Grandes empresários da exibição cinematográfica: Marcio Fraccaroli

Por Natalí Alencar (Redatora da revista Exibidor, publicação trimestral da Tonks)

Com mais de 32 anos de experiência dedicados ao cinema, grande parte deles na trajetória de sucesso da Paris Filmes, Marcio Fraccaroli se orgulha de possuir o cinema no seu DNA.

Desde os 13 anos ele trabalha com cinema e aos 19 passou a integrar a equipe da Paris Filmes como gerente de marketing. Hoje, como principal liderança desta empresa, conta para a revista Exibidor como conquistou posição de destaque no mercado cinematográfico. Dedicação, visão empreendedora e escolhas assertivas têm feito da trajetória de Marcio Fraccaroli um caminho sólido que resultou na consagração da Paris Filmes como uma das mais respeitadas e tradicionais distribuidoras independentes do país.

Formado pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) e pós-graduado pela Fundação Getúlio Vargas, Fraccaroli passou apenas por duas empresas: a Companhia Cinematográfica Serrador e a Paris Filmes, que desde 2009 vem se destacando por ter trazido grandes sucessos mundiais como “A Saga Crepúsculo”, “P.S. Eu Te Amo”, “RED - Aposentados e Perigosos”, além dos mais recentes “O Discurso do Rei”, “Santuário” e as produções nacionais “De Pernas pro ar” e “As mães de Chico Xavier”.

Em entrevista exclusiva, ele falou sobre mercado, tendências e perspectivas. Confira:

Revista Exibidor - Comente mais um pouco da sua trajetória no mercado cinematográfico.

Marcio Fraccaroli - Comecei aos 13 anos como auxiliar de publicidade. Também levava curtas e trailers para cinema e programação para o jornal. Conheço desde a programação de cinema até um pouco de exibição. Acompanhei a Paris Filmes quando ela tinha quase 170 salas de cinema, portanto tenho experiência de exibidor e distribuidor.

Exibidor - Como tem percebido o mercado exibidor ao longo desses últimos anos?

Fraccaroli - O mercado de exibição tinha parado há dez anos por falta de investimento e de visão de negócio. Com a nova tecnologia 3D, o exibidor tomou uma postura de crescimento e começou a se desenvolver de uma forma maior. Ele passou a enxergar o 3D como oportunidade para as pessoas frequentarem mais o cinema. Além disso, tivemos a felicidade da volta do cinema nacional, que ajudou muito a indústria. Isso sem falar na economia, que continua crescendo. Com mais dinheiro no bolso, as pessoas vão mais ao cinema. Houve uma mudança nos últimos 15 anos. Grandes exibidores entraram no mercado e isso movimentou o setor. Com uma nova safra de pessoas que dirigem a indústria, tanto de exibição, como de distribuição, surgiram também novas ideias. Essa transição foi importante e contribuiu muito.

Exibidor - Qual a importância do mercado exibidor para a Paris Filmes?

Fraccaroli - A Paris Filmes é uma companhia independente que distribui filmes para a América Latina. Basicamente, nosso negócio é distribuição para cinema, vídeo e televisão. Porém, nossa principal janela é o cinema, que hoje representa 40% do faturamento. O vídeo representa 20%, a TV aberta abrange 30% e a TV fechada, 10%. O cinema é muito importante para a nossa estrutura de negócio. A cada dia, nos preocupamos mais em contratar conteúdo que faça sentido para o nosso mercado. Tentamos nos antecipar às decisões, porque nossos concorrentes não são só as empresas independentes, mas os estúdios americanos que também compram. A Paris Filmes está na vanguarda das empresas independentes e me sinto confortável em falar isso, porque tenho no meu DNA o cinema. Algumas empresas independentes têm como principal nicho outros mercados de atuação. Mas eu, como representante da Paris Filmes e até mesmo pela minha formação, tenho no meu DNA o mercado cinematográfico. Eu nasci no cinema.

Exibidor - Como você avalia o crescimento da Paris Filmes? Quais fatores contribuíram e continuam contribuindo para o seu crescimento?

