22/11/2014

O cine Comodoro

Por Antonio Ricardo Soriano e Atilio Santarelli
Colaboradores: Alexandre Cintra Canteruccio, Hugo Canteruccio, Kleber Mendonça Filho, João Carlos Reis Pinto, Marcello Branco, Eli Mendes, e João Luiz Vieira
A inauguração
Frente do cinema no dia da festa de sua inauguração (Folha da Manhã, 15/08/59)
O cine Comodoro localizava-se na Avenida São João, 1462 (no centro da capital). A festa de inauguração do cinema foi realizada, às 14 horas, do dia 14 de Agosto de 1959 e foi divulgada no jornal "Folha da Manhã", de 15/08/1959. Teve a presença da Banda de Música da Força Pública, com uniforme especial. Uma viatura do Corpo de Bombeiros, na sessão noturna, levou refletores e segurança. Cordões de isolamento demarcaram, em frente ao cinema, um corredor para os carros que traziam convidados especiais e praças das Forças Armadas perfilavam-se nos dois lados da porta de entrada. Havia-se anunciado a presença do Presidente da República, mas ele não compareceu.

Anúncio de inauguração do cine Comodoro (Folha da Manhã, 15/08/1959)
Artigo do jornal "Folha da Manhã" de 19/08/1959:
"Isto é Cinerama"
Com duas sessões especiais, uma dedicada a critica falada e escrita de São Paulo e Rio, outra, de gala, na noite de sexta-feira última, inaugurou-se nesta capital, o Cinerama, processo óptico e eletrônico a constituir-se em novo espetáculo cinematográfico, surgido logo após a última guerra e há anos funcionando, com grande êxito, nas principais cidades de muitos países do mundo. Na capital paulista, construiu-se uma sala funcional, destinada a comportar a complexa aparelhagem do cinerama, os seus três enormes projetores, dispostos em meio arco, a convergir, simultaneamente, o tríplice feixe luminoso na ampla tela convexa e metálica do palco, seus amplificadores e alto-falantes colocados por toda a sala, de forma a proporcionar a audição de planos de som, em alta fidelidade, o chamado "som estereofônico" ou "som em relevo". A sala do Cinerama, o cine Comodoro, está instalada na av. São João e possui todos os últimos aperfeiçoamentos do processo e de seus sistemas de som, tudo disposto em arquitetura sóbria e decoração simplíssima. Embora não muito grande, a sala do Comodoro é confortável, de ambiente agradável.
A sessão inaugural iniciou-se com a apresentação de uma síntese da história do Cinema, contada pela imagem comum, em branco e preto, e pela voz de Lowell Thomas, antigo colaborador de Fred Waller, o inventor do Cinerama, falecido há pouco tempo. Essa apresentação, por sinal, foi o lado lamentável do espetáculo, eis que nessa falsa "história do cinema" se menciona o nome e a ação de todos os inventores norte-americanos e ingleses que colaboraram na descoberta e no aperfeiçoamento do cinema, sendo, entretanto, esquecida a contribuição francesa, com a omissão dos nomes e dos inventos de seus pesquisadores, Joseph Plateau, o "fuzil fotográfico" de Marey, antecedendo o seu aparelho "cronofotográfico", Georges Demeny, o "teatro óptico" de Reynaud, até chegar-se ao "cinématographe" dos irmãos Lumière, os verdadeiros inventores da câmara cinematográfica, com a sua estrutura mecânica e física até hoje a funcionar na criação do espetáculo cinematográfico. Isso tudo foi esquecido nessa "história do cinema" parcial, que torna antipática e suspeita a apresentação do Cinerama, o que é pena, realmente, pois as conquistas do espírito humano, depois de postas ao alcance do domínio público, não pertencem a ninguém, nem conhecem fronteiras, são apenas peças do patrimônio de toda a humanidade.
Quanto ao espetáculo proporcionado pelo Cinerama, não há dúvida, é uma curiosa e fascinante apresentação audiovisual, mas a prescindir da linguagem e da estética do cinema. Não proporciona ainda, a técnica do Cinerama, uma visão plenamente realizada dos aspectos do mundo, dadas certas imperfeições na junção das imagens e no sincronismo dos três projetores, coisa, aliás, a não se constituir em defeito intolerável e que, possivelmente, possa a vir desaparecer com aperfeiçoamentos futuros. Algumas seqüências de "Isto é Cinerama", contudo, se apresentam revestidas de inegável beleza e, por vezes, de impressionante realismo. Assim é na sequência da montanha russa, na do passeio em gôndola pelos canais de Veneza, ou em barco nos lagos da Flórida, isto é, quando há movimento intenso na estrutura da imagem. Já nas cenas estáticas - a opera no "Scala" de Milão, o coro dos Meninos Cantores de Viena, ou numa catedral norte-americana - a impressão do relevo é menos real e a junção defeituosa das três imagens se salienta um pouco mais. De qualquer forma, aí está um espetáculo curioso, que só a audácia de um homem de muita visão, o Sr. Paulo Sá Pinto, traria para São Paulo, no lastro de outras realizações suas, como as das salas de alto luxo, por exemplo, Rivoli e Olido, recentemente inauguradas. - B. J. Duarte
