Paissandú, um cinema que merece ser restaurado

O cinema localizado no Largo do Paissandú, 60 (Centro) foi inaugurado em 19/12/1957. Em seu grande hall de entrada havia um painel, em afresco, com 15 metros de extensão, representando danças típicas nacionais, como "Bumba meu Boi", "Candomblé" e "Fandangos".



A sala de espera tinha 900 m2, onde luzes suaves, ar condicionado, poltronas confortáveis, música em alta-fidelidade e decoração elegante, completavam um ambiente acolhedor para o público. Nesta sala havia, também, um painel de mosaico representando a lenda da "Nau Catarineta" com 12 metros de extensão. Neste ambiente, duas amplas escadarias de mármore levavam ao centro da plateia. Dois elevadores e duas escadarias levavam às salas de espera dos dois "pullmans" superiores, também, adequadamente decoradas com painéis de mosaico representando a "Congada" e o "Frevo", com lambris de madeira, espelhos e material cerâmico.
A enorme sala de espetáculos, com capacidade total para 2196 lugares, era totalmente revestida em material acústico e suas laterais eram decoradas com painéis representando cavalos estilizados galopando, de autoria de Jean Bosquet.

Neste cinema foi introduzida uma inovação interessante com respeito à cabine de projeção, que era localizada dentro das vigas que sustentavam o 1º "pullman", no centro da sala de espetáculos, ficando eliminado, desta forma, o facho de luz que geralmente ficava muito baixo e próximo dos expectadores do 1º "pullman".

A partir de 12/02/1973, o cinema é dividido em duas salas, Independência e Império. Depois, em 23/12/1994, transformado em bingo e cinema.

Seria interessante analisar as atuais condições deste cinema, que está fechado há muito tempo e verificar se ainda possui parte das características descritas no texto acima. A localização do cinema é ótima e o seu valor histórico e cultural é incalculável. Ele fica, inclusive, bem próximo dos cines Olido e Marabá (ambos reformados e em funcionamento) e de outros cinemas que ainda podem ser restaurados, como o Art Palácio, Marrocos e Ipiranga. Além disso, o acesso ao cinema é bastante facilitado, pois há um terminal de ônibus bem em frente.

A esperança de reativação e restauração deste cinema está na iniciativa privada ou no tombamento por seu valor histórico. Já temos bons exemplos aqui em São Paulo: Cine Livraria Cultura, Caixa Belas Artes e as salas do Espaço Itaú de Cinemas. 

É importante que a Prefeitura de São Paulo melhore cada vez mais esta região, tirando de lá os mendigos, drogados e moradores de rua, disponibilizando uma quantidade maior de policiais. 

Quem sabe em um futuro próximo não possamos visitar e apreciar uma nova Cinelândia Paulistana. Não custa sonhar!

Texto e fotos da Revista "Acrópole: arquitetura, urbanismo e decoração" (1958) com inclusões e opiniões de Antonio Ricardo Soriano. Fotos: José Moscardi.
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BIBLIOGRAFIA DO BLOG

PRINCIPAIS FONTES DE PESQUISA

1. Arquivos institucionais e privados

Bibliotecas da Cinemateca Brasileira, FAAP - Fundação Armando Alvares Penteado e Faculdade de Arquitetura e Urbanismo - Mackenzie.

2. Principais publicações

Acervo digital dos jornais Correio de São Paulo, Correio Paulistano, O Estado de S.Paulo e Folha de S.Paulo.

Acervo digital dos periódicos A Cigarra, Cine-Reporter e Cinearte.

Site Arquivo Histórico de São Paulo - Inventário dos Espaços de Sociabilidade Cinematográfica na Cidade de São Paulo: 1895-1929, de José Inácio de Melo Souza.

Periódico Acrópole (1938 a 1971)

Livro Salões, Circos e Cinemas de São Paulo, de Vicente de Paula Araújo - Ed. Perspectiva - 1981

Livro Salas de Cinema em São Paulo, de Inimá Simões - PW/Secretaria Municipal de Cultura/Secretaria de Estado da Cultura - 1990

FONTES DE IMAGEM

Periódico Acrópole - Fotógrafos: José Moscardi, Leon Liberman, P. C. Scheier e Zanella.

Acervos particulares de Luiz Carlos Pereira da Silva, Caio Quintino e Ivani Cury.

PRINCIPAIS COLABORADORES

Luiz Carlos Pereira da Silva e João Luiz Vieira.

OUTRAS FONTES: INDICADAS NAS POSTAGENS.