A paixão de Quentin Tarantino vai do filme às salas de cinema

Por Igor Kupstas
Jornalista formado pela Universidade São Judas Tadeu e Pós-Graduado em Marketing pelo Mackenzie. Trabalhou no site de cinema E-Pipoca, no Departamento de Marketing da Europa Filmes e foi Gerente de Marketing Digital da Mobz. Atualmente assume o cargo de Diretor da Distribuidora O2 Play.
igorkupstas@gmail.com

Em 2015, no recesso de fim de ano, passei uma semana em Miami, onde tive a chance de assistir à versão "Roadshow" do "Os 8 Odiados" (The Hateful Eight), novo filme do Quentin Tarantino, projetado em 70mm.

Roadshow - O cinema Teatral

O formato "Roadshow" se consagrou nos anos de 1950 em Hollywood e consiste em um lançamento limitado aos principais centros urbanos de um filme que, via de regra, era apresentado em um corte exclusivo, geralmente com algumas cenas extras, um prelúdio e um intervalo, e que depois era lançado no país todo, em um formato mais enxuto.

O prelúdio servia para colocar os espectadores no clima. Por uns 15 minutos, a audiência ouvia as principais músicas da trilha sonora antes do filme começar, no "Overture". O fim da música era marcado pelo abrir das cortinas no cinema e a revelação da telona. Um ritual que faz falta pra muita gente.

O filme parava durante a sessão para um intervalo, no qual as pessoas iam ao banheiro, comprar algo na bombonière ou fumar. Alguns filmes entregavam programas com informações sobre a produção.

O "Roadshow" nos EUA tinha lugares marcados em vários cinemas (antes disso ser comum), o ingresso era mais caro e as pessoas se vestiam bem, tal qual para ir à ópera. Aliás, esta mistura de experiência dos musicais e teatro era o grande diferencial, uma resposta ao começo da era do televisor e do home entertainment.

Curiosamente, eu me lembro, nos anos 80, quando eu tinha uns 9 anos, de ver o corte "Roadshow" no VHS duplo (ou triplo?) do filme "Ben-Hur" (Ben-Hur, 1960), o que não fazia nenhum sentido pra mim à época (e não faz muito até hoje). Em casa, ver uma tela parada por 10 minutos de música no Overture era um pedido para apertar a tecla FF.

A Experiência Tarantino

Desde o primeiro filme, "Cães de Aluguel" (Reservoir Dogs, 1993) a marca de Tarantino é a reverência a estilos, músicas e experiências cinematográficas. Pesquisador e fã voraz, Tarantino trouxe de volta o cinema independente, o pulp, o surf rock e atores engavetados. Um dos maiores defensores da película em Hollywood (juntamente a Christopher Nolan e Martin Scorsese), ele filmou "Os 8 Odiados" em 65mm, UltraPanavision, formato widescreen 2.76.1 que não era utilizado desde 1966.


Na sessão, o filme teve a abertura com a música de Ennio Morricone, o Deus das trilhas sonoras de faroeste, e um intervalo de 12 minutos em que eu sai e tive tempo de comprar pipoca. No total, o corte do filme teve 20 minutos a mais, com 6 minutos de cenas extras.

A sala, no entanto, não era uma gigante construção para 1000 pessoas como o antigo Astor, que eu tanto adorava na Avenida Paulista, mas uma sala típica de multiplex, o que me decepcionou um pouco. Eu esperava talvez algo na dimensão do Marabá, mas a experiência foi reduzida a uma janela diferenciada em uma tela comum. Confesso que me atrapalhou nos primeiros 20 minutos, mas depois eu mergulhei.

A Diamond, distribuidora do filme no Brasil, tentou reproduzir o processo por aqui, mas teve limitações técnicas, uma vez que praticamente não existem mais projetores 70mm no País.

Goste dos seus filmes ou não, são malucos como o Tarantino que lutam para manter vivas as tradições dos filmes que fizeram desta arte e do espaço do cinema um ambiente de devoção. E em tempos que muito se discute a "experiência cinematográfica", é interessante ver que muito do que se aponta como tendência era feito há mais de 60 anos. Assim como Tarantino faz com seus filmes e roteiros, todos podemos reciclar e trazer nossa paixão pela sétima arte de volta em seus mínimos detalhes, da película à cadeira, à tela. A diferença está nos detalhes.

Texto publicado na revista Exibidor nº 20, de Fevereiro de 2016.

70mm: o auge do cinema espetáculo

Por Filipe Salles (Fotógrafo e cineasta)

Foi inventado em 1929, ainda no cinema mudo, mas ficou esquecido e restrito até a década de 50. No início da década de 40, as pesquisas no campo da tecnologia de transmissão eletrônica de imagens já haviam chegado, nos EUA, a um grau de excelência que possibilitou a invenção da TV comercial. Num primeiro momento, este avanço não chegou a incomodar, mas já na década de 50, a TV representou para o cinema a inclusão de um concorrente direto e potencialmente promissor, e cuja consequência mais próxima seria sua extinção.