A “Empresa Cinematográfica Comodoro”, trouxe o sistema *Cinerama para o Brasil e, através de um contrato, teve dois anos de exclusividade para exibi-lo. O cinema foi construído especialmente para receber o Cinerama e de baixo de sua marquise havia o letreiro “sistema que revolucionou o mundo das diversões”.
Detalhe para as três cabines de projeção do sistema Cinerama original
Interior do cinema na época de sua inauguração
O fundador: Paulo Sá Pinto (1912-1991)
Paulo Barreto de Sá Pinto foi um dos maiores empresários da história da exibição cinematográfica no Brasil (São Paulo e mais seis capitais brasileiras).
Paulo Sá Pinto (Folha da Manhã - 11/07/62)
Mineiro da cidade de Santos Dumont, Paulo Sá Pinto veio ainda criança para o Rio de Janeiro e seu primeiro emprego foi como conferente de alfândega, no Cais do Porto. Depois se transferiu para Porto Alegre, onde teria trabalhado em publicidade e começado a se interessar pela área de exibição. Seria, entretanto, em São Paulo, que fundaria a “Empresa Cinematográfica Paulista”, cujo os primeiros cinemas construídos foram o Ritz (1943) e o Marabá (1945). No final dos anos 40, expandiu o seu “circuito de cinemas” para Porto Alegre e Curitiba, fundando a “Empresa Cinematográfica Sul”.
Foi ele, o primeiro a exibir *Cinemascope no Brasil, lançando “O Manto Sagrado” no cine República (onde instalou uma tela gigantesca), em 22 de fevereiro de 1954, quando comemorava seus 42 anos e São Paulo sediava um Festival Internacional de Cinema, dentro das comemorações de seu 4º centenário.
Ele sempre foi inovador. Ao ver em Nova York um filme em Cinerama, “This Is Cinerama” (1952), decidiu instalar o sistema em uma de suas salas, o Comodoro, fazendo de São Paulo, a única cidade brasileira que realmente assistiu ao Cinerama legítimo, com três projetores trabalhando simultâneamente. Quando inaugurou o cine Olido, em dezembro de 1959, em São Paulo, com ”Tarde Demais para Esquecer”, levou uma orquestra sinfônica para apresentar o clássico tema “An Affair To Remember”.
Pouco tempo antes de falecer, Paulo Sá Pinto, já gravemente doente, ainda comandava suas empresas, que administravam uma rede de mais 60 cinemas espalhados em sete capitais (só em São Paulo, 40 salas), tendo como sócios, os irmãos Magalhães Rodrigues e Francisco José Lucas Neto. Além disso, era sócio de vários outros empreendimentos e da distribuidora Art filmes. Despachava em seu gabinete na Avenida São João, com sua fiel secretária, dona Lourdes Peixoto, que o acompanhou por mais de 30 anos.
Paulo Sá Pinto faleceu em 24 de janeiro de 1991, no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, vítima de insuficiência respiratória, ocasionada por problemas no pulmão.
Exibições especiais
A 1ª Exibição
“Isto é Cinerama” (This Is Cinerama, EUA, 1952) foi o primeiro filme exibido e lotou os 1400 lugares do cinema (incluindo platéia e balcão). João Luiz Vieira descreve esta exibição em seu texto “Não dá para esquecer o impacto que era entrar no cinema”:
“Os espectadores iam enchendo a sala aos poucos e, em seguida, as luzes começavam a diminuir enquanto que as cortinas se abriam o suficiente para mostrar uma imagem quadrada, correspondente ao tamanho dos 35 mm. normal. Na tela, em preto e branco, aparecia um documentário, apresentado por Lowell Thomas, produtor do espetáculo, que fazia um breve histórico cronológico e evolutivo das imagens em movimento, indo até a pré-história e o homem da caverna até, claro, o Cinerama, a 'maior conquista do homem', etc. Mostrava as câmeras, descrevia o processo de filmagem até que finalmente anunciava a novidade aos espectadores: ‘...e agora, senhoras e senhores... vamos ao Cinerama!’ conclamando a platéia e inscrevendo-a diretamente dentro do espetáculo. Aí, já colorida, surgia a imagem do trenzinho subindo uma célebre montanha russa de Coney Island, no Brooklyn, imagem que se formava aos poucos, diante de nossos olhos maravilhados, exatamente sincronizada com as cortinas que, então, se abriam completamente”.

