Cine Glauber Rocha, um bom exemplo vindo da Bahia

O ano era 1973. Numa ensolarada manhã de domingo, uma fila de crianças afoitas continha a muito custo a ansiedade de assistir às peripécias da famosa dupla Tom e Jerry, que seriam apresentadas pela primeira vez no cine Guarany, na Praça Castro Alves.
Três anos depois, outra fila se formava no mesmo local. Dessa vez, "Tubarão", de Steven Spielberg, era exibido no recém-inaugurado cine Glauber Rocha. Passados mais de 30 anos, o antigo local de exibição penou com o abandono e, agora, ressurge com sua emblemática rosácea abrindo as portas para o Espaço Unibanco de Cinema Glauber Rocha.
Foto de 1990 (Arquivo "Correio")
Muitos aguardavam ansiosos pela reinauguração do cinema, que se realizou em 16/12/2008. A exibição inaugural foi de uma cópia restaurada do filme "Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro", do cineasta baiano Glauber Rocha. O novo espaço, que pertence ao governo do estado, foi arrendado por 15 anos pelo projeto Arteplex (espécie de multiplex voltado para os filmes de arte e que faz sucesso em São Paulo há mais de 15 anos).
O cinema passou por uma longa reforma e foi reaberto como um espaço cultural. O projeto foi aprovado pelo departamento do Patrimônio Histórico do IPHAN/Bahia e teve apoio da Agência Nacional do Cinema do Ministério da Cultura (Ancine), através da Lei do Audiovisual, para a aquisição dos equipamentos tecnológicos das salas de cinema. O projeto foi financiado pelo Banco do Nordeste Brasileiro, contou com patrocínio do Banco Itaú/Unibanco e da utilização de recursos próprios dos sócios investidores.
Cláudio Marques, idealizador e coordenador da iniciativa, conta que a idéia começou de forma tímida e terminou como uma grande e ótima notícia para os amantes da sétima arte.
“O projeto é uma junção dos esforços de muitas pessoas que acreditam na recuperação deste patrimônio histórico e afetivo dos baianos”, disse Adhemar de Oliveira, um dos sócios do Glauber e dono de outras 60 salas entre São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Curitiba e outras cidades do país.
Beatriz Schmidt, do Instituto Unibanco e Leon Cakoff, criador do mais antigo festival internacional de cinema no Brasil, a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, também fizeram parte da reconstrução do Glauber.
Desde a concepção da idéia, se passaram mais de oito anos e a reforma, que durou dois anos e meio, trouxe novidades e modernidade ao local. O prédio abriga quatro salas de cinema, um café, uma livraria, um restaurante e um espaço para exposições fotográficas, que ficará aos cuidados do Instituto Moreira Sales.
As salas do novo Glauber serão dedicadas especialmente (mas não exclusivamente) aos filmes de arte e à produção nacional e baiana. “A idéia é trazer um bom cinema, sem preconceitos e prezando pela qualidade dos filmes”, explica Cláudio Marques.
A família de Glauber Rocha ficou muito feliz com a reabertura do cinema. Quem passa pela Praça Castro Alves pode ver novamente a famosa rosácea criada pelo designer Rogério Duarte para o cartaz de "Deus e o Diabo na Terra do Sol" (1964), de Glauber, que ficava na entrada do antigo cine Glauber Rocha. Como a versão original foi demolida, ela foi redesenhada por Rogério e ganhou vida pelas mãos do artista plástico Bel Borba, com seus típicos mosaicos. Quem freqüentava o antigo cinema, reencontrará os índios de Carybé, que foram devidamente restaurados.
Espaço Unibanco de Cinema Glauber Rocha
Praça Castro Alves, s/n - Centro
Salvador - Bahia
Telefone: (71) 3322-0302
Parte do texto de Clara Albuquerque, publicado no jornal "Correio" de 08/12/2008, com inclusões de Antonio Ricardo Soriano, baseadas em informações do site do Ministério da Cultura.
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BIBLIOGRAFIA DO BLOG

PRINCIPAIS FONTES DE PESQUISA

1. Arquivos institucionais e privados

Bibliotecas da Cinemateca Brasileira, FAAP - Fundação Armando Alvares Penteado e Faculdade de Arquitetura e Urbanismo - Mackenzie.

2. Principais publicações

Acervo digital dos jornais Correio de São Paulo, Correio Paulistano, O Estado de S.Paulo e Folha de S.Paulo.

Acervo digital dos periódicos A Cigarra, Cine-Reporter e Cinearte.

Site Arquivo Histórico de São Paulo - Inventário dos Espaços de Sociabilidade Cinematográfica na Cidade de São Paulo: 1895-1929, de José Inácio de Melo Souza.

Periódico Acrópole (1938 a 1971)

Livro Salões, Circos e Cinemas de São Paulo, de Vicente de Paula Araújo - Ed. Perspectiva - 1981

Livro Salas de Cinema em São Paulo, de Inimá Simões - PW/Secretaria Municipal de Cultura/Secretaria de Estado da Cultura - 1990

FONTES DE IMAGEM

Periódico Acrópole - Fotógrafos: José Moscardi, Leon Liberman, P. C. Scheier e Zanella.

Acervos particulares de Luiz Carlos Pereira da Silva, Caio Quintino e Ivani Cury.

PRINCIPAIS COLABORADORES

Luiz Carlos Pereira da Silva e João Luiz Vieira.

OUTRAS FONTES: INDICADAS NAS POSTAGENS.