Acervo Saudosa Sampa, de Carla Oliveira

Fotos de Carla Oliveira, publicadas na página Saudosa Sampa
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Cine Barão - 1968


Cine Coral - 1965
Cine Marabá
Cine Marabá
Cine Metro
Cine Niterói
Cine Paisandú
Cine Premier - 1970
Cine Regina - 1961
Cine Saci - 1968

Acervo Saudosa Sampa, de Carla Oliveira - Parte 2

Fotos de Carla Oliveira, publicadas na página Saudosa Sampa
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Cine Metrópole
Cine República - 1959
Cine Rex - 1958
Cine São Geraldo - 1985
Cine São Geraldo - 1985
Cine Universo (Letreiro à esquerda)

Cine São Paulo, documentário sobre o centenário cinema de rua de Dois Córregos (SP)

Por Antonio Ricardo Soriano

O documentário teve sua estreia no
É Tudo Verdade - Festival Internacional de Documentários 2017, com exibições em São Paulo e Rio de Janeiro.

Estive presente na última exibição em São Paulo, em 30/04/2017, com a presença de Amir Labaki (fundador e diretor do festival), Ricardo Martensen e Felipe Tomazelli (diretores do documentário) e do Sr. Francisco Teles, proprietário do Cine São Paulo e personagem central do filme.

A sessão lotou a Sala Paulo Emílio Salles Gomes, no Centro Cultural São Paulo e o documentário foi muito bem recebido e aplaudido pelo público presente.


Cine São Paulo ganha força ao captar o essencial
Por Cássio Starling Carlos
Crítico, curador, pesquisador e professor de história do audiovisual.

Sonhos, paixões, perdas, confrontos e, ocasionalmente, conquistas fazem parte da vida de todo mundo. Também são ingredientes comuns aos filmes. Não por acaso, o cinema se tornou a arte mais popular já inventada.

"Cine São Paulo" usa esse material para contar a história do proprietário de uma sala de cinema centenária em Dois Córregos, no interior paulista.

'Seu Chico', como os diretores Ricardo Martensen e Felipe Tomazelli apresenta sem muita reverência o protagonista, luta para reabrir a sala, construída em 1910, comprada pelo pai dele em 1940 e, mais tarde, mantida por ele com a ajuda da esposa e dos filhos.

A justiça determinou o fechamento do espaço, que não mais cumpre as condições mínimas de segurança, e o dono junta suas economias para levar a cabo uma reforma cara.

Aos 72 anos, 'Seu Chico' precisa ainda convencer a esposa de que o investimento não é uma aventura de velho teimoso, um apego ao passado que se foi.

Os projetores ficaram ultrapassados, a estrutura elétrica está obsoleta, e a sala precisa de diversos itens de segurança. Pior, o público tem como ver filmes até em telas de celular.

'Seu Chico' revela, nas primeiras cenas, um sonho recorrente. Diz que entra no cinema, encontra tudo no lugar, mas os projetores não estão mais lá. "Tenho de marcar uma reunião com Freud", pensa em voz alta.

Como dono da sala, seu papel principal era o de projecionista, um trabalho estafante e nada fascinante para alguém que não despista a paixão maior pelo cinema.

As anotações num livro de registros sobrepõem datas importantes, como a do nascimento de 'Chico' e o início de seu namoro, aos títulos dos filmes que estavam sendo exibidos naqueles dias. As memórias pessoais evocam os momentos de apogeu e de decadência da sala. Um precioso registro em vídeo revela como 'Chico' se vê na imagem.

Nesse relato que confunde vida e cinema, "Cine São Paulo" ganha força ao captar o essencial, o combustível que move seu personagem, evitando, desse modo, diluir-se em banalidades ou só focalizar o edificante.

Sua qualidade não resulta apenas da história pronta para seduzir cinéfilos de todas as idades, mas da combinação de drama, suspense, uma boa cena de conflito e fartas doses de empatia. Sem esquecer que pouca gente resiste a um final feliz.

'Cine São Paulo' vence prêmio de melhor documentário no festival de Biarritz, na França.
Clique aqui para ler o texto de Daniella Franco, publicado em 01/10/2017.
Clique aqui para ver o vídeo da premiação.