Pôster americano do filme "Isto é Cinerama"
“Quando o trenzinho chegava à parte mais alta da estrutura da montanha russa, a imagem estava completa e a tela curva completamente aberta com os três projetores em ação. Começava a queda vertiginosa do trenzinho ao mesmo tempo em que, por toda a sala, o som estereofônico se abria, num envolvimento com o espetáculo absolutamente inédito até então. Era uma sensação física, os espectadores se agarravam nos braços das poltronas. Você, digamos, estava "dentro do espetáculo" e dele fazia parte, como a publicidade não cansava de enfatizar”.
“Dá para imaginar o impacto provocado por toda essa tecnologia, principalmente aos olhos de um garoto de dez anos de idade, quando tudo sempre parece ainda maior. Todas as sessões tinham prólogo, intervalo e, no final, com as cortinas já fechadas, ainda apresentavam uma “música de saída” que acompanhava os espectadores no esvaziamento da sala. Era um ritual de verdade, incluindo os espectadores, em geral, bem arrumados”.
Outras exibições especiais
Infelizmente, o filme "A Conquista do Oeste" (How the West Was Won - 1962), único filme de longa-metragem rodado no sistema Cinerama original, não foi exibido no Comodoro. Estreiou, no cine Metro, em 08/07/1965 (informação, gentilmente, cedida pelo colaborador João Carlos Reis Pinto), enquanto que no Comodoro era reprisado, novamente, "Cinerama em Busca do Paraíso".
João Luiz Vieira, também, descreve em seu texto, outras exibições especiais no Comodoro: "Foram exibidos e muito reprisados, entre 1959 e 1965, os filmes produzidos no processo Cinerama original":
"Cinerama Holiday" (1955) - Estréia em 25/11/1960
"As Sete Maravilhas do Mundo" (Seven Wonders of the World, 1956) - Estréia em 09/03/1960
"Cinerama em Busca do Paraíso" (Search For Paradise, 1957) - Estréia em 18/05/1961
"Aventuras nos Mares do Sul" (South Seas Adventure, 1958)" - Estréia em 31/10/1961
"Velas ao Vento" (Windjammer, 1958) - Estréia em 23/03/1963
"Pelos títulos, dá bem para imaginar o que eram esse filmes de viagens. Depois, o formato se esgotou, não tinham mais filmes e, em 1966, o cinema foi reformado para exibir, em sua mesma tela gigantesca e curva, películas em 70 mm. (no princípio ainda mantendo o nome de Super-Cinerama), sem emendas, com um único projetor. Foi reinaugurado, em 20/08/1966, com o filme "Uma Batalha no Inferno" (Battle of the Bulge, 1965). Continuei assistindo ali a filmes exibidos ainda com exclusividade, em Super Cinerama, como "Khartoum - A Batalha do Nilo" (Khartoum, 1966), "Nas Trilhas da Aventura" (The Hallelujah Trail, 1965), "Krakatoa - o Inferno de Java (Krakatoa East of Java, 1969)", além de versões ampliadas, de 35 mm. para 70 mm., como "Os Dez Mandamentos" (The Ten Commandments, 1956), por exemplo, entre muitos outros".
Frente do cine Comodoro na estréia do filme "Terremoto"
Em 1974, houve uma exibição que causou muita repercussão. O filme "Terremoto" (Earthquake) foi exibido com um sistema de som diferente, chamado "Sensurround". Tratava-se de um esquema especial de alto-falantes de baixa freqüência que era emprestado pelos distribuidor do filme. O sistema, que pode ser considerado o "avô do sub-woofer", era tão poderoso, que provocou tremores no prédio onde se localizava o cinema e gerou reclamações dos moradores. O sistema só era usado nas cenas em que o terremoto estava acontecendo. "Terremoto" foi exibido exclusivamente no Comodoro e ficou em cartaz por quase 10 meses.
Em 1992, o fã-clube Frota Estelar Brasil, em parceria com a Paramount Pictures do Brasil, "fechou" o Comodoro para a pré-estréia do filme “Jornada nas Estrelas VI – A Terra Desconhecida”. Lá estiveram cerca de mil fãs devidamente uniformizados e fantasiados.
A projeção e a tela
O Comodoro foi construído com o que havia de melhor nos quesitos projeção e tela. A tela media 20 metros de comprimento por 7 de altura, com 146 graus de curvatura, em função do processo de projeções simultâneas do sistema Cinerama. Formada por um conjunto de inúmeras tiras de náilon, a tela ficava atrás de uma enorme cortina vermelha.
Kleber Mendonça Filho descreve a impressão que se tinha ao ver o formato e o tamanho da tela, em seu texto "Comodoro visitado antes do incêndio": "... impossível não babar ao olhar para a cortina vermelha em camadas, fechada. A tela era mesmo tão curva, teria que olhar para trás, por cima dos ombros, para ver as pontas da tela, esquerda e direita. Você sentia-se cercado pela tela de cinema".
A tela do Comodoro e sua enorme cortina (Livro "Salas de Cinema de São Paulo")
Para a exibição dos filmes em Cinerama, o Comodoro era equipado com três projetores americanos de 35 mm. da marca Century (com lanternas Ashcraft Suprex) e mais um projetor de 35 mm. da marca Simplex (modelo E7) só para exibição de jornais e documentários nacionais (naquela época havia uma lei que obrigava os proprietários de cinema a exibi-los).
Ilustração de uma sala de projeção Cinerama
Cabine de projeção Cinerama
Projetor Century 35 mm em uma cabine de projeção Cinerama
