Memórias fotográficas

.
Florista do Largo do Arouche (1942)
Destaque para os cartazes dos cines Bandeirantes (Largo do Paissandu, 138) e Art Palácio (Av. São João, 419), divulgando os filmes “Vidas sem rumo” e “Pérfida”.
.

Banca de jornal sob o viaduto Santa Efigênia e ao fundo, o edifício do Banespa (década de 50)
Destaque para os cartazes dos cines Broadway (Av. São João, 560), Bandeirantes (Largo do Paissandu, 138), Art Palácio (Av. São João, 419) e Ipiranga (Av. Ipiranga, 786), divulgando os filmes “O direito de nascer”, “Sinhá moça” e “Mentira salvadora”.
Fotos do livro “Cadernos de fotografia brasileira – São Paulo 450 anos” - Instituto Moreira Salles – 2004.
Clique nas fotos para ampliá-las.

Cine Niterói: o marco dos imigrantes japoneses no bairro da Liberdade, na capital paulista

Por Francisco Noriyuki Sato (Formado em jornalismo e publicidade pela Universidade de São Paulo, escreve sobre história e cultura japonesa. É autor do livro "História do Japão em Mangá", do álbum "Filosofia do Samurai na Administração Japonesa", e adaptou o livro "Xintoísmo em Mangá" para o português)

Para falar desse assunto, visitamos o Sr. Susumu, único sobrevivente dos irmãos da família Tanaka, que foi proprietária do cine Niterói.

