CINUSP "Paulo Emílio" - Cinema da Universidade de São Paulo


Fundado em 1993, o CINUSP "Paulo Emílio" - Órgão vinculado à Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária da Universidade de São Paulo, procura disseminar a cultura cinematográfica e veicular conhecimentos através de diversas atividades de extensão, entre elas, a realização de mostras temáticas tendo em vista a formação de público dentro da universidade e a complementação da formação profissional dos estudantes, sobretudo de cinema.
Embora varie a programação, o CINUSP realiza sessões regulares de segunda a sexta, às 16h e 19h, além de palestras, seminários e a co-realização de mostras e eventos ligados à atividade cinematográfica, em parceria com outras instituições públicas ou privadas.
PAULO EMÍLIO
Paulo Emílio Salles Gomes (1916-1977) foi escritor, critico e professor de cinema da Universidade de São Paulo. Fundou o Clube de Cinema da Faculdade de Filosofia da USP nos anos 40 e foi o responsável pela direção da filmoteca do MASP e pela sua posterior transformação na Cinemateca Brasileira. Em 1965 fez parte do grupo que implantou um dos primeiros Cursos de Cinema no Brasil, o da Universidade de Brasília. Após seu fechamento volta para São Paulo e, em 1967, ajuda a implantar o curso de Cinema na Universidade de São Paulo. Considerado um divisor de águas do pensamento cinematográfico no Brasil, Paulo Emílio configura-se como uma fundamental referência para a reflexão crítica da produção audiovisual brasileira.
A programação, cursos e atividades paralelas do Cinusp servem à comunidade e complementam a formação dos estudantes de comunicação e humanidades.
E-mail: cinusp@edu.usp.br
Telefone: (11) 3091 3540, das 09 às 17h
SALA DE EXIBIÇÃO
Rua do Anfiteatro, 181 - Colméia - Favo 04
Cidade Universitária, São Paulo/SP
Sessões de segunda a sexta, às 16h e 19h
Texto extraído do site oficial do CINUSP, onde podemos nos atualizar com toda a programação de filmes.

Os cinemas do bairro dos imigrantes italianos: Brás

por Antonio Ricardo Soriano
Teatro Colombo
Dentre os vários teatros e cine-teatros do Brás, merece destaque especial, o Teatro Colombo, que foi inaugurado em 19 de fevereiro de 1908 (há 100 anos atrás). Situava-se ele no Largo da Concórdia, e resultou da adaptação de um antigo mercado que havia no local. Sua lotação era de 1968 lugares, contando com 39 camarotes e 24 frisas. Além das cadeiras de platéia e de três arquibancadas havia também 260 lugares em pé.
Havia no Brás outros teatros como:
- o Brás Politeama, situado na Rua Celso Garcia nº. 55, considerado o maior teatro de São Paulo;
- o Mafalda na Rua Rangel Pestana nº. 150;
- o Theatro Olímpia, na Rua Rangel Pestana nº. 120;
- o Theatro Oberdan, o mais moderno e elegante teatro do Brás, que ficava na Rua Xavantes nº. 7 (Largo da Concórdia). Neste cine-teatro, na vesperal do dia 11 de agosto de 1938, durante a projeção do filme “O Criminoso do Ar”, diante da cena de um avião em chamas, alguém gritou: “Fogo!”, o que deu origem a um pânico geral, que provocou 37 mortes e dezenas de feridos, na maioria crianças.
Cine Oberdan
Estas salas de espetáculo do Brás não eram somente teatros, mas cine-teatros, intercalando-se períodos de temporadas teatrais com outros em que somente havia projeção de filmes, ou ainda temporadas mistas. Quando as sessões eram mistas, inicialmente havia a projeção dos filmes e depois o espetáculo teatral, seguido muitas vezes, aos sábados, de um baile que começava às 23 horas.
Estes cine-teatros aos poucos vão se transformando em cinema apenas, aos quais vão se acrescentar os cines Íris, Glória e o Piratininga (o maior cinema do Brasil).
Na década de 40 surgiram os cines Babilônia, Roxy e o Universo. Este último tinha um teto que se abria antes de começar a sessão, fazendo ver o céu.
O Colombo foi o único que permaneceu como teatro, mas no fim de seus dias era uma sala de espetáculos tipicamente de bairro, apresentando uma programação sem grande importância. O prédio, que já estava em mau estado, foi destruído por um incêndio em 1966.
Hoje em dia os cinemas e teatros de bairro desapareceram, e o Brás, como todo o resto da cidade, passa suas noites assistindo à televisão.
Fonte: Livro "Brás, Pinheiros, Jardins: três bairros, três mundos", de Ebe Reale Editora da USP - 1982
Mais informações sobre os cinemas do Brás (Clique aqui).

