Os cinemas drive-in

Por Antonio Ricardo Soriano

Um cinema drive-in é uma forma de cinema que consiste em uma grande tela, tipo “outdoor”, uma cabine de projeção, uma lanchonete e uma grande área de estacionamento para automóveis. Dentro desta área fechada, os clientes podem ver filmes a partir da privacidade e conforto de seus carros.
A tela pode ser tão simples como uma parede pintada de branco ou pode ser uma estrutura de chapa de aço com um acabamento especial.

Originalmente, o som do filme vinha por alto-falantes instalados perto da tela ou por um alto-falante pendurado individualmente na janela de cada carro (como na foto abaixo). Este sistema foi substituído por um método de transmissão de trilha sonora em uma potência de saída baixa em rádios AM ou FM em uma determinada freqüência, para ser apanhada por todos os carros (mais econômico e menos propenso a danos materiais). Este método também permitiu que a trilha sonora fosse transmitida em estéreo.



Instalações
Tal como acontece com cinemas do interior, a lanchonete, também chamada de snack-bar, é onde um drive-in ganha a maioria de seus lucros. O snack-bar típico oferece qualquer alimento que pode ser servido rapidamente, como cachorro-quente, pizza, hambúrguer, pipoca, refrigerante, café, chocolate quente, sorvete, doces e batata frita.
Alguns gerentes de drive-in acrescentaram playgrounds para crianças, entre a tela e a primeira linha de carros. Outros ainda foram mais longe, como a adição de ferrovias em miniatura e mini-golfe.

História
O cinema drive-in foi uma criação do magnata americano Richard M. Hollingshead Jr. A idéia surgiu decorrente de um problema de família: a mãe de Richard era obesa e não cabia nos assentos de uma sala de cinema. "Portanto, decidiu colocá-la em um carro, pôr um projetor de 1928 na capota e amarrar dois lençóis nas árvores de seu jardim", contou Jim Kopp, da Associação de Proprietários de Drive-ins dos Estados Unidos.



Em 1932, Richard realizou vários testes em sua garagem. Após essas experiências, ele registrou, em 6 de agosto de 1932, uma patente de sua invenção, sendo aprovada em 16 de maio de 1933. Mas devido à falta de pagamentos de taxas devidas, acabou sendo julgado e teve a patente considerada invalida em 1950.
Com três investidores, Willis Smith, Edward Ellis e Oliver Willets, Richard formou uma empresa chamada Park-It Theatres e abriu, em 6 de junho de 1933, o seu primeiro drive-in, o Automobile Movie Theatre, numa grande área em Camden, New Jersey, EUA e custou cerca de US$ 60 mil dólares.



Ele anunciava o seu drive-in com o slogan "A família toda é bem-vinda, independentemente de como as crianças são barulhentas”. A tela tinha 12 de altura por 15 metros de comprimento com 6 alto-falantes RCA Victor. O primeiro filme exibido foi uma comédia britânica chamada Wives Beware, estrelado por Adolphe Menjou. O preço do ingresso foi de $0,25 por pessoa e $0,25 por automóvel, com um custo máximo de $1. Richard vendeu o cinema em 1935 e abriu outro.
A partir de 1934, outros drive-ins foram abertos:


Shankweiler's Auto Park, Orefield, Pennsylvania (15/04/1934)




Pico, Westwood, Los Angeles (09/09/1934)


Weymouth Drive-In Theatre, Weymouth (06/05/1936)
Em 1937, mais três foram inaugurados em Ohio, Massachusetts e Rhode Island, e mais doze, entre 1938 e 1939, na Califórnia, Flórida, Maine, Maryland, Massachusetts, Michigan, New York, Texas e Virginia.

A fase áurea
A fase áurea dos drive-ins veio no final dos anos 50 e início dos anos 60, particularmente nas áreas rurais, com cerca de 4.000 unidades espalhadas por todo EUA. Entre suas vantagens foi o fato de que uma família com um bebê poderia cuidar de seu filho enquanto assistia a um filme, enquanto os adolescentes também podiam ter acesso com seus automóveis.

Romantismo
Os drive-ins já foram retratados em inúmeros filmes clássicos, especialmente entre as décadas de 50 e 70, quando os cinemas ao ar livre eram bastante populares e faziam parte essencial da cultura norte-americana. Eram frequentados por todos, desde casais, que aproveitavam o clima romântico para assistir aos filmes na privacidade de seus próprios carros, até grupos de amigos, que preferiram drive-ins por ser um ambiente descontraído e onde, inclusive, era permitido o consumo de bebida alcoólica.
"Era o casamento perfeito", disse Susan Sanders, autora do livro The American Drive-In Movie Theatre. "Os jovens podiam se reunir ali e os estúdios perceberam que deviam fazer filmes para eles". Isso fica evidente em cenas clássicas de filmes como Grease - Nos Tempos da Brilhantina, de 1978, e De Volta para o Futuro III, de 1990.