Levando-se em conta que o cinema era uma das maiores fontes de renda americanas, a televisão punha-se como um rígido anteparo ao avanço das produções em película, tanto pela comodidade de assistir filmes pelo aparelho de TV quanto pelo custo menor de uma produção eletrônica. Como em ambos, o interesse comercial era proeminente, a saída que os grandes estúdios encontraram foi a criação de sistemas impossíveis de serem reproduzidos em toda sua grandeza e magnitude pela TV. Em outras palavras, transformar o cinema num espetáculo insubstituível. Um deles foi a cor, outro, o som estereofônico e quadrifônico, e ainda outro, a retomada dos grandes formatos.

Surgiu daí o conceito de grande produção e da volta da bitola de 70mm. E, de fato, era realmente impossível reproduzir a experiência proporcionada pela sala escura numa projeção em 70mm, dada a qualidade da imagem e do som, que ainda hoje nenhuma outra bitola, tanto em película como em vídeo, jamais alcançou.

O 70mm representou o auge do cinema espetáculo nas décadas de 50 e 60 (a era dos grandes estúdios e das grandes estrelas) e as projeções de 70mm em telas gigantescas, sem dúvida, fizeram o cinema triunfar como indústria sobre a televisão, numa época em que a tecnologia eletrônica ainda era muito limitada.



Mas, mesmo hoje, com todo o aparato de vídeo de alta definição e avançados equipamentos, o 70mm ainda se afirma como o mais contundente espetáculo visual já criado, por uma razão muito simples: conforme se pode perceber na imagem acima, o 70mm é uma bitola com o dobro da largura do 35mm, e seu formato de 1:2,20 representa entre 3 e 4 vezes a área útil de um fotograma 35mm. Disso decorre a projeção de uma imagem extremamente nítida, de uma riqueza de detalhes impressionante e com possibilidade de ampliações muito maiores, sem perda de qualidade. A isso, acrescenta-se também o som quadrifônico, que em relação ao 35mm convencional, que, na época, era estéreo, permitia a inclusão de duas pistas de som a mais, e fazia do 70mm uma experiência extasiante.

E por que não se produzem mais filmes em 70mm? Porque são extremamente caros, com equipamentos muito maiores e cujo orçamento multiplica-se vertiginosamente em relação ao 35mm. Por este motivo, mesmo os filmes produzidos em 70mm são, na maioria, grandes épicos, cuja temática, evocando arquétipos heroicos de grandes personagens e histórias marcantes, garantiriam, na pior das hipóteses, um retorno aos milhões investidos nestes filmes. E, com efeito, os filmes mais caros da história foram estes, como Ben-Hur (William Wyler, 1959), Cleópatra (Joseph Mankiewicz, 1963 – provavelmente o mais caro filme já produzido), Os Dez Mandamentos (Cecil B. de Mille, 1956), El Cid (Anthony Mann, 1961) ou mesmo 2001 - A Space Odyssey (Stanley Kubrick, 1968).

Atualmente, o 70mm ainda encontra espaço em produções com fins científicos ou entretenimento puro, como é o caso do IMAX, que se utilizava da bitola deitada (agora a projeção IMAX é digital).

Mas a experiência de assistir a um destes filmes em 70mm levou muitos empresários a manter um arquivo de cópias em 70mm, principalmente na Europa e nos EUA, e que são exibidas periodicamente em salas específicas. Mesmo filmes produzidos originalmente em 35mm, como Star Wars ou Indiana Jones, também ganharam cópias ampliadas em 70mm, claro, sem a mesma qualidade, mas ainda assim sendo uma grande experiência.

65mm

Outro aspecto deve ser abordado em relação ao 70mm. Embora seja comum se referir a ele como 70mm, esta é na verdade a bitola de EXIBIÇÃO, e não a de CAPTAÇÃO. Isso se deve a motivos práticos. Os 5 mm (2,5 de cada lado) que se apresentam após a perfuração são dedicados às bandas sonoras magnéticas da cópia. Como não há registro do som na câmera, não é necessário este espaço depois da grifa e dos rolos de tração das câmeras. Portanto, a bitola das câmeras é 65mm, que são copiados numa bitola de 70mm para projeção. Dependendo do sistema utilizado, esta cópia pode ser ampliada, reduzida ou anamorfizada, como nos sistemas Panavision e Todd-AO.

