Notícias interessantes (Cine Comodoro)

Do jornal "Folha da Tarde", de 28 de julho de 1959, mostrando o interior do cine Comodoro Cinerama, ainda em fase de construção:

Texto original do artigo:
Aspecto da tela do cine Comodoro, que mede 20 metros de comprimento por 7 de altura, com uma curvatura de 144 graus. A estreita faixa branca ao centro é uma das muitas tiras de náilon que, em conjunto, formarão a tela. As 3 grandes caixas que se vêem na parte inferior são 3 dos 7 alto-falantes. Observe-se que o diâmetro de suas saídas tem dimensões superiores à altura de um homem.
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Do jornal "Folha da Manhã", de 15 de Agosto de 1959. Dia seguinte à inauguração do cine Comodoro Cinerama:

Texto original do artigo:
INAUGURADO O CINERAMA - Sem a presença do presidente da República, apresentou-se ontem à tarde o primeiro espetáculo de Cinerama. O chefe da nação, à última hora, avisou que não poderia comparecer, em virtude de compromissos assumidos. Entretanto, uma viatura do Corpo de Bombeiros, na sessão noturna, foi levar refletores e segurança, e a banda de música da Força Pública também compareceu, em uniforme especial. Cordões de isolamento demarcaram - no trecho da av. São João onde se localiza o cine Comodoro - um corredor para os carros - muitos dos quais com chapa branca - que conduziam os espectadores. Praças das Forças Armadas perfilavam-se nos dois lados da porta de entrada. Na parte livre da avenida, o fluxo do trafego se desenvolvia com dificuldade, a despeito dos vários guardas de serviço. Pequena multidão, mesmo com chuva, se aglomerava diante do cinema, entre os carros que passavam e os convidados que entravam. Na foto, uma vista do movimento defronte ao cinema.
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Notícias Interessantes (Cinerama)

Do jornal "Correio da Manhã", de 26/10/1952:



SURGE O CINERAMA
Do Daily Express.

"UMA REVOLUÇÃO TÃO GRANDE QUANTO O ADVENTO DOS FILMES FALADOS"

Este é o Cinerama, o novo cinema com imagens do tamanho natural, resposta de Hollywood à televisão, que vem "prendendo os espectadores dentro de casa"...

Apresenta filmes coloridos, que as plateias vêem em três dimensões sem usar óculos para obter visão estereoscópica. A estereofonia reforça o realismo.

A ilusão é tão completa que os espectadores têm a impressão de estarem tomando parte na ação.

As pessoas se encolheram na cadeira para se protegerem contra os salpicos da marola criada pelas lanchas de corrida, na estreia do Cinerama de Nova York.

15 ANOS

Moveram-se instintivamente para um lado, a fim de criar "contra-peso", quando um artista pisou num dos bordos de pequena embarcação que adernou com o seu peso.

Quando um avião a jato se desloca na tela, o som se aproxima primeiro por trás dos espectadores, aumentando de volume conforme o "jato" se aproxima, dando a impressão exata de que o aparelho voa por dentro da casa de espetáculo.

Seu inventor, o norte-americano Fred Waller, que gastou uma fortuna durante os 15 anos de experiência, explica:
- "As câmeras usadas na filmagem in loco são as primeiras verdadeiramente capazes de "tomarem" cenas exatamente como se apresentam aos olhos humanos nos cenários naturais. O Cinerama "recria" as cenas com perfeição quase absoluta."

A filmagem é feita em três partes distintas, por três câmeras montadas lado a lado para cobrir um grande arco. Cada câmera registra uma terça parte da cena.

A lente da câmera central aponta diretamente. A lente da câmera da esquerda filma o lado direito da cena e a lente da câmera da direita filma o lado esquerdo.

No salão de projeção, os três rolos de filme são projetados por três projetores dispostos de maneira a projetarem a cena completa sobre uma tela curva de 63 pés de comprimento (aprox. 19 metros).

O engenheiro controlador de imagens mantém os filmes perfeitamente sincronizados, impedindo que as "junções" se transformem em superposições ou em interrupções.

TIRAS VERTICAIS

Aproximadamente 1100 tirinhas estreitas de linho formam a tela, que é umas três vezes maior do que a tela normal. As tiras são dispostas de forma a se sobreporem, formando uma tela curva muito forte, com centro de curvatura disposto do lado da plateia. Esse sistema oferece, pela primeira vez, o efeito estereoscópio sem aberração ótica.

Enquanto cenas são tomadas em cenário real, cinco microfones captam o som da ação coberta pelas câmeras. Esses sons são reproduzidos no salão de projeção por cinco alto-falantes colocados por trás da tela.

Alto-falantes extras dispostos nas paredes laterais e na parede traseira do salão de projeção reproduzem os sons mais distantes.

Após assistir à estreia do Cinerama, o maior empresário cinematográfico, Louis B. Mayer, o descreveu como "uma revolução tão grande quanto o advento dos filmes falados."

Sir Alexander Korda já esta negociando os direitos com os americanos para construir e operar Cineramas na Grã-Bretanha.

Agradeço a colaboração de Luiz Carlos P. da Silva e Nair B. P. da Silva.

Notícias interessantes (3ª Dimensão)

Este artigo mostra, devido a uma crise no mercado cinematográfico da época, novidades como a 3ª Dimensão, Cinerama e Cinemascope. Na época, o avanço da qualidade dos televisores era a maior preocupação dos exibidores e estúdios cinematográficos. O texto parece bem atual, pois atualmente a exibição está trazendo as mesmas novidades daquela época, como o 3D, as grandes telas e novos sistemas de som, mas com mais qualidade técnica. Hoje em dia, a preocupação é muito maior: TV aberta, TV a cabo, dvd's piratas, filmes baixados da Internet, etc. Que venham mais novidades! Nada se compara aos cinemas, aqueles com boa qualidade de projeção e áudio.






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Agradeço a colaboração de Luiz Carlos P. da Silva e Nair B. P. da Silva.
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BIBLIOGRAFIA DO BLOG

PRINCIPAIS FONTES DE PESQUISA

1. Arquivos institucionais e privados

Bibliotecas da Cinemateca Brasileira, FAAP - Fundação Armando Alvares Penteado e Faculdade de Arquitetura e Urbanismo - Mackenzie.

2. Principais publicações

Acervo digital dos jornais Correio de São Paulo, Correio Paulistano, O Estado de S.Paulo e Folha de S.Paulo.

Acervo digital dos periódicos A Cigarra, Cine-Reporter e Cinearte.

Site Arquivo Histórico de São Paulo - Inventário dos Espaços de Sociabilidade Cinematográfica na Cidade de São Paulo: 1895-1929, de José Inácio de Melo Souza.

Periódico Acrópole (1938 a 1971)

Livro Salões, Circos e Cinemas de São Paulo, de Vicente de Paula Araújo - Ed. Perspectiva - 1981

Livro Salas de Cinema em São Paulo, de Inimá Simões - PW/Secretaria Municipal de Cultura/Secretaria de Estado da Cultura - 1990

FONTES DE IMAGEM

Periódico Acrópole - Fotógrafos: José Moscardi, Leon Liberman, P. C. Scheier e Zanella.

Acervos particulares de Luiz Carlos Pereira da Silva, Caio Quintino e Ivani Cury.

PRINCIPAIS COLABORADORES

Luiz Carlos Pereira da Silva e João Luiz Vieira.

OUTRAS FONTES: INDICADAS NAS POSTAGENS.