Fotos da exibição realizada em 30/04/2017, às 20hs, na Sala Paulo Emílio Salles Gomes, do Centro Cultural São Paulo :

Apresentação do festival por seu fundador, Amir Labaki

Sr. Francisco Teles (proprietário do Cine São Paulo) e sua esposa

Amir Labaki e os diretores Felipe Tomazelli e Ricardo Martensen

Amir Labaki, Sr. Francisco Teles e esposa, e os diretores do documentário

Amir Labaki, Sr. Francisco Teles e esposa, e os diretores do documentário

Fábrica de sonhos: conheça a história e a trajetória do Espaço Itaú de Cinema

25º ANO DO ESPAÇO ITAÚ AUGUSTA! 
(Antes, cine Majestic)

Ele é uma enciclopédia ambulante, cheio de histórias e fatos para contar das mais de duas décadas cuidando das famosas salas e do saguão do Espaço Itaú de Cinema, na Rua Augusta paulistana. Numa visita cotidiana, Adhemar Oliveira distribui sorrisos e simpatias para todos os funcionários e para nossa equipe, que ele recebe para contar um pouco sobre seu orgulhoso trabalho de muitos anos com o cinema. Adhemar é um dos responsáveis pelo famoso roteiro de cinema alternativo do Espaço Itaú de Cinema da Rua Augusta, em São Paulo.
Exibidor, distribuidor e empresário, até chegar ao Espaço Itaú, Adhemar esteve à frente de diversos cineclubes e salas no Rio e São Paulo, ajudando a fomentar um tipo de cinema de rua, alternativo e proeminente na produção cinematográfica local, como ele acredita ser o Espaço Itaú da Augusta.
  “Este cinema foi o espaço responsável pela retomada de colocar os filmes brasileiros em cartaz”, diz Adhemar, sem meias palavras, ao lembrar-se do impacto no roteiro cultural com o surgimento da sala em 1993, época que a produção cinematográfica estava “alijada”. “Em 1995 ‘Carlota Joaquina’ ficou 6 meses, um sucesso. Era ‘Carlota Joaquina’, ‘Sábado’ e ‘Vem Dormir Comigo’, formando uma frase engraçada no letreiro grande que tinha na rua (risos)”.
Na época com o apoio do banco Unibanco, que veio a ser fundido com o Itaú em 2008, Adhemar nota como o patrocínio deixava os exibidores à vontade para apostas - e na época o cinema nacional era um nicho a ser redescoberto. Em 94 nós apresentamos oito filmes brasileiros para 100 mil espectadores. Em 95 fizemos 300 mil espectadores só com os brasileiros, uma retomada que colocou o cinema brasileiro de pé. E ganhamos dinheiro com isso!”, gaba-se. “Nosso cinema era considerado ótimo, e essa aliança com os filmes brasileiros, que não eram considerados ótimos à época, fez a dialética da coisa: um cinema bom jamais apresentaria um filme ruim, então reinventamos a apreciação desses filmes”, diz Adhemar, explicando como a vitrine do então Espaço Unibanco trouxe olhares e público para a produção local.
Inaugurado em 6 de outubro de 1993 com o filme “O Banquete de Casamento”, de Ang Lee, como Espaço Banco Nacional de Cinema, a sala ocupou o ponto do antigo cine Majestic, de sala única e tela gigante  -  a cinerama, de 22 metros. Por seu trabalho em cineclubes, desde os tempos de estudante em Jaboticabal, interior de SP, na USP, e em suas atuações na Estação Botafogo do Rio, Adhemar foi escalado pelo Banco Nacional, que veio mais à frente ser assimilado pelo Unibanco, a bolar um novo ponto cultural na cidade.
  “Eu estava procurando um lugar, aí desci aqui na Augusta quando notei a correria de um assalto a um ônibus”, relembra Adhemar, com mais uma de suas ótimas histórias. Passado o burburinho, vejo uma placa ‘aluga-se’ num cinema velho no outro lado da rua. Dei um dinheiro para o cara que tomava conta e peguei o telefone direto do proprietário. Aqui era cheio de prostitutas na porta, visitamos, e acabei fechando com eles”.
Adhemar destaca os acertos do novo cinema na desprezada Rua Augusta dos anos 1990. “O que marcou - e marca até hoje  foi o saguão entre as salas. Antes o Majestic tinha a entrada quase na calçada direto pra sala. Nós abrimos um espaço como uma praça, onde cabem 500 pessoas circulando, para eventos e recepções. É a alma do nosso cinema esse espaço. Dois meses depois da abertura o investimento do banco estava pago, um mês depois, explodiu. Era um cinema moderno, equipamento de primeira, com programação alternativa”.
O Espaço Banco Nacional, que veio a se tornar Espaço Unibanco e hoje Espaço Itaú, é famoso ponto de encontro da moçada e da intelectualidade paulistana, tanto que suas exibições de filmes alternativos, documentários e brasileiros, além de eventos gerais, geram filas que são tão famosas quanto às próprias exibições. “Lembro nos anos 90 quando juntamos para uma mesa Chico Buarque, Saramago e Sebastião Salgado, na Sala 1. Transmitimos no saguão, nas outras salas, e na hora de ir embora foi uma confusão! Como fazia pra tirar eles pela única saída?”, diverte-se.
A alma de “cineclube”, mas com um olhar sagaz para os negócios e um espírito de redemocratização do cinema nacional são outros aspectos destacados por Adhemar, que é sócio dessa e de outras salas até hoje, funcionário que “faz tudo, até a limpeza!”. Outro marco de seu trabalho com o cinema foi o desenvolvimento da sala “Arteplex”, que teve estreia no Espaço Unibanco do Shopping Frei Caneca, misturando filmes do roteiro alternativo e sucessos blockbusters todos no mesmo ambiente de exibição. “A gente era visto como cinema de arte, uma coisa ilhada. Com o Arteplex, a gente explodiu ainda mais, pois tratamos o cinema de uma forma mais abrangente”.
O exibidor conta que percebeu que havia similaridades entre o circuito alternativo e o comercial com o filme “Star Wars”, um clássico do cinema que mesmo amantes do roteiro cinéfilo iam acabar assistindo uma hora. “O pessoal ia ver o ‘Star Wars’ em outra sala, e eu ia perder dinheiro! Pensei que tinha que renovar a plateia, o pai trazer o filho adolescente. Aí abri o Arteplex no Frei Caneca misturando esses dois espíritos e foi um sucesso, 45% de taxa de ocupação!”, celebra, reforçando como o Espaço da Augusta é que ajudou a gerar esse e outros desdobramentos do roteiro cinematográfico da cidade. “Esse cinema, mais do que qualquer outro, funcionou como uma fábrica: tanto de projetos, como de pensamento…”.