Os três projetores Century (cada um projetava em 1/3 da tela, para dar o efeito do Cinerama), depois de alguns anos, foram substituídos por dois fantásticos aparelhos da marca italiana Cinemecanica (modelo Vitória 10) que eram junto com os da marca Philips, os melhores projetores cinematográficos. Estes dois projetores já exibiam em bitola de 70 mm. ou 35 mm.
Projetor Cinemecanica (modelo Vitória 10) usado para projeção em 70 mm.
O som
O som do Comodoro era simplesmente o que de melhor existia no mercado cinematográfico de exibição. Eram amplificadores * Dolby stereo (modelo CT 100).
Interior do Comodoro ainda em construção (Folha da Tarde, 28/07/59)
As caixas-acústicas, visíveis na foto, davam a impressão que eram enormes, mas na verdade eram alto-falantes (Altec 515) de 15 polegadas com 35 watts, somente. As sete caixas-acústicas, fixadas atrás da tela de projeção, tinham as laterais feitas com enormes chapas lisas de compensado, que aproveitavam a ressonância da caixa e com isso emitiam som de baixa freqüência, pois naquela época não existiam equipamentos para sub-woofer.
De 70 mm. para 35 mm.
Em 1991, o Comodoro já projetava filmes em 35 mm. (cópia normal) e, após intervenção judicial, teve que modificar os escritos de 70 mm. da fachada. A projeção ocupava somente metade de sua grande tela, mas o som ainda continuava excelente. Uma das grandes produções exibidas neste período foi o filme "Os Intocáveis", de Brian De Palma.
Mesmo assim, diante de tanto declínio, o gerente do Comodoro parecia ser um apaixonado pelo cinema, pois passou a fechar, novamente, as enormes cortinas que cobriam a tela e somente abri-las no início da exibição. Nos anos 80, este culto, havia sido esquecido.
O fim do Comodoro
O jornal “Folha de S. Paulo” publicou em 24 de março de 1997:
Centro de São Paulo se despede de mais uma sala de cinema.
O tradicional Comodoro encerrou suas atividades ontem.
O cinema Comodoro, tradicional sala de projeção do centro da cidade, acaba de ser fechado. Ontem foi seu último dia de atividades. “Recebi ordens para fechar a sala no domingo, mas não sei o que aconteceu”, disse Roberto Antunes, coordenador da distribuidora de filmes Cinema International Corporation (CIC), em São Paulo.
Fachada do cinema em seu último dia de exibições (Veja São Paulo - 02/04/1997)
O incêndio
O jornal "Agora" publicou em 26 de agosto de 2000:
Fogo destrói antigo cinema Comodoro
Por Andréa Martins
O incêndio durou cerca de uma hora e pode ter sido causado por problemas na rede elétrica do cinema, disse o coronel Marques, do Corpo de Bombeiros do Cambuci.
Parte de trás do Comodoro (onde ficava a tela e platéia) em chamas
O fogo começou por volta das 19h15 de ontem nos fundos do cinema da avenida São João (região central), desativado desde março de 1997.
Ao todo, 21 carros do Corpo de Bombeiros e 90 homens participaram da operação. Segundo o coronel, toda a parte interna do cinema e o telhado foram destruídos. Ninguém ficou ferido.
Moradores dos blocos A e B do edifício Lucerna, que ficam em cima do cinema, disseram que desde o início da semana havia movimentação de pessoas fazendo limpeza no local. Segundo uma mulher, que não quis se identificar, o cinema foi comprado há dois anos pelos proprietários do Bingo Avenida São João, em frente ao cinema. Ela disse que o local foi invadido várias vezes por mendigos. Funcionários do bingo afirmaram que não havia nenhum responsável pelo estabelecimento no local.
Outros moradores do edifício disseram ter ouvido barulho de explosão. “Ouvi vários estampidos e barulho de vidros se quebrando”, afirmou o advogado João Ferreira, 60 anos, morador do prédio há dois anos.
Cada bloco do edifício tem 58 apartamentos. Muitos ficaram alagados com a ação dos bombeiros. “Minha casa ficou inundada”, contou Jéssica Emanuele, de 20 anos, moradora do 13º andar.
Mais fotos e informações do Comodoro no "Banco de Dados" do Blog.
* Cinerama - Para maiores informações sobre o Cinerama, acesse neste blog, os textos “Maravilhas do Cinerama” e “Não dá para esquecer o impacto que era entrar no cinema”, de João Luiz Vieira ou clique aqui.
* Cinemascope - Lentes anamórficas são lentes que conseguem filmar uma cena panorâmica sem ter de mudar o tamanho do quadro. Utilizando-se lentes semelhantes no projetor, a imagem comprimida (estreitada para caber no quadro) é ampliada até a proporção 2.35:1, formando uma cena cuja largura é mais do que o dobro da altura. O coeficiente entre altura e largura de um filme normal, seja 8 mm., 16 mm. ou 35 mm., é de 1.33:1. A primeira utilização comercial dessas lentes se deu no início da década de 60, quando os técnicos da Fox desenvolveram o processo widescreen, empregando as lentes anamórficas inventadas, em 1927, por Henri Chrétien. O processo foi batizado de Cinemascope.
Fotos do acervo particular de Antonio Ricardo Soriano e Atilio Santarelli.
Texto atualizado em 24/03/2011
ESTE TEXTO PODERÁ SER REPUBLICADO À MEDIDA QUE SURGIREM NOVAS INFORMAÇÕES SOBRE O CINE COMODORO CINERAMA.