Formatos para Bitola de 65/70mm

Janela 1:2,20 (1,912" x 0,870") – Formato Standard
Janela 1:2,35 (1,912" x 0,816") – 
Formato anamórfico antigo (até década de 70)
Janela 1:2,40 (1,912" x 0,797") – Formato anamórfico moderno

Entretanto, mesmo com tais recursos, o custo de uma produção desta magnitude era inviável para a maioria dos estúdios, de tal maneira que foi necessária a criação de sistemas alternativos. Tais sistemas, os formatos especiais, simulam diferentes formatos numa mesma bitola, ao ponto de permitir, com algumas restrições técnicas, um formato próximo à proporção do 70mm numa bitola de 35mm.
Parte do texto Bitolas e formatos no cinema, de Filipe Salles.

Novo filme de Tarantino será exibido em 70mm

O próximo filme de Quentin Tarantino já tem data marcada. Segundo a Weinstein Company, o lançamento de "Os Oito Odiados" está previsto para 25 de dezembro nos Estados Unidos e vem com novidade: o faroeste ambientado no pós Guerra Civil será exibido, durante duas semanas, em formato 70mm. A ideia é distribuir as cópias digitais somente a partir de 8 de janeiro. No Brasil, o longa terá distribuição da Diamond, ainda sem data de estreia, e deve ser lançado direto no formato digital, devido à inexistência de salas com projeção nessa bitola.

A decisão radical de explorar o 70mm, hoje uma raridade nos cinemas do mundo, foi do próprio diretor, famoso defensor da película. Esse não é o primeiro lance polêmico envolvendo o projeto. Em 2014, ainda em fase de desenvolvimento, Tarantino assistiu ao vazamento de seu roteiro original, que logo depois foi publicado no site Gawker.




Depois de promover uma leitura pública do script, o cineasta chegou a desistir do filme, mas voltou atrás e decidiu retomar o trabalho após mudanças drásticas na história. Samuel L. Jackson, Kurt Russel, Jennifer Jason Leigh, Walton Goggins, Demian Bichir, Tim Roth, Michael Madsen e Bruce Derne estão no elenco principal.
Texto publicado no Portal Filme B, em 12/06/2015.

Leia, também, o texto Cinemas de rua com 70mm, de Paulo Roberto Elias.
Conheça tudo sobre o formato 70mm no site In70mm.com.

Abaixo, antigas exibições em 70mm na cidade de São Paulo :


Profissionais da exibição: Eder Delatore, projecionista


O homem que faz os sonhos girar
Por Rafael Amaral (ramaral@jj.com.br)
Texto publicado no “Jornal de Jundiaí” em 06/01/2013.

Eder é projecionista e, do alto da cabine, coloca diversos filmes que fazem a alegria e leva muita gente às lágrimas. Ele descobriu o cinema aos 9 anos.



O trabalho de Eder Delatore se dá em uma sala escura, rodeado por máquinas, com um pouco do som que vem de fora. À sua frente, depois de um vidro, há uma tela grande, um pouco distante, com imagens e sons responsáveis por fazer muita gente sonhar por horas. É a sala de cinema.

Eder é quem faz todo aquele espetáculo funcionar, o filme girar, dos bastidores, e com grande responsabilidade. O jovem projecionista se despregou do cinema durante alguns anos, mas acabou voltando. Não teve jeito: cinema, ele diz, é uma paixão.

Na sala de projeção, Eder trabalha com o filme em película e em formato digital. Aprendeu a lidar com as duas formas e não se intimida. Quando necessário, está em mais de uma sala ao mesmo tempo, às vezes em três, às vezes em até sete com a película e o digital.

Do alto, onde fica, consegue ter uma ideia se o filme agrada o público ou não. Alguns filmes têm pregado as pessoas à poltrona por quase três horas, como “O Hobbit”. Outros, como “Ted”, fez com que gente – acompanhada de crianças – deixasse a sala.



Ver filmes? “Dá para ver muitos a partir da sala de projeção, mas o ideal é ver da poltrona do cinema mesmo”, explica. “Além disso, às vezes precisamos sair da cabine, estar atento a outras coisas, em outros locais”.

Eder não se recorda do primeiro filme que projetou sozinho em Jundiaí. Após trabalhar por um ano como porteiro do Moviecom, ele subiu alguns degraus e foi para a sala de projeção. Passou por aprendizado e, na companhia de outros funcionários, fez a máquina de sonhos girar. Era a época de “Avatar”. E Eder, lá no alto, com os olhos pregados na tela, viu o quanto o filme de James Cameron arrancou suspiros do público.

Eder Delatore deixou a Moviecom Cinemas em 2013, para se dedicar ao um lindo projeto que conheceremos a seguir.

