Cine Centimetro, mais um bom exemplo vindo do Rio de Janeiro

Por Antonio Ricardo Soriano
O proprietário do cine Centimetro, Ivo Raposo, nasceu perto da praça Saens Peña, na Tijuca, que era conhecida como a "Cinelândia da Tijuca", de tantos os cinemas que ali se instalaram.

Havia mais cinemas do que na tradicional Cinelândia, no centro do Rio. Havia o América, o Tijuca Palace I e II, o Cinema 3, o Cooper-Tijuca, o Carioca, o Tijuquinha, o Olinda, o Metro-Tijuca, o Art-Palácio, o Art-Tijuca , e outros. Nos anos 70, a praça e seus arredores contavam com 12 cinemas: cine Avenida, cine-teatro Brasil, cine Santo Afonso, cine Santa Rita, cine Madrid, cine Eskye, cine Roma, cine Britânia, cine Bruni Saens Peña, cine Rio, cine Comodoro e cine Bruni Tijuca.


Cine Metro-Tijuca - Foto
Ivo Raposo freqüentava, quase que diariamente, todos estes cinemas, mas o fascínio veio do cine Metro. Aos 13 anos foi projecionista (operador) em um cinema de igreja atrás da referida praça. Lá viveu as mesmas emoções do Totó, do filme “Cinema Paradiso”. Havia sempre matinês lotadas, algazarras e cortes de fotogramas, previamente, “censurados” pelo padre encarregado do cinema. Comandou, pela primeira vez, dois projetores Phillips Fp5 (a carvão) exibindo o filme “Marcelino Pão e Vinho”, nos idos de 1957 e 1958. Ingressou no "Sindicato dos Operadores Cinematográficos do Rio de Janeiro" e, em 1963, inaugurou um luxuoso cinema, próximo à praça Saens Peña, chamado Bruni Saens Peña, com o filme “Minha Doce Gueixa”. Em 1964, trabalhou como operador da "Universal International" exibindo filmes inéditos para a diretoria (Marnie, Charada, etc.). Depois ingressou, através de concurso, para o serviço público e, atualmente, já completou mais de 35 anos como Delegado de Policia.


Porém a paixão pela “imagem em movimento” aumentou a cada dia e em seu rancho, em Conservatória, interior do Estado do Rio de Janeiro, possui três cabines com projetores de 35 mm. A de maior destaque é a do cine Centimetro, que é uma réplica reduzida do antigo cine Metro-Tijuca, inaugurado no Rio de Janeiro em 1941 e demolido em 1977. O charme fica por conta dos objetos originais do antigo cinema, como móveis, pedaços de tapete, lustres, bilheteria e os três projetores Simplex.

Isso sim que é paixão por salas de cinema! Paixão, determinação e criatividade. Parabéns, Ivo Raposo! Que o cine Centimetro sirva de exemplo para o todo o país, para que possamos ter mais exemplos de preservação de antigos cinemas, nem se tiver que refazê-los em outro local, como acabou ocorrendo com Metro-Tijuca.
O cine Centimetro, tem sessão única aos sábados e é muito concorrida, pois exibe em sua tela, clássicos do cinema, dos anos 50 e 60.
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Cine Centimetro
Rua José Ferreira Borges, 205 - Corservatoria - RJ
Telefone: (24) 2438.1815
Ivo Raposo - Telefone: (21) 2235.2543 - Celular: (21) 9997.6223
E-mail: ivorapososter@gmail.com
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Caro Ricardo
Fiquei super feliz com o blog. É difícil resumir 50 anos de paixão em algumas linhas, mas você conseguiu passar para o texto uma fase importante em minha vida com maestria informatizada... A infância e a maturidade dariam outros capítulos.
Ivo Raposo

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BIBLIOGRAFIA DO BLOG

PRINCIPAIS FONTES DE PESQUISA

1. Arquivos institucionais e privados

Bibliotecas da Cinemateca Brasileira, FAAP - Fundação Armando Alvares Penteado e Faculdade de Arquitetura e Urbanismo - Mackenzie.

2. Principais publicações

Acervo digital dos jornais Correio de São Paulo, Correio Paulistano, O Estado de S.Paulo e Folha de S.Paulo.

Acervo digital dos periódicos A Cigarra, Cine-Reporter e Cinearte.

Site Arquivo Histórico de São Paulo - Inventário dos Espaços de Sociabilidade Cinematográfica na Cidade de São Paulo: 1895-1929, de José Inácio de Melo Souza.

Periódico Acrópole (1938 a 1971)

Livro Salões, Circos e Cinemas de São Paulo, de Vicente de Paula Araújo - Ed. Perspectiva - 1981

Livro Salas de Cinema em São Paulo, de Inimá Simões - PW/Secretaria Municipal de Cultura/Secretaria de Estado da Cultura - 1990

FONTES DE IMAGEM

Periódico Acrópole - Fotógrafos: José Moscardi, Leon Liberman, P. C. Scheier e Zanella.

Acervos particulares de Luiz Carlos Pereira da Silva, Caio Quintino e Ivani Cury.

PRINCIPAIS COLABORADORES

Luiz Carlos Pereira da Silva e João Luiz Vieira.

OUTRAS FONTES: INDICADAS NAS POSTAGENS.