Não dá para esquecer o impacto que era entrar no cinema

Por João Luiz Vieira (Professor Doutor de Cinema e Vídeo na Universidade Federal Fluminense. Agradecimentos especiais a Silvia Steinberg)

O cinema do fim da São João, em São Paulo, mais precisamente no número 1462 da importante avenida, é (era) o mitológico Comodoro, inaugurado em 16 de agosto de 1959 com o filme Isto é Cinerama, que lançava no Brasil, e exclusivamente em São Paulo, o "sistema que revolucionou o mundo das diversões", conforme ficou escrito por baixo de sua marquise, durante anos.

O Cinerama chegava, enfim, ao Brasil, depois de sete anos de total sucesso em algumas capitais e cidades importantes mundo afora. Eram poucas, porque ficava muito cara a instalação daquele sistema pioneiro de tela panorâmica de três projetores que, simultaneamente, formavam uma imagem de tamanho gigantesco, projetada numa imensa tela de 146 graus de curvatura.

Não dá para esquecer o impacto que era entrar no cinema, com ingressos comprados necessariamente com antecedência, poltronas numeradas (procurávamos sentar sempre na frente, assim, entre a sétima e a décima fileira, no meio, claro, quase que dentro da tela, mesmo por causa da curvatura), a excitação que toda aquela antecipação provocava, a sensação de que algo realmente especial estava prestes a acontecer, principalmente porque à frente só havia mesmo uma enorme cortina vermelha, generosa em pesadas pregas que cobriam toda a parte frontal do cinema, do teto ao chão.

Os espectadores iam enchendo a sala aos poucos e, em seguida, as luzes começavam a diminuir enquanto que as cortinas se abriam o suficiente para mostrar uma imagem quadrada, correspondente ao tamanho do 35mm normal. Na tela, em preto e branco, aparecia um documentário, apresentado por Lowell Thomas, produtor do espetáculo, que fazia um breve histórico cronológico e evolutivo das imagens em movimento, indo até a pré-história e o homem da caverna até, claro, o Cinerama, a "maior conquista do homem", etc.

Mostrava as câmeras, descrevia o processo de filmagem até que finalmente anunciava a novidade aos espectadores, na voz dublada e inconfundível do locutor Jorge Calhela (?), responsável pelos comerciais da Bozano - creme de barbear: "...e agora, senhoras e senhores... vamos ao Cinerama!" conclamando a platéia e inscrevendo-a diretamente dentro do espetáculo. Aí, já colorida, surgia a imagem do trenzinho subindo uma célebre montanha russa de Coney Island, no Brooklyn, imagem que se formava aos poucos, diante de nossos olhos maravilhados, exatamente sincronizada com as cortinas que, então, se abriam completamente.



Quando o trenzinho chegava na parte mais alta da estrutura da montanha russa, a imagem estava completa, a tela curva completamente aberta com os três projetores em ação e começava a queda vertiginosa do trenzinho ao mesmo tempo em que, por toda a sala, o som estereofônico se abria, num envolvimento com o espetáculo absolutamente inédito até então. Era uma sensação física, os espectadores se agarravam nos braços das poltronas. Você, digamos, estava "dentro do espetáculo" e dele fazia parte, como a publicidade não cansava de enfatizar.

Dá para imaginar o impacto provocado por toda essa tecnologia, principalmente aos olhos de um garoto de dez anos de idade, quando tudo sempre parece ainda maior. Todas as sessões tinham prólogo, intervalo e, no final, com as cortinas já fechadas, ainda apresentavam uma “música de saída” que acompanhava os espectadores no esvaziamento da sala. Era um ritual de verdade, incluindo os espectatores, em geral, bem arrumados. Como tínhamos família em SP, era para lá que íamos, eu e meu irmão, duas, três vezes por ano, de férias sempre. Não tinha programa melhor. Era chegar em São Paulo, para onde viajávamos pela Viação Cometa, naqueles também inesquecíveis e ultra confortáveis ônibus de aço, em design streamlined, modelo anos 50 da General Motors, com ar condicionado e vidro rayban. Esse modelo da Cometa ganhou aqui o apelido indígena de Morubixaba. No dia seguinte da chegada em SP, com ingressos comprados anteriormente pela família, lá estávamos excitados na fila do Comodoro.

Vi todos os seis filmes do Cinerama original lá exibidos ("este espetáculo é exclusivo do Cine Comodoro, em nenhum outro lugar da cidade, do estado, do Brasil você poderá vê-lo" alertava uma frase embaixo dos anúncios nos jornais). Foram filmes exibidos e muito reprisados entre 59 e 65, nesta ordem: Isto é Cinerama, Cinerama Holiday, As Sete Maravilhas do Mundo, Cinerama em Busca do Paraíso, Velas ao Vento e Aventura nos Mares do Sul (este narrado por Orson Welles).