Passado

Foi outro filme de Cameron, em 1984, que fez Eder descobrir o cinema. Certo dia, em Santa Adélia, cidade onde cresceu e onde vivem seus parentes, Eder decidiu mudar o caminho da escola. Tinha apenas 9 anos. “Decidi virar e ir para outro lado. Foi quando me deparei com aquele cinema e com o cartaz de ‘O Exterminador do Futuro’, uma descoberta”.

A vida do menino começava a mudar. Logo chegou a hora de contar a descoberta para a mãe, que, crente em Deus, achava que aquela coisa de cinema era meio chegada ao pecado. E o filho sequer tinha entrado na sala.

O menino voltou a passar pela frente do cinema, chamado Cine São Paulo. Certa vez, parado nas grades da portaria, um dos funcionários do local, cujo apelido era Chita, convidou Eder a entrar. Quando finalmente ele pôs os pés na sala do cinema, Eder ficou deslumbrado: a grande tela, na qual passava “Hércules e os Gladiadores”, dava a impressão que ia engoli-lo.

“Naquela mesma sessão, no escuro, alguém puxou meu braço”, recorda. Era um de seus tios, com quem ele terminou de assistir o filme. Daí para frente, não parou mais.

De tanto frequentar o Cine São Paulo, Eder passou a trabalhar no local. Limpava o chão se necessário. Mais tarde, foi parar na sala de projeção.



À época, o equipamento ainda era movido a carvão. “Não que não existisse algo mais moderno, mas como era cidade do interior, as coisas demoravam um pouco”.

Mais velho, Eder se recorda das vezes em que teve de ficar até a madrugada no cinema, nas sessões de filmes pornôs. Os outros projecionistas eram casados e, por pressão das mulheres, não queriam trabalhar nessas sessões.

Um de seus filmes preferidos é “Platoon”, de Oliver Stone,  assistido em Santa Adélia, para onde ele pretende voltar em breve e onde, com outras pessoas, luta para reabrir o velho Cine São Paulo. “Todo comércio que abriu naquele prédio não foi para frente”, comenta Eder, fazendo planos para dar vida à sétima arte no local.

“O cinema é uma paixão. Aproveito meus dias de folga para ver filmes, mas dessa vez entre o público”.


Eder Delatore deixou a Moviecom Cinemas em maio de 2013, para se dedicar ao projeto de retomada e recuperação do Cine São Paulo, antigo cinema da cidade de Santa Adélia, onde trabalhou por toda a infância até a última sessão em janeiro de 1991.

Contate o Eder pelo Facebook, compartilhe e conheça melhor o seu projeto.

Caixa Belas Artes lança sala Drive-In

Sonhada na reabertura do cinema, em 2014, sala Drive-In abre para o público em 17/06 (sexta), com filmes, comidas, drinks e cerveja.

O Riveira Bar, de Facundo Guerra, atravessa a Rua da Consolação e ganha um posto avançado dentro da sala 3 do Caixa Belas Artes, de André Sturm e Paula Trabulsi, que agora passa a ser chamada de sala Drive-In. A ideia da parceria surgiu na época da reinauguração do cinema em 2014 e conquistou o apoio da Budweiser para ser inaugurada ao público em 17/06/2016.



“O Fabuloso Destino de Amélie Poulain”, de Jean-Pierre Jeunet, é o filme programado para a primeira sessão da sala, na sexta-feira (17.06), às 13h, e sugere o clima onírico do local. “A experiência na sala da Drive-In vai ser leve, descontraída. Do jeito que se assiste filme no sofá de casa, com os amigos, mas com programação, telona, som e cardápio especiais”, explica André Sturm, quem conta também com a parceria da ASAS.br.com, um colaborativo internacional de inteligência criativa.

Remodelada, a sala comporta 83 pessoas, acomodadas em bancos de carro restaurados como Dodge, Impala, Galaxie e Cadillac, além de duas fileiras de poltronas tradicionais. No fundo da sala, a cozinha foi montada na carcaça de um trailer inspirado no clássico modelo Airstream, onde as receitas serão finalizadas.

Os ingressos para a sala custam R$ 30 (R$ 15 meia entrada). No primeiro mês de funcionamento, os ingressos serão vendidos a R$ 20 (R$ 10 meia entrada).



MenuO cardápio - criado pelo Riviera e pela chef Mari Gilbertoni - traz sugestões divididas em “Melhor que Pipoca” (como chumbinho de porco, dadinhos de tapioca, bolinhos de arroz, mini bolovo - R$ 16, em média), “Palitinhos” (de polenta com alecrim, batata frita, biscoito de polvilho com sour cream - R$ 14, em média), “Sanduíches” (ciabata, pesto de rúcula e queijo canastra, ou burger de fraldinha no pão de brioche com picles de maxixe, alface, bacon, tomate e queijo raclette - R$ 25), além de “Pratos” (salada, macarrão ou rosbife, de R$ 20 a R$ 25)  e ainda “Sobremesas” (Milkshakes, Churros ou Cookies - R$ 14, em média).

