Os cinemas do bairro dos imigrantes italianos: Brás

por Antonio Ricardo Soriano
Teatro Colombo
Dentre os vários teatros e cine-teatros do Brás, merece destaque especial, o Teatro Colombo, que foi inaugurado em 19 de fevereiro de 1908 (há 100 anos atrás). Situava-se ele no Largo da Concórdia, e resultou da adaptação de um antigo mercado que havia no local. Sua lotação era de 1968 lugares, contando com 39 camarotes e 24 frisas. Além das cadeiras de platéia e de três arquibancadas havia também 260 lugares em pé.
Havia no Brás outros teatros como:
- o Brás Politeama, situado na Rua Celso Garcia nº. 55, considerado o maior teatro de São Paulo;
- o Mafalda na Rua Rangel Pestana nº. 150;
- o Theatro Olímpia, na Rua Rangel Pestana nº. 120;
- o Theatro Oberdan, o mais moderno e elegante teatro do Brás, que ficava na Rua Xavantes nº. 7 (Largo da Concórdia). Neste cine-teatro, na vesperal do dia 11 de agosto de 1938, durante a projeção do filme “O Criminoso do Ar”, diante da cena de um avião em chamas, alguém gritou: “Fogo!”, o que deu origem a um pânico geral, que provocou 37 mortes e dezenas de feridos, na maioria crianças.
Cine Oberdan
Estas salas de espetáculo do Brás não eram somente teatros, mas cine-teatros, intercalando-se períodos de temporadas teatrais com outros em que somente havia projeção de filmes, ou ainda temporadas mistas. Quando as sessões eram mistas, inicialmente havia a projeção dos filmes e depois o espetáculo teatral, seguido muitas vezes, aos sábados, de um baile que começava às 23 horas.
Estes cine-teatros aos poucos vão se transformando em cinema apenas, aos quais vão se acrescentar os cines Íris, Glória e o Piratininga (o maior cinema do Brasil).
Na década de 40 surgiram os cines Babilônia, Roxy e o Universo. Este último tinha um teto que se abria antes de começar a sessão, fazendo ver o céu.
O Colombo foi o único que permaneceu como teatro, mas no fim de seus dias era uma sala de espetáculos tipicamente de bairro, apresentando uma programação sem grande importância. O prédio, que já estava em mau estado, foi destruído por um incêndio em 1966.
Hoje em dia os cinemas e teatros de bairro desapareceram, e o Brás, como todo o resto da cidade, passa suas noites assistindo à televisão.
Fonte: Livro "Brás, Pinheiros, Jardins: três bairros, três mundos", de Ebe Reale Editora da USP - 1982
Mais informações sobre os cinemas do Brás (Clique aqui).
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BIBLIOGRAFIA DO BLOG

PRINCIPAIS FONTES DE PESQUISA

1. Arquivos institucionais e privados

Bibliotecas da Cinemateca Brasileira, FAAP - Fundação Armando Alvares Penteado e Faculdade de Arquitetura e Urbanismo - Mackenzie.

2. Principais publicações

Acervo digital dos jornais Correio de São Paulo, Correio Paulistano, O Estado de S.Paulo e Folha de S.Paulo.

Acervo digital dos periódicos A Cigarra, Cine-Reporter e Cinearte.

Site Arquivo Histórico de São Paulo - Inventário dos Espaços de Sociabilidade Cinematográfica na Cidade de São Paulo: 1895-1929, de José Inácio de Melo Souza.

Periódico Acrópole (1938 a 1971)

Livro Salões, Circos e Cinemas de São Paulo, de Vicente de Paula Araújo - Ed. Perspectiva - 1981

Livro Salas de Cinema em São Paulo, de Inimá Simões - PW/Secretaria Municipal de Cultura/Secretaria de Estado da Cultura - 1990

FONTES DE IMAGEM

Periódico Acrópole - Fotógrafos: José Moscardi, Leon Liberman, P. C. Scheier e Zanella.

Acervos particulares de Luiz Carlos Pereira da Silva, Caio Quintino e Ivani Cury.

PRINCIPAIS COLABORADORES

Luiz Carlos Pereira da Silva e João Luiz Vieira.

OUTRAS FONTES: INDICADAS NAS POSTAGENS.