Pelos títulos, dá bem para imaginar o que eram esse filmes de viagens. Depois, o formato se esgotou, não tinham mais filmes e, em 1965, o cinema foi reformado para exibição, em sua mesma tela gigantesca e curva de películas em 70mm (no princípio ainda mantendo o nome de Super Cinerama), sem emendas, com um único projetor, re-inaugurado com o filme de guerra Uma Batalha no Inferno. Continuei assistindo ali a filmes exibidos ainda com exclusividade, em Super Cinerama, como Khartoum, Nas Trilhas da Aventura, Os Bravos Morrem Lutando, Krakatoa - o Inferno de Java, além de versões ampliadas de 35mm para 70mm como Os Dez Mandamentos, por exemplo, entre muitos outros.

Já nesse final, começam as obras do Minhocão, o centro de SP foi ficando decadente e os cinemas fantásticos começaram um a um a fechar. Mas, no Rio, em Copacabana o antigo Roxy também lançava, em 1966, esse Super Cinerama 70mm, também exibindo Uma Batalha no Inferno, seguido de todos aqueles outros títulos.

Finalmente já poderíamos curtir no Rio um pouco mais daquela experiência (ainda que diferente, já que o verdadeiro Cinerama nunca aportou fora de SP). Foi no Roxy, por exemplo, que assisti a duas sessões seguidas de 2001, em agosto de 1968, sem conseguir sair do cinema, tal a emoção.

Depois, em 1969, re-inaugurava-se o Metro Passeio, agora chamado de Metro Boavista, com sua impressionante projeção D-150 (película 70mm) numa tela gigante, igualmente curva, com o filme As Sandálias do Pescador. Lá, assisti, entre outros títulos espetaculares, o magnífico A Filha de Ryan, de David Lean, além da reprise de A Conquista do Oeste, última produção do Cinerama original, de 1962 e que havia sido lançado no Brasil em cópias normais em 35mm. No Metro Boavista, apresentado em 70mm e projetado na tela curva de Dimensão-150, o filme resgatou seu impacto audiovisual original. Neste breve panorama das telas panorâmicas no Rio, vale lembrar que antes do Roxy, o Cine Vitória, ali na Senador Dantas, em 1965, inaugurava o 70mm no Rio com o lançamento em exclusividade do musical My Fair Lady, exibido ali durante meses, simultânea à exibição, no Cine Palácio, ali bem pertinho, de A Noviça Rebelde, projetado em Todd-AO durante 54 semanas consecutivas entre 1965 e 1966.

O Roxy foi dividido em três, o Metro Boavista fechado, o Vitória idem...e, infelizmente, ficou o Rio, cidade grande e culturalmente importante, desprovido de uma sala sequer para fazer algum lançamento especial nesse formato, ao contrário de Nova York, Londres, Paris, Cidade do México, Buenos Aires e mesmo São Paulo.

Quem nunca viu, de verdade, o que estou descrevendo, não tem uma pálida idéia do que tenha sido esses formatos de projeção. Assistir 2001: Uma Odisséia no Espaço em qualquer tela plana de qualquer multiplex ou, pior, em quaisquer desses novos monitores de televisão widescreen é um insulto ao filme de Stanley Kubrick. Em São Paulo, o Comodoro ainda é uma lembrança viva, pois está lá, aparentemente intacto em seu interior, fechado desde março de 97. A marquise ainda anuncia sua última atração, Evita. Tem um telefone na porta, 877-1899 com um letreiro "vende-se". Anotei, de onda. Dá vontade de perguntar o preço...sonho impossível!

Texto criado em 1999 e publicado no site Cinemascópio, de Kleber Mendonça Filho.

Veja, também, artigo do mesmo autor, neste blog:
MARAVILHAS DO CINERAMA

CINE COMODORO CINERAMA (01/09/2000)
por Kleber Mendonça Filho

João Luiz Vieira sempre falou sobre registrar o Cine Comodoro, seja com um texto ou fotos. Com o triste incêndio que o destruiu, na tarde de sexta-feira, 18 de Agosto, nossa homenagem ao Cinema foi montada meio que às pressas, mas com a certeza de que estamos tentando honrar o valor histórico e cultural que a sala teve para São Paulo.