Não haverá garçons. Ao entrar na sala, o frequentador pode fazer os pedidos no trailer e retirar no mesmo local, quando o pager informar que o pedido está pronto. Uma bandeja serve de apoio.

“Depois de criar essa sala com o André, viajei o mundo visitando experiências parecidas em Londres, Paris e Austin. Este é um drive-in contemporâneo, para se chegar de metrô ou ônibus e se divertir”, conta Facundo Guerra, que aposta no local como ponto de encontro para aniversários.



Programação – As sessões serão mais espaçadas, de três em três horas, para que o frequentador possa aproveitar a experiência sem pressa. A sala estará aberta uma hora antes de o filme começar, com exibição de curtas e videoclipes à meia-luz. Sturm fez algumas apostas, como a sessão “Vale a pena ver de novo” às 12h, no sábado, a sessão infantil às 11h de domingo, além de sessões de filmes de terror no sábado às 23h.



SALA DRIVE-IN
CINE CAIXA BELAS ARTES

Endereço: Rua da Consolação, 2423 – Consolação - Tel: 11 2894 5781
Ingressos: Os ingressos custam R$ 30 (R$ 15 meia entrada, para estudantes, correntistas do banco Caixa Econômica Federal, melhor idade).
Venda dos ingressos: na bilheteria (cartões de débito: todos; não aceita cartão de crédito ou cheque) ou pelo site www.ingressorapido.com.br.
Capacidade: 83 lugares

Matilha Cultural completa sete anos e se consolida no cenário cultural


Quando o universo de coletivos ainda era pouco conhecido e praticado no cenário paulistano, surgia a Matilha Cultural

Em 5 de maio de 2009, um edifício no centro de São Paulo abria suas portas, movimentando o universo cultural e também contribuindo para a atuação e formação de profissionais do terceiro setor e de propostas coletivas. O panorama de seus projetos é eclético. A diversidade a faz aberta, mas com perfil intrinsecamente ligado à cena urbana, hip hop, skate, cachorro e meio ambiente. A Matilha Cultural também inovou, criando, dentre outras iniciativas, a sessão de cinema que permite o ingresso de cães. Algo também inovador.



E por que os cães? Pela paixão por esses animais, presente desde sua origem, surgida a partir da produtora de cinema Olldog Filmes. Seus integrantes visualizaram a iniciativa primeiramente com o objetivo de abrir uma sala de cinema, ante a situação de falta de espaços para as produções independentes. Outra proposta: oferecer  sessões de cinema gratuitas ou a preços populares, tornando-se assim, opção para os custos altos das sessões de cinema.

Quando encontraram o galpão vazio no centro, acreditaram ser o local ideal para inaugurar não só uma sala de cinema, mas também um Centro Cultural. Após dois anos de adaptações no espaço, a Matilha Cultural saiu do projeto, com ambiente expositivo, sala multiuso, café, além de um cinema com 68 lugares. O novo espaço passa a fortalecer a cena independente da cultura nacional.



Dentre as propostas da Matilha, estão fomentar práticas e pensamento sustentável, principalmente por meio da cultura, promover relacionamento cultural internacional, realizando projetos que favoreçam o intercâmbio cultural entre nações. “Nossa proposta é também ser um espaço comprometido com as novas tendências fundamentalmente contestadoras da produção artística, além de promover, com nossas ações, a conscientização sobre o meio ambiente com um olhar atento sobre nosso contexto sustentável”, explica Ricardo Costa um dos idealizadores do espaço.

Nestes sete anos, ao aglutinar projetos e expressões culturais atuais, a Matilha Cultural funciona como um centro de ideias coletivas. Ao longo desse período, toda a programação foi gratuita ou a preços populares, totalizando cerca de 100 exposições, mais de 500 sessões de cinemas,  eventos musicais, feiras de adoção, lançamentos de livros e outros produtos, oficinas com artistas, eventos nas ruas e cursos. Investe ainda em selo musical, com foco em produções de hip hop, rap e funk. Dentre as propostas estudadas para ações, a Matilha pretende se aproximar do universo educativo, por meio de parcerias com faculdades. “Os estudantes já são público do espaço e queremos que eles estejam mais próximos, em projetos e iniciativas”, diz Ricardo.

Cine Matilha Cultural

O cine Matilha Cultural nasceu para exibir produções cinematográficas independentes, filmes e documentários de relevância socioambiental e proporcionar o acesso do público do centro da cidade a festivais e mostras da sétima arte. A sala também é usada para sessões promocionais, pré-estreias e cabines de produção e imprensa.