Susumu Tanaka nasceu em Osaka, no Japão, e veio para o Brasil em 1923, com 10 anos de idade. Trabalhando na roça, passou por diversas fazendas cafeeiras em São Paulo e Paraná, até que chegou a Santa Mariana, no Paraná, junto com sua família. Nessa cidade, os irmãos Tanaka prosperaram bastante, primeiro como cafeicultores e depois como comerciantes de café e feijão.
Yoshikazu Tanaka, o irmão mais velho, tinha 7 anos a mais de idade do que Susumu. Tendo trabalhado como repórter num pequeno jornal no Japão, estava mais habituado à vida urbana, e também era o que tinha a saúde mais frágil dos três irmãos homens da família. Por isso, Yoshikazu atuava mais com compras e vendas, viajando constantemente. O comércio de feijão dos irmãos ia tão bem, que quando Yoshikazu visitava a Bolsa de Cereais de São Paulo, era chamado de “Rei do Feijão”.
Com o falecimento precoce do patriarca, o irmão mais velho Yoshikazu assumiu todo o direcionamento dos negócios da família, como acontecia entre os japoneses naquela época. Na década de 50, o irmão mais novo, Iwao, tinha uma serraria em Uraí, também no Paraná, e todos os negócios estavam indo bem. Tão bem que Susumu estava comprando uma fazenda cafeeira de 200 alqueires em Cornélio Procópio, mas no dia de fechar o negócio, na propriedade em questão, apareceu Yoshikazu de surpresa.
“Você vai mesmo comprar essa propriedade?”, perguntou o mais velho. Depois de um rápido diálogo, Susumu desistiu do negócio, porque Yoshikazu tinha uma idéia que acabaria mudando a vida dos imigrantes japoneses no Brasil. Ele queria fundar uma sala de cinema!
O idealista Yoshikazu Tanaka lutou muito, comprou o terreno da Rua Galvão Bueno e construiu um cinema do zero, sem ter tido qualquer experiência anterior. Viajou ao Japão e fez acordo com a distribuidora Toei para exibir as películas dessa grande empresa, no momento em que o Japão vivia o “boom” de produção cinematográfica. Parte das madeiras veio da serraria de Iwao, e o capital necessário saiu do comércio de feijão de Santa Mariana. “Esse cinema não foi construído de cimento, esse cinema foi feito com feijão”, teria dito Katsuzo Yamamoto, cerealista e amigo da família, no discurso de inauguração do cinema.
O capital gasto foi surpreendente para a época. Além da grande sala de cinema de dois andares, com 1500 poltronas estofadas, no térreo, o prédio contava com um restaurante no primeiro andar; um hotel nos dois andares seguintes, e um salão de festas no último pavimento. Era um empreendimento que certamente encheu de orgulho, não só a família Tanaka, como também toda comunidade japonesa, que saía da triste situação do pós-guerra, quando o seu país foi derrotado. O ano era 1953, e o primeiro filme exibido foi “Genji Monogatari”, traduzido como “Os Amores de Genji”. Todos os filmes eram legendados e toda segunda feira entrava um novo filme no projetor. 20 mil pessoas passavam pela sala todas as semanas. Ao contemplar a alegria dos japoneses que lotavam sua casa, Yoshikazu resolveu ser ainda mais ousado para dar ainda mais alegria ao seu público: foi ao Japão buscar os protagonistas dos filmes para se apresentarem na estréia das películas. Isso aconteceu várias vezes, e um dos convidados foi Koji Tsuruta, um galã na época. Nessas ocasiões, o convidado se hospedava no hotel da família, e as recepções aconteciam na ampla sala da casa de Susumu. Sua filha, Zelinda, ainda se lembra dessas festas, quando a sua casa ficava cheia de destacadas personalidades da época.
______ Zelinda, em 1962 (Acervo pessoal)
Com o sucesso do Niterói, mais três salas surgiram no mesmo bairro para atender ao público nipo-brasileiro. Muitos filhos de agricultores vinham para estudar e trabalhar em São Paulo, tendo como referência essas salas. E com isso, a Liberdade acabou se tornando o “bairro japonês".
Comerciantes como Hirofumi Ikesaki, confessaram que se instalaram na região atraídos pelo grande movimento do cine Niterói. Apesar de a região contar com a Rua Conde de Sarzedas, onde se instalaram os primeiros imigrantes japoneses em São Paulo, durante a Segunda Guerra Mundial eles foram forçados a deixarem o local, e no período pós-guerra, muitos comerciantes se dirigiram para as proximidades da Praça da Sé. A Rua Senador Feijó, por exemplo, abrigava a agência número 001 do Banco América do Sul. O empresário Katsuzo Yamamoto, aquele do discurso do feijão, almoçava seguidas vezes no restaurante do Niterói, e foi lá que reuniu seus amigos para tratar da fundação do Nippon Country Club, que aconteceria em 1960.
A época áurea do cinema passou, quando, em 1968, o local foi desapropriado para a construção da Avenida Radial Leste-Oeste. Com o valor da indenização muito abaixo do real, a família só pôde adquirir um prédio na Avenida Liberdade, onde antes funcionara o cine Liberdade. Essa sala só tinha 933 lugares. Mesmo assim, a sala não lotava como antes e a obrigatoriedade de exibição de filmes nacionais acabou por afastar o seu público. Em 1984, o Niterói parou de importar filmes, e anos depois a sala foi fechada. Os demais concorrentes, Jóia e Nippon desapareceram na mesma década. Nenhum resistiu à chegada dos videocassetes nas casas.
Curiosidades
1) Os amigos brasileiros de Susumu sempre perguntavam o porquê do nome do cinema, pois Niterói é no Rio de Janeiro, estado que tem rivalidade com São Paulo. Susumu tinha uma resposta na ponta da língua: Niterói é soma de Nitto e Herói. Nitto é Japão, portanto, significa “Herói do Japão”!
2)
Outros cines que se especializaram em filmes japoneses: Tokyo (fundado em 1954 na Rua São Joaquim – hoje é uma igreja evangélica), Jóia (fundado em 1958, no final teve o nome de Shochiku na Praça Carlos Gomes – hoje é uma igreja evangélica), Nippon (fundado em 1959 na Rua Santa Luzia – hoje é sede da Associação Aichi Kenjin). Cada cinema representava uma grande companhia japonesa. Tokyo exibia filmes da Nikkatsu, Niterói da Toei, Nippon da Shochiku, e Jóia da Toho.
3) O cine Nippon pertencia à família Mizumoto, que tinha (e tem) uma loja de presentes na Rua Galvão Bueno. Depois do fechamento desse, ela assumiu o cine Jóia, mudando de nome para Shochiku, que é a companhia que representava.
Texto extraído do site Cultura Japonesa.
Leia, também, o texto “A Cinelândia da liberdade” de Lucia Nagib (crítica de cinema japonês e professora da Universidade de Campinas) publicado no site *Fundação Japão.
* Fundação Japão - É uma organização vinculada ao Ministério das Relações Exteriores do Japão, estabelecida em 1972, cujo objetivo é promover o intercâmbio cultural e a compreensão mútua entre o Japão e outros países. O escritório em São Paulo foi inaugurado em 1975 e desde então, atua como uma porta de comunicação entre a Fundação Japão e o Brasil, desenvolvendo diversas atividades. A Fundação Japão desenvolve seus programas e atividades nas três categorias principais seguintes:1) Intercâmbio Artístico e Cultural - 2) Ensino da Língua Japonesa no Exterior - 3) Estudos Japoneses no Exterior e Intercâmbio Intelectual. Além disso, como parte da reforma estrutural de maio de 2004, foi criado o Information and Resource Center para prover informações e incentivar o intercâmbio internacional. Local: Avenida Paulista, nº 37, 1º e 2º andares - Paraíso - 01311-902 - São Paulo - SP - Tel.: 11 3141-0110 / 3141-0843

