O luxuoso cine Metro de 1938

Em São Paulo está surgindo a Cinelandia ao longo da Avenida São João. Agora é o cine Metro que se inaugurou nas cercanias do Ufa e do Broadway.
O cine Metro foi construído pela Cia. Constructora Nacional S.A., para a Metro Goldwyn Mayer com os mesmos característicos das casas de exhibições dessa importante firma productora, nas grandes capitães do mundo.
Aliás, a Metro Goldwyn Mayer estabelece um systema standard para os seus cinemas. Dahi possuir o cine Metro todos os aperfeiçoamentos das salas de exhibições da Broadway, em New York ou da Champs Elysés, em Paris.
Construcção de concreto armado, a fachada é simples e sóbria, linhas horizontaes e verticaes.
O hall amplo em mosaico granito róseo; duas escadarias para os balcões; portas envidraçadas em que o jacarandá resalta bellamente são as impressões iniciaes.
As decorações internas, carregadas de motivos inspirados dos egypcios.
Sala commoda, em dois planos, platéa e balcões em que se percebe a preoccupação de se dar um máximo de conforto ao espectador.
Um systema de ar condicionado medido, lavado, filtrado e seccado é insuflado atravéz dos motivos decorativos do tecto e das paredes; esse ar é exhaurido sob as poltronas em dispositivos especiaes, permitindo assim continua, agradável e racional renovação de ar.
Ao espectador é dada visibilidade total; as poltronas são locadas em círculos concêntricos com a tela e distanciadas 87 centimetros, um maximo de espaço e commodidade.
As paredes arrematadas com lambris de imbuia dão um contraste agradável com o restante do revestimento.
Um tapete único e maravilhoso cobre o piso ambiente tão bem estudado para sala de projecção.
Acústica perfeita; existe um oco entre o revestimento interno e o concreto armado, e mesmo toda a construcção obedece ao systema de concha para limpidez do som.
As installações de illuminação, projecção e som possuem tudo o que há de mais perfeito e até o maximo que a technica conseguiu em effeitos dessa natureza.
A luz irradia da própria cabine do operador, luz colorida e variável. A projecção é feita de maneira a dar a impressão de que a scena é vista em um palco e não sobre um panno simples.
As photographias que acompanham estas ligeiras notas evidenciam muito daquilo que affirmamos e demonstram, perfeitamente, que está de parabéns o publico paulistano ao lhe ser entregue, aos seus cuidados, um dos cinemas mais perfeitos do Brasil.
Texto (integral, com o português e a ortografia da época) e fotos da revista Acrópole nº. 1 (Maio de 1938).







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BIBLIOGRAFIA DO BLOG

PRINCIPAIS FONTES DE PESQUISA

1. Arquivos institucionais e privados

Bibliotecas da Cinemateca Brasileira, FAAP - Fundação Armando Alvares Penteado e Faculdade de Arquitetura e Urbanismo - Mackenzie.

2. Principais publicações

Acervo digital dos jornais Correio de São Paulo, Correio Paulistano, O Estado de S.Paulo e Folha de S.Paulo.

Acervo digital dos periódicos A Cigarra, Cine-Reporter e Cinearte.

Site Arquivo Histórico de São Paulo - Inventário dos Espaços de Sociabilidade Cinematográfica na Cidade de São Paulo: 1895-1929, de José Inácio de Melo Souza.

Periódico Acrópole (1938 a 1971)

Livro Salões, Circos e Cinemas de São Paulo, de Vicente de Paula Araújo - Ed. Perspectiva - 1981

Livro Salas de Cinema em São Paulo, de Inimá Simões - PW/Secretaria Municipal de Cultura/Secretaria de Estado da Cultura - 1990

FONTES DE IMAGEM

Periódico Acrópole - Fotógrafos: José Moscardi, Leon Liberman, P. C. Scheier e Zanella.

Acervos particulares de Luiz Carlos Pereira da Silva, Caio Quintino e Ivani Cury.

PRINCIPAIS COLABORADORES

Luiz Carlos Pereira da Silva e João Luiz Vieira.

OUTRAS FONTES: INDICADAS NAS POSTAGENS.