MATILHA CULTURAL
Rua Rego Freitas, 542 - República 
Tel. : (11) 3256-2636
Horários de funcionamento : 
Terça-feira a domingo, da 12h às 20h/ exceto sábados: 14h às 20h


Inauguradas as primeiras salas do Circuito SPCine de Cinema nos CEUs da capital

Na primeira etapa do projeto, serão montadas e modernizadas 20 salas, das quais 15 serão em CEUs

Na quarta-feira, 30 de março de 2016, foram inauguradas as duas primeiras salas de cinema do Circuito SPCine, que funcionarão nos Centros Educacionais Unificados (CEUs). As salas entregues funcionarão nos CEUs Meninos, região leste e Butantã, localizado na região oeste.

Projetor digital adotado para as salas do Circuito SPCine - Foto: Leon Rodrigues


A opção por entregar 15 das 20 salas previstas nos CEUs visa fomentar o acesso à cultura aos moradores de lugares mais distantes do centro da cidade. "A cultura é fundamental para enfrentar todos os desafios que o povo brasileiro tem pela frente, para estimular a convivência e a aceitação do outro para a construção de uma sociedade democrática", disse Juca Ferreira, Ministro da Cultura.

Cerca de 900 convidados, entre profissionais do cinema, atrizes, atores e comunidade local, participaram da inauguração das salas de cinema nos CEUs Meninos e Butantã. Acompanhada da filha, Aracelis Santos Diniz, moradora dos arredores do CEU Meninos, aguardava ansiosamente o início da sessão do filme "O Escaravelho do Diabo". "Vai ser muito bom ter um cinema aqui no CEU. Vai facilitar nossa vida, já que não precisaremos ir até São Caetano ou até o centro de São Paulo", afirmou.

Inauguração da sala de cinema do CEU Butantã em 30/03/2016 - Foto: Leon Rodrigues


Inauguração da sala de cinema do CEU Butantã em 30/03/2016 - Foto: Leon Rodrigues


Com a instalação completa das salas, a programação contará com 200 sessões semanais, com grande diversidade de títulos, incluindo obras artísticas, nacionais e blockbusters, além de construir um plano de formação de público com a expectativa de atingir até 960 mil espectadores por ano. "Essas salas são muito importantes, formam um circuito alternativo e de fácil acesso. Aqui, a gente não vai precisar pegar ônibus e pagar ingresso para assistir a uma boa programação", afirmou o Prefeito Fernando Haddad.

Das 15 salas que serão instaladas nos CEUs, cinco se localizam na zona leste, cinco na zona sul, quatro na zona norte e um na região oeste. "O cinema envolve várias artes. Vai ser fascinante a gente ver o aprendizado dos alunos, dos professores, das famílias. Aqui também serão realizados debates com os jovens. A educação precisa se dinamizar cada vez mais", disse o Secretário Municipal de Educação, Gabriel Chalita.

Testes na sala de cinema do CEU Meninos em 24/03/2016 - Foto: Leon Rodrigues

Testes na sala de cinema do CEU Meninos em 24/03/2016 - Foto: Leon Rodrigues


"Com estas salas, nós também daremos oportunidade para produções que muitas vezes não conseguiram chegar às grandes salas de cinema", disse o Secretário Municipal de Cultura, Nabil Bonduki, que também ressaltou os benefícios da parceria entre as Secretarias de Educação e Cultura.

As salas inauguradas contarão com tecnologia de ponta e as sessões nos CEUs acontecerão as quartas, quintas e domingos, seguindo a lógica do mercado de exibição que renova as estreias sempre no quinto dia da semana. Os outros equipamentos culturais seguirão a mesma estratégia, mudando apenas a quantidade de sessões. "O cinema faz parte da formação da cidadania. Todos têm direito de ir ao cinema e é este o esforço que estamos fazendo aqui para viabilizar o acesso da forma mais universal possível ao cinema", afirmou o diretor-presidente da SPCine, Alfredo Manevy.

Testes na sala de cinema do CEU Meninos em 24/03/2016 - Foto: Leon Rodrigues

Inauguração da sala de cinema do CEU Meninos em 30/03/2016 - Foto: Fernando Pereira


Sobre o projeto - O Circuito SPCine é um projeto da Prefeitura de São Paulo que tem o objetivo de levar a experiência do cinema a todas as regiões da capital paulista, sobretudo as não atendidas ou pouco atendidas por salas oficiais de cinema, ampliando a oferta de espaços para exibição de filmes, além de modernizar salas já existentes com equipamentos de ponta, criando uma programação regular nesses locais.

Texto publicado originalmente no Portal da Secretaria Municipal da Educação.