  “Quase todos os cineastas da nova geração (ele cita Beto Brandt, Tata Amaral, Paulo Caldas, e etc.), nasceram aqui. E é assim que anda”. Adhemar diz que uma das coisas gratificantes do seu trabalho é, aos 60 anos, sentir-se novamente jovem quando um cineasta de 18 anos vem apresentar seu filme para ele, já que é sabido que todo produtor de cinema no Brasil adoraria ver sua história no Espaço Itaú da Augusta  -  de preferência na Sala 1!.

  “Criou-se um mito, essa coisa de que se passa aqui, que o filme é bom (não necessariamente, depende do filme!). E isso por causa da nossa iniciativa de fundar lá em 1993, 1995, uma vitrine, uma aura para os filmes brasileiros, quando eles estavam prejudicados”. Adhemar conta a divertida história de que, na primeira entrevista sobre a fusão de Itaú e Unibanco, uma das primeiras perguntas terem sido “cliente Itaú também vai pagar meia?”, fato que provoca mais uma entre tantas gargalhadas nesse veterano exibidor de alma jovem.
  “Desde a época do Nacional o cliente paga meia e pode comprar o ingresso com cartão de crédito, inovações que são nossas”, conta. “E isso é parte do papel do cinema, que é criar. Passar filme qualquer um passa, criar uma programação depende muito de ter uma boa antena”.
Texto da assessoria de imprensa do Espaço Itaú de Cinemas.
“Se ainda temos cinemas de rua em São Paulo, devemos isso ao Adhemar Oliveira. Ele entrou para a história da exibição cinematográfica brasileira, assim como Francisco Serrador, Paulo Sá Pinto e tantos outros empresários exibidores, corajosos e visionários”. – Antonio Ricardo Soriano
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BIBLIOGRAFIA DO BLOG

PRINCIPAIS FONTES DE PESQUISA

1. Arquivos institucionais e privados

Bibliotecas da Cinemateca Brasileira, FAAP - Fundação Armando Alvares Penteado e Faculdade de Arquitetura e Urbanismo - Mackenzie.

2. Principais publicações

Acervo digital dos jornais Correio de São Paulo, Correio Paulistano, O Estado de S.Paulo e Folha de S.Paulo.

Acervo digital dos periódicos A Cigarra, Cine-Reporter e Cinearte.

Site Arquivo Histórico de São Paulo - Inventário dos Espaços de Sociabilidade Cinematográfica na Cidade de São Paulo: 1895-1929, de José Inácio de Melo Souza.

Periódico Acrópole (1938 a 1971)

Livro Salões, Circos e Cinemas de São Paulo, de Vicente de Paula Araújo - Ed. Perspectiva - 1981

Livro Salas de Cinema em São Paulo, de Inimá Simões - PW/Secretaria Municipal de Cultura/Secretaria de Estado da Cultura - 1990

FONTES DE IMAGEM

Periódico Acrópole - Fotógrafos: José Moscardi, Leon Liberman, P. C. Scheier e Zanella.

Acervos particulares de Luiz Carlos Pereira da Silva, Caio Quintino e Ivani Cury.

PRINCIPAIS COLABORADORES

Luiz Carlos Pereira da Silva e João Luiz Vieira.

OUTRAS FONTES: INDICADAS NAS POSTAGENS.