Veja, também, artigo do mesmo autor, neste blog:
COMODORO VISITADO ANTES DO INCÊNDIO

Comodoro visitado antes do incêndio

por Kleber Mendonça Filho ( jornalista e cineasta pernambucano. Seus filmes (curtas e médias-metragens) já tiveram passagens por festivais importantes no exterior como Cannes (Quinzena dos Realizadores), Clermont Ferrand, Huesca, Roterdã, Hamburgo, Brief Encounters (Inglaterra), Tampere (Finlândia), Cork (Irlanda), Uppsala (Suécia), Karlovy Vary (República Checa) e Interfilm (Berlim) e já contabilizam mais de 60 prêmios nacionais e internacionais. Mora no Recife e possui um site, o Cinemascópio)
Em uma sexta-feira, 18 de agosto de 2000, tinha acabado de chegar a São Paulo e fui visitar uma pessoa muito querida na redação da Folha de São Paulo. Saindo de lá, passei andando pela Av. São João e, como geralmente faço, fui até à fachada do cinema Comodoro Cinerama. A fachada era geralmente hostil, isolada por grades, cercas de arame e tapumes. Desta vez, havia um trabalhador na sala de espera e a grade estava aberta. Pedi para entrar. A sensação foi estranha, pois descobri que aquela rua imunda escondia um palácio intacto, de cores vermelhas maciçamente empoeiradas por dentro.
Foi uma emoção interessante entrar naquele lugar que, na verdade, não significava nada para mim no sentido de experiências pessoais (nunca vi um filme lá), mas tinha total consciência do que a sala devia significar para muita gente. Lembrei de todos os jornais de São Paulo, que vi ao longo da minha infância e adolescência, com os filmes que passaram lá anunciados, especialmente os exibidos em 70 mm. (Mad Max 2, A Filha de Ryan, Caçadores da Arca Perdida, E.T., são os que eu lembro), formato que caiu em desuso ao longo dos anos, e que viu seu fim no Comodoro, último cinema do país a exibir este formato grande.
O cinema estava intacto, como um lugar fechado há anos, muita poeira, mas INTACTO. Achei as cadeiras meio vagabundas, azul claras, obra dos anos 60. No entanto, descendo o auditório pelo corredor-rampa, impossível não babar ao olhar para a cortina vermelha em camadas, fechada. A tela era mesmo tão curva (Cinerama) que se você tocasse no centro da curva, teria que olhar para trás, por cima dos ombros, para ver as pontas da tela, esquerda e direita. Você sentia-se cercado pela tela de cinema. Se a imagem de qualquer atriz projetada naquela tela (Ornella Mutti me veio à cabeça) abrisse os braços, você se sentiria abraçado.
Afastei a cortina pesada e vi que a tela era aquela Cinerama original, toda em tirinhas, mais adequada para o formato que utilizava três projetores, já que a luz não refletia para fora da tela. A tela especial, no entanto, estava em frangalhos, como se "Freddy Krueger" tivesse passado a mão nela, desalinhada, destroçada. Escondida embaixo da majestosa cortina, no entanto, não fazia muita diferença, nem mesmo se existia uma tela ali.
De costa para a cortina, olhei o auditório, cercado de altos falantes (uma caixa de som estava jogada numa cadeira, na lateral) e procurei, no balcão (segundo andar de poltronas), as duas cabines extras de projeção, usadas para a tela tripla do Cinerama, que usava três projeções sincronizadas para formar uma imagem larga. Localizei possíveis pontos e realmente havia dois lugares que pareciam ter tido algo lá, mas não saberia precisar se realmente existiu, pois alguma reforma deve ter consertado a estrutura. De qualquer forma, imagino que o Comodoro tenha exibido aquele outro Cinerama, o Super Panavision 70. "2001 - Uma Odisséia no Espaço" deve ter passado lá, imagino o que não deve ter sido vê-lo lá.
Subi ao primeiro andar pela sala de espera (meio fantasmagórica) e entrei na cabine de projeção. Tomei um susto. Realmente, esperava ver um espaço vazio, sem projetores (pois sempre são as primeiras peças levadas do corpo de um cinema, como um coração arrancado rapidamente para transplante em outro paciente que ainda tem chances de vida). Não esperava ver na cabine, pedaços de rolos de cópias em 70 mm jogadas pelo chão. Havia metros da vinheta da UIP (United International Pictures) e partes de algum filme difícil de identificar (alguém nadando). Havia também diários dos operadores, com anotações de filmes exibidos.
Pois é, tudo isso e eu não tinha minha câmera fotográfica comigo, não peguei pedaços de filmes, nem os diários. Achei que poderia voltar lá, pois o trabalhador disse que estaria lá, ao longo da semana. Houve um incêndio no local, exatamente uma semana depois, foi quando perdi a oportunidade de registrar tudo que vi, exceto pelo que estou escrevendo. Me perturba observar que a pequena matéria na Folha de São Paulo, no dia seguinte do incêndio, não trouxe nenhum registro histórico. O Comodoro foi tratado como uma farmácia em chamas, ou uma antiga repartição destruída por uma enchente. Ironicamente, foi na Folha, onde havia me encontrado com uma pessoa muito querida, o jornal que publicou um texto desprovido de apego ao passado e à história.
É prova de que a memória coletiva é mesmo muito curta, sobre um lugar que foi importante para tanta gente e que, da noite para o dia, desaparece, sem nada mais. Não é síndrome de "Cinema Paradiso", mas vejo salas de cinema (especialmente as antigas) como monumentos à passagem do tempo, lugares impregnados de gente e suas histórias. Que, pelo menos, exista algum registro fotográfico. Essa parte é realmente triste. Será que alguém tem?