Mais fotos e informações:
Capital recebe primeiras salas públicas de cinema

Fábrica de sonhos: conheça a história e a trajetória do Espaço Itaú de Cinema

Ele é uma enciclopédia ambulante, cheio de histórias e fatos para contar das mais de duas décadas cuidando das famosas salas e do saguão do Espaço Itaú de Cinema, na Rua Augusta paulistana. Numa visita cotidiana, Adhemar Oliveira distribui sorrisos e simpatias para todos os funcionários e para nossa equipe, que ele recebe para contar um pouco sobre seu orgulhoso trabalho de muitos anos com o cinema. Adhemar é um dos responsáveis pelo famoso roteiro de cinema alternativo do Espaço Itaú de Cinema da Rua Augusta, em São Paulo.
Exibidor, distribuidor e empresário, até chegar ao Espaço Itaú, Adhemar esteve à frente de diversos cineclubes e salas no Rio e São Paulo, ajudando a fomentar um tipo de cinema de rua, alternativo e proeminente na produção cinematográfica local, como ele acredita ser o Espaço Itaú da Augusta.
  “Este cinema foi o espaço responsável pela retomada de colocar os filmes brasileiros em cartaz”, diz Adhemar, sem meias palavras, ao lembrar-se do impacto no roteiro cultural com o surgimento da sala em 1993, época que a produção cinematográfica estava “alijada”. “Em 1995 ‘Carlota Joaquina’ ficou 6 meses, um sucesso. Era ‘Carlota Joaquina’, ‘Sábado’ e ‘Vem Dormir Comigo’, formando uma frase engraçada no letreiro grande que tinha na rua (risos)”.
Na época com o apoio do banco Unibanco, que veio a ser fundido com o Itaú em 2008, Adhemar nota como o patrocínio deixava os exibidores à vontade para apostas - e na época o cinema nacional era um nicho a ser redescoberto. Em 94 nós apresentamos oito filmes brasileiros para 100 mil espectadores. Em 95 fizemos 300 mil espectadores só com os brasileiros, uma retomada que colocou o cinema brasileiro de pé. E ganhamos dinheiro com isso!”, gaba-se. “Nosso cinema era considerado ótimo, e essa aliança com os filmes brasileiros, que não eram considerados ótimos à época, fez a dialética da coisa: um cinema bom jamais apresentaria um filme ruim, então reinventamos a apreciação desses filmes”, diz Adhemar, explicando como a vitrine do então Espaço Unibanco trouxe olhares e público para a produção local.
Inaugurado em 6 de outubro de 1993 com o filme “O Banquete de Casamento”, de Ang Lee, como Espaço Banco Nacional de Cinema, a sala ocupou o ponto do antigo cine Majestic, de sala única e tela gigante  -  a cinerama, de 22 metros. Por seu trabalho em cineclubes, desde os tempos de estudante em Jaboticabal, interior de SP, na USP, e em suas atuações na Estação Botafogo do Rio, Adhemar foi escalado pelo Banco Nacional, que veio mais à frente ser assimilado pelo Unibanco, a bolar um novo ponto cultural na cidade.
  “Eu estava procurando um lugar, aí desci aqui na Augusta quando notei a correria de um assalto a um ônibus”, relembra Adhemar, com mais uma de suas ótimas histórias. Passado o burburinho, vejo uma placa ‘aluga-se’ num cinema velho no outro lado da rua. Dei um dinheiro para o cara que tomava conta e peguei o telefone direto do proprietário. Aqui era cheio de prostitutas na porta, visitamos, e acabei fechando com eles”.
Adhemar destaca os acertos do novo cinema na desprezada Rua Augusta dos anos 1990. “O que marcou - e marca até hoje  foi o saguão entre as salas. Antes o Majestic tinha a entrada quase na calçada direto pra sala. Nós abrimos um espaço como uma praça, onde cabem 500 pessoas circulando, para eventos e recepções. É a alma do nosso cinema esse espaço. Dois meses depois da abertura o investimento do banco estava pago, um mês depois, explodiu. Era um cinema moderno, equipamento de primeira, com programação alternativa”.
O Espaço Banco Nacional, que veio a se tornar Espaço Unibanco e hoje Espaço Itaú, é famoso ponto de encontro da moçada e da intelectualidade paulistana, tanto que suas exibições de filmes alternativos, documentários e brasileiros, além de eventos gerais, geram filas que são tão famosas quanto às próprias exibições. “Lembro nos anos 90 quando juntamos para uma mesa Chico Buarque, Saramago e Sebastião Salgado, na Sala 1. Transmitimos no saguão, nas outras salas, e na hora de ir embora foi uma confusão! Como fazia pra tirar eles pela única saída?”, diverte-se.
A alma de “cineclube”, mas com um olhar sagaz para os negócios e um espírito de redemocratização do cinema nacional são outros aspectos destacados por Adhemar, que é sócio dessa e de outras salas até hoje, funcionário que “faz tudo, até a limpeza!”. Outro marco de seu trabalho com o cinema foi o desenvolvimento da sala “Arteplex”, que teve estreia no Espaço Unibanco do Shopping Frei Caneca, misturando filmes do roteiro alternativo e sucessos blockbusters todos no mesmo ambiente de exibição. “A gente era visto como cinema de arte, uma coisa ilhada. Com o Arteplex, a gente explodiu ainda mais, pois tratamos o cinema de uma forma mais abrangente”.
O exibidor conta que percebeu que havia similaridades entre o circuito alternativo e o comercial com o filme “Star Wars”, um clássico do cinema que mesmo amantes do roteiro cinéfilo iam acabar assistindo uma hora. “O pessoal ia ver o ‘Star Wars’ em outra sala, e eu ia perder dinheiro! Pensei que tinha que renovar a plateia, o pai trazer o filho adolescente. Aí abri o Arteplex no Frei Caneca misturando esses dois espíritos e foi um sucesso, 45% de taxa de ocupação!”, celebra, reforçando como o Espaço da Augusta é que ajudou a gerar esse e outros desdobramentos do roteiro cinematográfico da cidade. “Esse cinema, mais do que qualquer outro, funcionou como uma fábrica: tanto de projetos, como de pensamento…”.