Um resumo da trajetória das salas de cinema na cidade de São Paulo

A primeira sessão de cinema no Brasil ocorreu na tarde do dia 8 de julho de 1896 em uma pequena loja da Rua do Ouvidor nº. 57, na capital do Rio de Janeiro. Um mês depois, na cidade de São Paulo, Georges Renouleau iniciou as apresentações públicas do *Cinematógrafo trazido de Paris. Exibidores ambulantes logo projetaram as fotografias animadas em teatros e salas improvisadas.
A partir de 1907, os cinemas ocupam prédios próprios localizados nas principais artérias das cidades brasileiras. No Rio, o Parisiense, Pathé e Odeon, entre outros, surgem na recém-inaugurada Avenida Central. O Bijou-Palace (primeira sala regular para projeção de filmes) assinala o início de uma série de salas que serão abertas no centro de São Paulo.
Entre as décadas de 20 e 50 são construídos imensos e luxuosos cinemas, cuja arquitetura está associada a concepção dos filmes produzidos nos estúdios de Hollywood que dominam o mercado exibidor brasileiro. Fachadas imponentes introduzem ambientes suntuosos, decorados com mármores, lustres, espelhos e tapetes. Nesses palácios do sonho, um ritual antecede a apresentação do espetáculo cinematográfico e reforça o clima de sedução: soa o gongo, a sala escurece lentamente e as cortinas se abrem. O filme complementa o espetáculo que começa na arquitetura do cinema.
Nos anos 60, a expansão da televisão acelera o declínio desses templos de ilusão, que chegaram ao Brasil acompanhando as produções norte-americanas. Muitos seriam demolidos na década seguinte. Restaram alguns vestígios e a memória de antigos freqüentadores que, junto com a emoção dos filmes, recordam o fascínio dos cinemas.
As salas atuais diferem dos palácios monumentais de outrora e não obedecem mais a um padrão estabelecido em consonância com determinado tipo de produção. São espaços menores, simples e funcionais – situados em galerias e shopping centers – que atraem os espectadores somente pelo filme em cartaz.
Texto extraído do periódico Filme Cultura (Publicação da Embrafilme), nº. 47, de Agosto de 1986.
* Cinematógrafo - Os irmãos Auguste e Louis Lumière idealizam o cinematógrafo em 1895. O aparelho – uma espécie de ancestral da filmadora – é movido a manivela e utiliza negativos perfurados, substituindo a ação de várias máquinas fotográficas para registrar o movimento. O cinematógrafo torna possível, também, a projeção das imagens para o público. O nome do aparelho passou a identificar, em todas as línguas, a nova arte (ciné, cinema, kino etc.). Auguste Lumière (1862-1954) e Louis Lumière (1864-1948) nascem em Besançon, na França. Filhos de um fotógrafo e proprietário de indústria de filmes e papéis fotográficos, eram praticamente desconhecidos no campo das pesquisas fotográficas até 1890. Após freqüentarem a escola técnica, realizam uma série de estudos sobre os processos fotográficos, na fábrica do pai, até chegarem ao cinematógrafo. Louis Lumière é o primeiro cineasta realizador de documentários curtos. Seu irmão Auguste participa das primeiras descobertas, dedicando-se posteriormente à medicina.
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BIBLIOGRAFIA DO BLOG

PRINCIPAIS FONTES DE PESQUISA

1. Arquivos institucionais e privados

Bibliotecas da Cinemateca Brasileira, FAAP - Fundação Armando Alvares Penteado e Faculdade de Arquitetura e Urbanismo - Mackenzie.

2. Principais publicações

Acervo digital dos jornais Correio de São Paulo, Correio Paulistano, O Estado de S.Paulo e Folha de S.Paulo.

Acervo digital dos periódicos A Cigarra, Cine-Reporter e Cinearte.

Site Arquivo Histórico de São Paulo - Inventário dos Espaços de Sociabilidade Cinematográfica na Cidade de São Paulo: 1895-1929, de José Inácio de Melo Souza.

Periódico Acrópole (1938 a 1971)

Livro Salões, Circos e Cinemas de São Paulo, de Vicente de Paula Araújo - Ed. Perspectiva - 1981

Livro Salas de Cinema em São Paulo, de Inimá Simões - PW/Secretaria Municipal de Cultura/Secretaria de Estado da Cultura - 1990

FONTES DE IMAGEM

Periódico Acrópole - Fotógrafos: José Moscardi, Leon Liberman, P. C. Scheier e Zanella.

Acervos particulares de Luiz Carlos Pereira da Silva, Caio Quintino e Ivani Cury.

PRINCIPAIS COLABORADORES

Luiz Carlos Pereira da Silva e João Luiz Vieira.

OUTRAS FONTES: INDICADAS NAS POSTAGENS.