As mais belas fachadas dos antigos cinemas de rua da cidade de São Paulo

Broadway (Av. São João, 560 - Centro)

Ipiranga (Av. Ipiranga, 786 - Centro)

Joia (Praça Carlos Gomes, 82 - Liberdade)

Majestic (Rua Augusta, 1475 - Bela Vista)

Marabá (Av. Ipiranga, 757 - Centro)

Marrocos (Rua Cons. Crispiniano, 352 - Centro)

Metro (Av. São João, 791 - Centro)

Nacional (Rua Clélia, 1517 - Lapa)

Opera (Rua Dom José de Barros, 505 - Centro)

Paramount (Av. Brig. Luis Antônio, 411 - Jd. Paulista)

Paris (Rua Barra do Tibagi, 657 - Bom Retiro)

Plaza (Praça Mal. Deodoro, 340 - Sta. Cecilia)

Rex (Rua Cons. Carrão - Bela Vista)

Rio (Rua da Consolação, 1992 - Consolação)

Ritz (Av. São João, 587 - Centro)

Roxy (Av. Celso Garcia, 499 - Brás)

Tropical (Rua Roma, 731 - Lapa)

Ufa-Palacio (Av. São João, 407/419 - Centro)

Clique nas fotos para ampliá-las.
Informações e fotos sobre estes e outros lindos cinemas de rua, você encontra no Banco de Dados do blog.
Em breve:
As mais belas fachadas dos antigos cinemas de rua do litoral e interior de São Paulo

21/11/2014

O luxuoso cine Metro de 1938


Em São Paulo está surgindo a Cinelandia ao longo da Avenida São João. Agora é o cine Metro que se inaugurou nas cercanias do Ufa e do Broadway.
O cine Metro foi construído pela Cia. Constructora Nacional S.A., para a Metro Goldwyn Mayer com os mesmos característicos das casas de exhibições dessa importante firma productora, nas grandes capitães do mundo.
Aliás, a Metro Goldwyn Mayer estabelece um systema standard para os seus cinemas. Dahi possuir o cine Metro todos os aperfeiçoamentos das salas de exhibições da Broadway, em New York ou da Champs Elysés, em Paris.
Construcção de concreto armado, a fachada é simples e sóbria, linhas horizontaes e verticaes.
O hall amplo em mosaico granito róseo; duas escadarias para os balcões; portas envidraçadas em que o jacarandá resalta bellamente são as impressões iniciaes.
As decorações internas, carregadas de motivos inspirados dos egypcios.
Sala commoda, em dois planos, platéa e balcões em que se percebe a preoccupação de se dar um máximo de conforto ao espectador.
Um systema de ar condicionado medido, lavado, filtrado e seccado é insuflado atravéz dos motivos decorativos do tecto e das paredes; esse ar é exhaurido sob as poltronas em dispositivos especiaes, permitindo assim continua, agradável e racional renovação de ar.
Ao espectador é dada visibilidade total; as poltronas são locadas em círculos concêntricos com a tela e distanciadas 87 centimetros, um maximo de espaço e commodidade.
As paredes arrematadas com lambris de imbuia dão um contraste agradável com o restante do revestimento.
Um tapete único e maravilhoso cobre o piso ambiente tão bem estudado para sala de projecção.
Acústica perfeita; existe um oco entre o revestimento interno e o concreto armado, e mesmo toda a construcção obedece ao systema de concha para limpidez do som.
As installações de illuminação, projecção e som possuem tudo o que há de mais perfeito e até o maximo que a technica conseguiu em effeitos dessa natureza.
A luz irradia da própria cabine do operador, luz colorida e variável. A projecção é feita de maneira a dar a impressão de que a scena é vista em um palco e não sobre um panno simples.
As photographias que acompanham estas ligeiras notas evidenciam muito daquilo que affirmamos e demonstram, perfeitamente, que está de parabéns o publico paulistano ao lhe ser entregue, aos seus cuidados, um dos cinemas mais perfeitos do Brasil.
Texto (integral, com o português e a ortografia da época) e fotos da revista Acrópole nº. 1 (Maio de 1938).







Mais informações sobre o cine Metro (Clique aqui).

20/11/2014

Cine Metro: ontem e hoje

Inauguração : 15/03/1938
Reinauguração após grande reforma e divisão do cinema em duas salas : 01/04/1976
O cinema funcionou até 27/02/1997.
Últimos filmes exibidos : "Coração de Dragão" na sala 1 e "Jerry Maguire - A Grande Virada" na sala 2.
Atualmente, o prédio sedia uma igreja evangélica.
Para maiores informações sobre este cinema, clique nos links abaixo:
Link 1 e Link 2

1938
29/10/1994
01/07/2014
01/07/2014
1938
01/07/2014
1938
01/07/2014
01/07/2014
01/07/2014
01/07/2014
01/07/2014
01/07/2014
01/07/2014
1938
01/07/2014
01/07/2014
1938
01/07/2014
1938
1996
ACESSE O BANCO DE DADOS