Limitações e problemas
Os drive-ins eram mais limitados do que os cinemas de rua, pois as apresentações eram apenas noturnas. Houve tentativas frustradas de criar condições adequadas para projeções durante o dia, como locais cobertos, mas nada viável foi desenvolvido.
Durante os anos 70, alguns drive-ins começaram a mostrar filmes pornográficos para obterem renda extra. Isto se tornou um problema, porque permitiu materiais censurados estarem disponíveis para o grande público.

Declínio - causas
Nas décadas de 80 e 90, as grandes áreas, onde eram instalados os drive-ins, ficaram cada vez mais caras, para que eles pudessem operar com sucesso. Além disso, eles tinham maior público apenas no verão e com a criação do “horário de verão”, diminui em uma hora o horário noturno, fundamental para as exibições.
Com a chegada dos televisores em cores e dos videocassetes, os drive-ins tiveram a popularidade em declínio acentuado. Os poucos que sobreviveram a este período apelaram para uma audiência mais alternativa, exibindo principalmente filmes de baixa qualidade que eram bastante violentos e que exploravam temas de sexualidade.
Eles passaram a ter, de um modo geral, apenas frequentadores nostálgicos, apesar de alguns drive-ins ainda continuarem operando com sucesso em algumas áreas.

O retorno
Na virada do século, porém, os drive-ins se tornaram novamente populares e passaram a ser frequentados por casais e grupos de amigos, além de famílias inteiras.
Surgiu, também, o movimento Guerrilla drive-in, em que grupos de indivíduos se dedicam a projetar filmes ao ar livre. Estas apresentações são frequentemente organizadas pela internet e os participantes se reúnem em locais específicos para assistir a filmes projetados em pilares de pontes ou armazéns. Os conteúdos apresentados nesses encontros são de filmes independentes ou experimentais, filmes Cult ou outra forma de programação alternativa. Alguns encontros foram realizados em drive-ins.


O intuito dos drive-ins de hoje é justamente permitir que os frequentadores tenham uma experiência nostálgica, já que tudo no cinema drive-in, desde os cartazes e propagandas até a lanchonete e os desenhos que passam nos intervalos, entre os filmes, lembram as décadas de 50 e 60. O cantor e guitarrista canadense Bryan Adams diz em uma de suas canções mais populares: "Passava as tardes no drive-in e ali foi onde lhe conheci", antes de afirmar: "Aqueles foram os melhores dias da minha vida".
Fontes de pesquisa (sites):
Oi Toronto
Cinema com Rapadura
Wikipedia
Leia mais sobre cinemas ao ar livre no Brasil:
A última sessão
O maior cinema ao ar livre do país
Cine Drive-in de Brasília - Pura nostalgia
O Cine Drive-in de Brasília no Fantástico
Fantástico conta a história de Marisa, uma mulher piauiense que trabalha em um drive-in de Brasília

Leia mais sobre “drive-ins” no mundo:
Cinema Treasures - Drive-ins

Austrália
Australian Open Drive-in Theatres

Alemanha
Evented Erlebnismanagement
Canadá
5 Drive-in Theatre
Twilight Drive-in

Estados Unidos
Blue Starlite Urban Boutique Drive-in Theatre
Starlight Drive-in Theatre
Mission Tiki Drive-in Theatre
Vali-Hi Drive-in Theatre
Delsea Drive-in Theatre
Van Buren Drive-in Theatre
Skyview Drive-in Theatre
Rubidoux Drive-in Theatre
Transit Drive-in Theatre

Inglaterra
Starlite Urban Drive-in

Leia sobre exibições ao ar livre:
Telas infláveis
Hollywood Outdoor Movies
Recine
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BIBLIOGRAFIA DO BLOG

PRINCIPAIS FONTES DE PESQUISA

1. Arquivos institucionais e privados

Bibliotecas da Cinemateca Brasileira, FAAP - Fundação Armando Alvares Penteado e Faculdade de Arquitetura e Urbanismo - Mackenzie.

2. Principais publicações

Acervo digital dos jornais Correio de São Paulo, Correio Paulistano, O Estado de S.Paulo e Folha de S.Paulo.

Acervo digital dos periódicos A Cigarra, Cine-Reporter e Cinearte.

Site Arquivo Histórico de São Paulo - Inventário dos Espaços de Sociabilidade Cinematográfica na Cidade de São Paulo: 1895-1929, de José Inácio de Melo Souza.

Periódico Acrópole (1938 a 1971)

Livro Salões, Circos e Cinemas de São Paulo, de Vicente de Paula Araújo - Ed. Perspectiva - 1981

Livro Salas de Cinema em São Paulo, de Inimá Simões - PW/Secretaria Municipal de Cultura/Secretaria de Estado da Cultura - 1990

FONTES DE IMAGEM

Periódico Acrópole - Fotógrafos: José Moscardi, Leon Liberman, P. C. Scheier e Zanella.

Acervos particulares de Luiz Carlos Pereira da Silva, Caio Quintino e Ivani Cury.

PRINCIPAIS COLABORADORES

Luiz Carlos Pereira da Silva e João Luiz Vieira.

OUTRAS FONTES: INDICADAS NAS POSTAGENS.