Fraccaroli - Filmes são feitos por escolhas. Distribuições são feitas por oportunidades e decisões. A Paris Filmes tem tido um pouco de sorte ao escolher os melhores filmes. Somos líderes de mercado há três anos. Como não somos estúdio, é muito complicado competir com empresas como Sony e Warner, que produzem seus próprios conteúdos. No mercado independente, nossas escolhas foram muito felizes. Acertamos com “A Saga Crepúsculo”, mas em 2005, quando optamos pela compra, foi uma decisão de risco. Hoje, falamos muito sobre “O Discurso do Rei”, mas há 1 ano e meio atrás, talvez estivéssemos comprando um filme de arte que não agradasse. Enfim, são escolhas, decisões. A Paris Filmes se associou a Summit, um estúdio que produz no exterior e que tem uma distribuidora de vídeo e cinema nos Estados Unidos. É a maior empresa de entretenimento neste país. Inclusive, foi favorecida pela “Saga Crepúsculo”. Isso, estrategicamente, foi muito bom para nós. A Paris Filmes está presente em toda a América Latina e isso nos ajuda a ter acesso aos filmes. Hoje, somos uma empresa estruturada, temos um escritório em Los Angeles, que representa 17 países e outro, que trabalha para nós há 20 anos, e representa o maior comprador de filmes independentes da França, Japão, Itália e Rússia. Isso dá acesso a conteúdos. Eu acabei de tomar a decisão de comprar um filme hoje, se vai dar certo daqui dois anos, não sei. Mas contei com essa estrutura para escolher. O que eu acho que a Paris tem de bom, é que ela se associa e é mais plural. Temos uma tradição na área de exibição, por exemplo, somos os únicos sócios da Cinemark, temos dois complexos de cinema em Belo Horizonte e somos sócios do Severiano Ribeiro. Eu conheço muitos exibidores. Eles me conhecem. Relaciono-me com as pessoas. Fomos um dos grandes exibidores na década de 80 e 90, embora hoje não administremos nenhuma sala de cinema. Logo, temos uma relação com o mercado que começou há muitos anos.

Exibidor - Além do 3D, quais tendências têm observado no mercado e como a Paris Filmes tem aproveitado essas tendências no seu market share?

Fraccaroli - O 3D não é fundamental para a indústria crescer, mas sim bons filmes e boas histórias em qualquer língua. Precisamos ter uma indústria de grandes filmes brasileiros, sadios e vencedores. Fazemos alguns investimentos em 3D, mas só isso não adianta. O que faz a diferença é boas salas de cinema, ótima prestação de serviços, atendimento adequado ao público e grandes filmes.

Parte do texto publicado na revista Exibidor nº 1, de abril de 2011. Publicação autorizada pela autora.

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BIBLIOGRAFIA DO BLOG

PRINCIPAIS FONTES DE PESQUISA

1. Arquivos institucionais e privados

Bibliotecas da Cinemateca Brasileira, FAAP - Fundação Armando Alvares Penteado e Faculdade de Arquitetura e Urbanismo - Mackenzie.

2. Principais publicações

Acervo digital dos jornais Correio de São Paulo, Correio Paulistano, O Estado de S.Paulo e Folha de S.Paulo.

Acervo digital dos periódicos A Cigarra, Cine-Reporter e Cinearte.

Site Arquivo Histórico de São Paulo - Inventário dos Espaços de Sociabilidade Cinematográfica na Cidade de São Paulo: 1895-1929, de José Inácio de Melo Souza.

Periódico Acrópole (1938 a 1971)

Livro Salões, Circos e Cinemas de São Paulo, de Vicente de Paula Araújo - Ed. Perspectiva - 1981

Livro Salas de Cinema em São Paulo, de Inimá Simões - PW/Secretaria Municipal de Cultura/Secretaria de Estado da Cultura - 1990

FONTES DE IMAGEM

Periódico Acrópole - Fotógrafos: José Moscardi, Leon Liberman, P. C. Scheier e Zanella.

Acervos particulares de Luiz Carlos Pereira da Silva, Caio Quintino e Ivani Cury.

PRINCIPAIS COLABORADORES

Luiz Carlos Pereira da Silva e João Luiz Vieira.

OUTRAS FONTES: INDICADAS NAS POSTAGENS.