Um resumo da trajetória das salas de cinema na cidade de São Paulo

A primeira sessão de cinema no Brasil ocorreu na tarde do dia 8 de julho de 1896 em uma pequena loja da Rua do Ouvidor nº. 57, na capital do Rio de Janeiro. Um mês depois, na cidade de São Paulo, Georges Renouleau iniciou as apresentações públicas do *Cinematógrafo trazido de Paris. Exibidores ambulantes logo projetaram as fotografias animadas em teatros e salas improvisadas.
A partir de 1907, os cinemas ocupam prédios próprios localizados nas principais artérias das cidades brasileiras. No Rio, o Parisiense, Pathé e Odeon, entre outros, surgem na recém-inaugurada Avenida Central. O Bijou-Palace (primeira sala regular para projeção de filmes) assinala o início de uma série de salas que serão abertas no centro de São Paulo.
Entre as décadas de 20 e 50 são construídos imensos e luxuosos cinemas, cuja arquitetura está associada a concepção dos filmes produzidos nos estúdios de Hollywood que dominam o mercado exibidor brasileiro. Fachadas imponentes introduzem ambientes suntuosos, decorados com mármores, lustres, espelhos e tapetes. Nesses palácios do sonho, um ritual antecede a apresentação do espetáculo cinematográfico e reforça o clima de sedução: soa o gongo, a sala escurece lentamente e as cortinas se abrem. O filme complementa o espetáculo que começa na arquitetura do cinema.
Nos anos 60, a expansão da televisão acelera o declínio desses templos de ilusão, que chegaram ao Brasil acompanhando as produções norte-americanas. Muitos seriam demolidos na década seguinte. Restaram alguns vestígios e a memória de antigos freqüentadores que, junto com a emoção dos filmes, recordam o fascínio dos cinemas.
As salas atuais diferem dos palácios monumentais de outrora e não obedecem mais a um padrão estabelecido em consonância com determinado tipo de produção. São espaços menores, simples e funcionais – situados em galerias e shopping centers – que atraem os espectadores somente pelo filme em cartaz.
Texto extraído do periódico Filme Cultura (Publicação da Embrafilme), nº. 47, de Agosto de 1986.
* Cinematógrafo - Os irmãos Auguste e Louis Lumière idealizam o cinematógrafo em 1895. O aparelho – uma espécie de ancestral da filmadora – é movido a manivela e utiliza negativos perfurados, substituindo a ação de várias máquinas fotográficas para registrar o movimento. O cinematógrafo torna possível, também, a projeção das imagens para o público. O nome do aparelho passou a identificar, em todas as línguas, a nova arte (ciné, cinema, kino etc.). Auguste Lumière (1862-1954) e Louis Lumière (1864-1948) nascem em Besançon, na França. Filhos de um fotógrafo e proprietário de indústria de filmes e papéis fotográficos, eram praticamente desconhecidos no campo das pesquisas fotográficas até 1890. Após freqüentarem a escola técnica, realizam uma série de estudos sobre os processos fotográficos, na fábrica do pai, até chegarem ao cinematógrafo. Louis Lumière é o primeiro cineasta realizador de documentários curtos. Seu irmão Auguste participa das primeiras descobertas, dedicando-se posteriormente à medicina.
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BIBLIOGRAFIA DO BLOG

PRINCIPAIS FONTES DE PESQUISA

1. Arquivos institucionais e privados

Bibliotecas da Cinemateca Brasileira, FAAP - Fundação Armando Alvares Penteado e Faculdade de Arquitetura e Urbanismo - Mackenzie.

2. Principais publicações

Acervo digital dos jornais Correio de São Paulo, Correio Paulistano, O Estado de S.Paulo e Folha de S.Paulo.

Acervo digital dos periódicos A Cigarra, Cine-Reporter e Cinearte.

Site Arquivo Histórico de São Paulo - Inventário dos Espaços de Sociabilidade Cinematográfica na Cidade de São Paulo: 1895-1929, de José Inácio de Melo Souza.

Periódico Acrópole (1938 a 1971)

Livro Salões, Circos e Cinemas de São Paulo, de Vicente de Paula Araújo - Ed. Perspectiva - 1981

Livro Salas de Cinema em São Paulo, de Inimá Simões - PW/Secretaria Municipal de Cultura/Secretaria de Estado da Cultura - 1990

FONTES DE IMAGEM

Periódico Acrópole - Fotógrafos: José Moscardi, Leon Liberman, P. C. Scheier e Zanella.

Acervos particulares de Luiz Carlos Pereira da Silva, Caio Quintino e Ivani Cury.

PRINCIPAIS COLABORADORES

Luiz Carlos Pereira da Silva e João Luiz Vieira.

OUTRAS FONTES: INDICADAS NAS POSTAGENS.