Biblioteca Pública Roberto Santos inaugura sala e acervo temático de cinema

Em 14 de junho, a Biblioteca Pública Roberto Santos receberá acervo especializado de cinema. Localizado no Ipiranga, o novo núcleo de referência no gênero oferecerá acervo bibliográfico e audiovisual.
Para a caracterização do espaço foram investidos, pela Secretaria Municipal de Cultura, R$ 160 mil. Esta quantia foi empregada na compra de acervo temático, mobiliário, equipamentos para a sala de cinema, com 101 lugares, projetor e outros equipamentos. O acervo total da unidade soma agora mais de 31 mil livros, dos quais cerca de 400 tratam exclusivamente de assuntos relacionados a cinema.
O acervo de filmes também ficará disponível ao público e terá, inicialmente, 502 títulos cinematográficos. Assim como a seleção do acervo, a curadoria da programação da sala de exibição do local será feita por Célio Franceschet.
Em torno de duas vezes por mês o Cineclube Ipiranga irá programar sessões de filmes em 16mm.
Além de trazer exibições de filme, a biblioteca oferecerá, no futuro, shows musicais pautados por trilhas sonoras de filmes brasileiros e internacionais, cursos que discutam a relação entre cinema e literatura, oficinas de roteiro para curta-metragem, cultura cinematográfica para formadores de opinião como professores e o ensinamento das bases para a crítica de cinema. O antigo auditório de 101 lugares foi reformado e alguns equipamentos foram adquiridos com o apoio da Subprefeitura de Vila Mariana.
A inauguração do núcleo temático em cinema da Biblioteca Pública Roberto Santos é parte do projeto “Bibliotecas Temáticas”, que a Secretaria Municipal de Cultura vem desenvolvendo desde 2006.

Biblioteca Pública Roberto Santos - Endereço: Rua Cisplatina, 505 Ipiranga - Telefone: (11) 2273-2390
Texto extraído do site da Prefeitura de São Paulo.

Cinema no Centro Cultural SESI Leopoldina



O Centro Cultural SESI Vila Leopoldina é um espaço dedicado à cultura contemporânea e direcionado ao público jovem e aos interessados em novas linguagens e experimentações artísticas.
O espaço reúne a Biblioteca e Gibiteca Sesi, o Cineclube Sesi, o Laboratório de Linguagem Eletrônica e áreas ao ar livre, com atividades e programações sobre literatura, quadrinhos, artes eletrônicas, artes cênicas, cinema e música.

A vocação do Centro Cultural SESI Vila Leopoldina é divulgar novos artistas e novas linguagens artísticas e incentivar o interesse do jovem e da comunidade pelas diferentes manifestações artísticas da cultura urbana e contemporânea nacional e internacional.
O Centro Cultural conta também com o primeiro Laboratório de Linguagem Eletrônica do país, em parceria com o FILE – Festival Internacional de Linguagem Eletrônica. O Laboratório permite a pesquisa e o desenvolvimento de arte digital e a disponibilização de um acervo sempre atualizado do melhor da linguagem eletrônica feita no Brasil e em outros países.
Entre a terça-feira (10/6) e o sábado (28/6), o Centro Cultural vai exibir dez sessões gratuitas de filmes no ciclo Japão no Cinema. Informações: 3834.5523 / 3832.1066 ramal 1180 e através do site.
SESI Vila Leopoldina
Rua Carlos Weber, 835 - Vila Leopoldina - São Paulo - SP
Telefones: (11) 3834-5523 / 3832-1066 - ramal 1180
E-mail: centroculturalsesi@sesisp.org.br
Texto extraído do site do Centro Cultural SESI Vila Leopoldina.

