Cine Gemini é homenageado por dois jornalistas do jornal O Estado de S.Paulo


Ironia
Por Leandro Quintanilha (Subeditor do jornal O Estado de S. Paulo)

No dia 25/9, às 21h40, o cine Gemini teve uma sessão lotada. Ironicamente, o cinema encerrava suas atividades por baixo faturamento. Aos 35 anos, o Gemini mantinha o visual – e quase a mesma tecnologia – da inauguração. A ligação com o passado era seu principal charme, mas foi (outra ironia) sua ruína. O nome italiano remete a suas salas ‘gêmeas’, decoradas pelo sueco Lennart Clemens, em uma galeria da Paulista. Simétricas, com o mesmo número de poltronas (379) e as mesmas figuras geométricas no carpete, as salas – ironia – não eram iguais: variavam as cores predominantes, azul e vermelho. O visual, moderno nos anos 70, remete hoje a uma concepção antiga de futuro (mais uma ironia).

Nos últimos anos, o Gemini exibia suas estreias com atraso – o que era bom, por ironia, porque se podiam ver ali filmes que haviam saído do circuito. O ingresso era barato, só que você tinha de pagar com dinheiro. A bonbonnière era modesta, mas servia paçoquinha grátis. E quem não gostasse do filme, logo no começo, ganhava um ingresso para voltar.

Em 2010, o Gemini ficou em 42º lugar no Oscar das Salas de Cinema, a nossa avaliação anual. Começou com ‘A Primeira Página’(1974), terminou com ‘Cabeça a Prêmio’(2008). Não era um bom cinema, mas deixa saudade. Ironia.
Apagaram o meu passado
Por cri.critico@grupoestado.com.br - Leia à coluna semanal do Cri-crítico (Diário mal-humorado – Ele não gosta de nada, mas vai ao cinema assim mesmo) todas as sextas-feiras no suplemento 'Divirta-se' do jornal 'O Estado de S. Paulo'.


Decidi escrever esta semana sobre um cinema que não existe mais. Às vezes, sinto que o meu passado é apagado aos poucos. Quando jovem, eu morava na Bela Vista. Quase todos os cinemas que eu costumava frequentar na região já se foram ou passaram por fortes transformações. Tinha o Paramount (hoje Teatro Abril), o Astor (cujo espaço abriga a Livraria Cultura do Conjunto Nacional), as três salas do Gazeta (só sobrou a lembrança do Gazetinha, agora como Reserva Cultural), o Bristol (dividido em sete salas menores) e o Top Cine (nem tive coragem de ver no que transformaram). Resta, por enquanto, o Belas Artes.
Saber do fechamento do Gemini, que encerrou suas atividades no domingo passado, foi doloroso. Assistia a filmes lá, praticamente, desde a sua inauguração, em 1975. Ali, cabulei algumas aulas, tive meu primeiro encontro com duas futuras namoradas e pude me colocar em dia com muitas produções que eu deixava para ver depois. Voltei no último dia para ver ‘Cabeça a Prêmio’ e me despedir. O cinema estava do jeito que deveria estar, com todas as suas qualidades e defeitos. Mas já virou história.
Textos publicados no suplemento 'Divirta-se' do jornal 'O Estado de S. Paulo' de 01/10/2010. Fotos do site Super Ziper: http://www.superziper.com/
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BIBLIOGRAFIA DO BLOG

PRINCIPAIS FONTES DE PESQUISA

1. Arquivos institucionais e privados

Bibliotecas da Cinemateca Brasileira, FAAP - Fundação Armando Alvares Penteado e Faculdade de Arquitetura e Urbanismo - Mackenzie.

2. Principais publicações

Acervo digital dos jornais Correio de São Paulo, Correio Paulistano, O Estado de S.Paulo e Folha de S.Paulo.

Acervo digital dos periódicos A Cigarra, Cine-Reporter e Cinearte.

Site Arquivo Histórico de São Paulo - Inventário dos Espaços de Sociabilidade Cinematográfica na Cidade de São Paulo: 1895-1929, de José Inácio de Melo Souza.

Periódico Acrópole (1938 a 1971)

Livro Salões, Circos e Cinemas de São Paulo, de Vicente de Paula Araújo - Ed. Perspectiva - 1981

Livro Salas de Cinema em São Paulo, de Inimá Simões - PW/Secretaria Municipal de Cultura/Secretaria de Estado da Cultura - 1990

FONTES DE IMAGEM

Periódico Acrópole - Fotógrafos: José Moscardi, Leon Liberman, P. C. Scheier e Zanella.

Acervos particulares de Luiz Carlos Pereira da Silva, Caio Quintino e Ivani Cury.

PRINCIPAIS COLABORADORES

Luiz Carlos Pereira da Silva e João Luiz Vieira.

OUTRAS FONTES: INDICADAS NAS POSTAGENS.