  “Quase todos os cineastas da nova geração (ele cita Beto Brandt, Tata Amaral, Paulo Caldas, e etc.), nasceram aqui. E é assim que anda”. Adhemar diz que uma das coisas gratificantes do seu trabalho é, aos 60 anos, sentir-se novamente jovem quando um cineasta de 18 anos vem apresentar seu filme para ele, já que é sabido que todo produtor de cinema no Brasil adoraria ver sua história no Espaço Itaú da Augusta  -  de preferência na Sala 1!.

  “Criou-se um mito, essa coisa de que se passa aqui, que o filme é bom (não necessariamente, depende do filme!). E isso por causa da nossa iniciativa de fundar lá em 1993, 1995, uma vitrine, uma aura para os filmes brasileiros, quando eles estavam prejudicados”. Adhemar conta a divertida história de que, na primeira entrevista sobre a fusão de Itaú e Unibanco, uma das primeiras perguntas terem sido “cliente Itaú também vai pagar meia?”, fato que provoca mais uma entre tantas gargalhadas nesse veterano exibidor de alma jovem.
  “Desde a época do Nacional o cliente paga meia e pode comprar o ingresso com cartão de crédito, inovações que são nossas”, conta. “E isso é parte do papel do cinema, que é criar. Passar filme qualquer um passa, criar uma programação depende muito de ter uma boa antena”.
Texto da assessoria de imprensa do Espaço Itaú de Cinemas.
“Se ainda temos cinemas de rua em São Paulo, devemos isso ao Adhemar Oliveira. Ele entrou para a história da exibição cinematográfica brasileira, assim como Francisco Serrador, Paulo Sá Pinto e tantos outros empresários exibidores, corajosos e visionários”. – Antonio Ricardo Soriano
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BIBLIOGRAFIA DO BLOG

PRINCIPAIS FONTES DE PESQUISA

1. Arquivos institucionais e privados

Bibliotecas da Cinemateca Brasileira, FAAP - Fundação Armando Alvares Penteado e Faculdade de Arquitetura e Urbanismo - Mackenzie.

2. Principais publicações

Acervo digital dos jornais Correio de São Paulo, Correio Paulistano, O Estado de S.Paulo e Folha de S.Paulo.

Acervo digital dos periódicos A Cigarra, Cine-Reporter e Cinearte.

Site Arquivo Histórico de São Paulo - Inventário dos Espaços de Sociabilidade Cinematográfica na Cidade de São Paulo: 1895-1929, de José Inácio de Melo Souza.

Periódico Acrópole (1938 a 1971)

Livro Salões, Circos e Cinemas de São Paulo, de Vicente de Paula Araújo - Ed. Perspectiva - 1981

Livro Salas de Cinema em São Paulo, de Inimá Simões - PW/Secretaria Municipal de Cultura/Secretaria de Estado da Cultura - 1990

FONTES DE IMAGEM

Periódico Acrópole - Fotógrafos: José Moscardi, Leon Liberman, P. C. Scheier e Zanella.

Acervos particulares de Luiz Carlos Pereira da Silva, Caio Quintino e Ivani Cury.

PRINCIPAIS COLABORADORES

Luiz Carlos Pereira da Silva e João Luiz Vieira.

OUTRAS FONTES: INDICADAS NAS POSTAGENS.