A época de ouro dos cinemas

Por Caetano Abbruzzini Netto 
Mais de 50 anos de cinema e remanescente da "Época de Ouro" do cinema. 
Trabalhou 30 anos no grupo Sul/Paulista. 
Foi diretor de publicidade da Warner/Columbia. 
E-mail: caetano_filho@uol.com.br 
Fone: (11) 8196.3587
Nos anos 50, a cidade de São Paulo era o coração cinematográfico do Brasil, no qual participei, de todos os grandes eventos.

Para analisar a extensão da tela do cine República

Tínhamos o cine República, com a maior tela do mundo, onde eram exibidas as grandes produções em Cinemascope e 3ª. Dimensão. O cine Olido, com orquestra e poltronas numeradas. O Ritz exibia os grandes Westerns, e posteriormente, totalmente reformado, exibiu o filme “A volta ao mundo em 80 dias”, passando a se chamar Rivoli. O cine Normandie exibia as grandes produções francesas, como por exemplo “O Salário do Medo”, de Henry Georges Clouzout, e outros grandes filmes, com todos os grandes atores franceses da época, como Martine Carol, Jean Gabin, entre outros. O cine Comodoro, com o sistema Cinerama, foi uma das grandes sensações da época. O cine Marabá, tinha a maior freqüência de público do Brasil, chegando a exibir filmes para até 65.000 expectadores por semana.
A inauguração de um cinema era uma verdadeira apoteose, com a presença do Governador do Estado, Prefeito e altas autoridades, onde o traje a rigor era obrigatório. Não podemos esquecer, também, dos grandes musicais exibidos no cine Metro.
Além do público normal no centro de São Paulo, os cinemas eram freqüentados pela nata da sociedade paulistana, que se deslocavam da zona sul para o Centro, para assistirem as grandes produções estrangeiras. Existem tantos outros fatos para serem contados, sobre o que era o cinema daquela época, que daria para escrever um livro.
Licença Creative Commons
As fotos e informações deste site estão protegidas e licenciadas pela Creative Commons.
ACESSE O BANCO DE DADOS


BIBLIOGRAFIA DO BLOG

PRINCIPAIS FONTES DE PESQUISA

1. Arquivos institucionais e privados

Bibliotecas da Cinemateca Brasileira, FAAP - Fundação Armando Alvares Penteado e Faculdade de Arquitetura e Urbanismo - Mackenzie.

2. Principais publicações

Acervo digital dos jornais Correio de São Paulo, Correio Paulistano, O Estado de S.Paulo e Folha de S.Paulo.

Acervo digital dos periódicos A Cigarra, Cine-Reporter e Cinearte.

Site Arquivo Histórico de São Paulo - Inventário dos Espaços de Sociabilidade Cinematográfica na Cidade de São Paulo: 1895-1929, de José Inácio de Melo Souza.

Periódico Acrópole (1938 a 1971)

Livro Salões, Circos e Cinemas de São Paulo, de Vicente de Paula Araújo - Ed. Perspectiva - 1981

Livro Salas de Cinema em São Paulo, de Inimá Simões - PW/Secretaria Municipal de Cultura/Secretaria de Estado da Cultura - 1990

FONTES DE IMAGEM

Periódico Acrópole - Fotógrafos: José Moscardi, Leon Liberman, P. C. Scheier e Zanella.

Acervos particulares de Luiz Carlos Pereira da Silva, Caio Quintino e Ivani Cury.

PRINCIPAIS COLABORADORES

Luiz Carlos Pereira da Silva e João Luiz Vieira.

OUTRAS FONTES: INDICADAS NAS POSTAGENS.