cinemas do centro de São Paulo, nos anos 40, o pai colocava terno e gravata (obrigatórios para a entrada em determinados cinemas) e a mãe colocava um dos seus melhores vestidos. A criançada já ficava pronta e entusiasmada com a idéia de ver os desenhos animados que precediam os filmes. Depois do cinema, a família passeava no centro da cidade, para ver vitrines de lojas e tomar sorvete, antes de voltar para casa. Este ritual se repetia varias vezes durante o mês. Segundo estatísticas da época, o paulistano ia ao cinema pelo menos 15 vezes ao ano.”
“Muitos cinemas do centro da cidade funcionavam com seis sessões diárias: às 12, 14, 16, 18, 20 e 22 horas. Com cartazes luminosos e letreiros fulgurantes, as salas de exibição daquele tempo tinham uma concepção quase hollywoodiana, além de serem bem maiores. Quase todos tinham capacidade para acomodar mais de mil espectadores. O “Paissandu” tinha, mais ou menos, dois mil lugares e o cine “Universo”, que nem era no centro, tinha mais de quatro mil. Eram cinemas lançadores, freqüentados por grande parte da elite paulistana e ficavam no centro da cidade, numa zona conhecida como a Cinelândia.”
“Mas não era só na capacidade que os cinemas de antigamente eram diferentes. Muitos deles tinham no seu interior estátuas e espelhos, além da bela arquitetura e muito conforto. Infelizmente hoje em dia eles só existem na memória de seus ex-freqüentadores.”
Trechos do capítulo “Os Cinemas” do livro “No tempo das matinês – Emoções no cinema de bairro”, de Diamantino da Silva, Umberto Losso e Kendi Sakamoto Editora Laços – 2007
Para adquirir este livro, entre em contato com Kendi Sakamoto - E-mail: kendi.sakamoto@mandic.com.br Telefone: (11) 8175.5288

Salas de cinema do centro de São Paulo: decadência e esperança

por Antonio Ricardo Soriano
Decadência
Quase todos os cinemas do centro de São Paulo foram desativados, ou simplesmente transformados em estacionamento, templo religioso ou cinema pornô e tudo isso começou nos anos 70. As pessoas começaram a evitar o centro de São Paulo, devido à violência, o trânsito ruim, a condução precária e a população marginal das ruas. Não valeria a pena dizer muito ou criticar o porquê de tanta decadência.
Resistência
Contudo, devemos admirar a indústria, as distribuidoras cinematográficas e os proprietários dos atuais cinemas, pois resistiram à invasão e o desenvolvimento da televisão e, recentemente, dos dvd’s.
“Shoppings de Cinema”
O que temos hoje, em diversas regiões de São Paulo, principalmente em shoppings, é uma enorme quantidade de salas de cinema (Multiplex*). As salas são confortáveis e equipadas com muita tecnologia. Mas mesmo assim nenhuma sala de cinema se compara, por exemplo, com a sala de exibição do extinto Cine Comodoro Cinerama, que tinha quase 1000 lugares, tela gigante e som maravilhoso.

Nem tudo está perdido!

Brevemente, teremos em São Paulo, na região da Pompéia, a inauguração do Bourbon Shopping, que trará a 1ª sala de cinema IMAX, que tem o sistema cinematográfico mais avançado e de maior precisão do mundo, isto é, incomparáveis projeções em 3D em tela gigantesca, além de 12.000 watts de som surround de seis canais.
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Sala de cinema da Galeria Olido

O cine Olido, que tinha três salas de exibição, foi reformulado e reformado pela Secretaria Municipal de São Paulo. A Galeria Olido agora é um centro cultural com uma sala de exposições, uma de teatro e outra de cinema.

O cine Marabá já está sendo reformado pela exibidora Playarte. Os 1655 lugares deste antigo cinema darão lugar a cinco salas menores, no sistema Multiplex*.

O luxuoso Marrocos, fechado há mais de 10 anos, provavelmente, poderá ser reformado pela maior rede de cinemas do Brasil, o Cinemark. Este enorme cinema deverá ser desmembrado em cinco salas menores, no sistema *Multiplex. O projeto da empresa prevê a preservação de sua imponente área de entrada. 

Recentemente, a Buena Vista Filmes e a grife de moda Diesel, reabriram o Marrocos e promoveram, com uma festa, o lançamento do filme “Sin City – A Cidade do Pecado”. Equipamentos de última geração foram instalados e garantiram a qualidade da projeção.
E na região da Paulista?

Os cinéfilos da região foram beneficiados com a inauguração do Reserva Cultural 900. No local do antigo cine Gazeta, o novo centro cultural, tem quatro salas de cinema, auditório e café. Além disso, o Cinearte, o Bristol, o Belas Artes e o Espaço Unibanco de Cinema, foram totalmente reformados.

* Multiplex - Os "shoppings de cinema", ou centros de cinema - com 8 a 14 salas de exibição - também são chamados de Centros de Exibição Cinematográfica Multiplex (Cecm). As inovações que este conceito de cinema traz não se limitam ao número de salas, mas também à qualidade de som e imagem. As telas são grandes e o sistema de projeção utiliza equipamentos automáticos de última geração, controlando, inclusive, as luzes das salas. A rede Cinemark foi a primeira a abrir um Multiplex no país, em São José dos Campos, em 97.

ACESSE O BANCO DE DADOS

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